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Idéias Principais:
Os Espíritos
exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o
mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e
constituem uma das potências da natureza, causa eficiente de uma
multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e
que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.
A mediunidade é
tão antiga quanto o homem, mas como o seu uso exige
discernimento, Moisés a proibiu no seio do seu povo por
precaução. É preciso expender os motivos que justificavam essa
proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador
hebreu queria que seu povo abandonasse todos os costumes
adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e
facilitavam abusos.
A proibição de
Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não se
originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para
com eles, sendo antes um recurso para adivinhações.
Repelir as
comunicações do além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de
instruir-se, já pela iniciação dos conhecimentos da vida futura,
já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem.
Síntese do
Assunto:
A comunicabilidade
dos Espíritos com os encarnados não é um fato recente, mas
antiqüíssimo, com a única diferença que no passado era apanágio
dos chamados iniciados e na atualidade, com o advento do
Espiritismo, tornou-se fenômeno generalizado a todas as camadas
sociais.
A possibilidade
dos Espíritos se comunicarem é uma questão muito bem
estabelecida, resultante de observações e experiências
rigorosamente realizadas por eminentes pesquisadores. Os
Espíritas não têm dúvidas a este respeito; porém, determinados
companheiros que abraçam correntes religiosas diferentes da
Doutrina Espírita, procuram criticá-la chamando a atenção, entre
outras coisas, sobre a proibição mosaica de evocar os mortos.
Na lei mosaica
está escrito: “Não vos virareis para os
adivinhadores e encantadores, não os busqueis, contaminando-vos
com eles: eu sou o Senhor vosso Deus”.
“Quando, pois,
algum homem ou mulher em si tiver um espírito adivinho, ou for
encantador, certamente morrerão; com pedras se apedrejarão; o
seu sangue é sobre eles”.
“Não achará em ti
quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem
adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro,
nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito
adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo
aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor, e por estas
abominações o Senhor teu Deus as lança tão fora de diante dele”.
Se a lei de Moisés
deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força é que o
seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no
tocante às evocações e má em outras de suas partes? Desde que
se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a
nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede
para a proibição de que tratamos.
Demais, é preciso
expender os motivos que justificavam essa proibição e que hoje
se anularam completamente. O legislador hebreu queria que o seu
povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as
evocações estiveram em uso e facilitavam abusos.
A proibição de
Moisés foi mais para conter um comércio grosseiro e prejudicial
com os desencarnados. Os israelitas necessitavam de uma ação
mais disciplinadora porque, além do mais, a evocação dos mortos
não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade
para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tanto
como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e
pela superstição.
Naquela época,
aliada à prática pura e simples de evocar os mortos, havia um
verdadeiro comércio com os adivinhadores associados às práticas
da magia e do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios
humanos. A proibição tinha, pois, razão de ser. Nos dias
atuais, o ser humano adquiriu novas conquistas, o progresso se
fez pelo predomínio da razão e, a prática do intercâmbio
espiritual ou mediúnico, defendida pelo Espiritismo, tem outras
finalidades: moralizadora, consoladora e religiosa.
A verdade é que o
Espiritismo condena tudo que motivou a interdição de Moisés; os
Espíritas não fazem sacrifícios humanos, não interrogam astros,
adivinhos e magos para informarem-se de alguma coisa, não usam
medalha, talismã, fórmulas sacramentais ou cabalísticas para
atrair ou afastar Espíritos.
O Espírita sincero
sabe que o futuro é vedado ao homem por princípio, e só em casos
raríssimos e excepcionais é que Deus faculta a sua revelação.
Se o homem conhecesse o futuro, por certo que negligenciaria o
presente e não agiria com a mesma liberdade.
A evocação dos
Espíritos Superiores exercida na prática tem o fito de receber
conselhos, de moralizar aqueles voltados para o mal e continuar
com as relações de amizade e amor entre entes queridos que
partilharam, ou não, a vivência reencarnatória.
Pelas orientações
instrutivas e altamente moralizadoras fornecidas pelos
benfeitores espirituais, pelo valioso aprendizado oferecido
pelos desencarnados sofredores, conclui-se que a prática
mediúnica é um fator de progresso humano pelos benefícios que
acarreta.
Sem dúvida,
poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de
perturbação da influência dos Espíritos inferiores e perversos,
que se sentem, então, impossibilitados de maior predomínio por
faltarem os vínculos para a necessária sintonia.
Repelir as comunicações de
além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já
pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos
exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos
ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os
Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se
da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é,
portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes
podemos e devemos dispensar.
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