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Objetivos
Específicos:
- Conceituar Céu e
Inferno de acordo com os ensinamentos espíritas.
- Explicar o
sentido de penas e recompensas com base no Código Penal da Vida
Futura (Allan Kardec, “O Céu e o Inferno”, 1ª. Parte – Cap. 7)
Idéias
Principais:
Nessa imensidade
ilimitada, onde está o Céu? Em toda parte. Nenhum contorno lhe
traça limites. Os mundos adiantados são as últimas estações do
seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.
O dogma da
eternidade absoluta das penas é incompatível com o progresso das
almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. Segundo a
Doutrina Espírita, o homem é o filho de suas obras, durante esta
vida e depois da morte, nada devendo ao favoritismo: Deus o
recompensa pelos esforços e pune pela negligência, isto tanto
tempo quanto nela persistir.
O código penal da
vida futura, de Allan Kardec, pode resumir-se nestes três
princípios:
1º. – O sofrimento
é inerente à imperfeição.
2º. – Toda
imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo
o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis.
3º. – Podendo todo
homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode
igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura
felicidade.
Justiça Divina
O conceito de Céu
e Inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina
Espírita. Não se traduz mais por regiões circunscritas de
beatífica felicidade ou de sofrimentos atrozes e eternos,
respectivamente.
De existência a
existência, entretanto, aprendemos hoje que a vida se espraia,
triunfante, em todos os domínios universais do sem-fim; que a
matéria assume estados diversos de fluidez e condensação; que os
mundos se multiplicam infinitamente no plano cósmico; que cada
Espírito permanece em determinado momento evolutivo, e que, por
isso, o Céu, em essência, é um estado de alma que varia conforme
a visão interior de cada um.
Inferno se pode
traduzir por uma vida de provações, extremamente dolorosa, com a
incerteza de haver outra melhor.
Portanto, a
felicidade ou infelicidade após a desencarnação, é inerente ao
grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito e, também, à
categoria do mundo que habita. As penas ou sofrimentos que cada
um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos
praticados. Não existe, pois, uma recompensa ou sofrimento
gratuito, obtido sem mérito, mas manifestado através da Lei de
Causa e Efeito.
A alma ou espírito
sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as
imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu
estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou
impureza.
A completa
felicidade prende-se à perfeição, isto é, a purificação completa
do espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de
sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda
perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimento.
Não há uma única
imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis
conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja
fonte de um gozo.
A soma das penas
é, assim, proporcional à soma das imperfeições, como a dos gozos
à das qualidades.
Em virtude da lei
do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o
bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau,
conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é
aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus
filhos, antes os recebe em seu seio, à medida que atingem a
perfeição, deixando a cada qual o mérito de suas obras.
O inferno está por
toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde
houver almas felizes.
A cada espírito
Deus faculta meios de melhoria, oferecendo em cada reencarnação
um planejamento coerente, de amor e justiça, onde cada um terá
chances de progredir e de expiar as faltas cometidas em
existências anteriores.
A expiação varia
segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a
mesma falta determinar expiações diversas, conforme as
circunstâncias atenuantes ou agravantes, em que for cometida.
O arrependimento,
conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta
por si só; são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento,
expiação e reparação constituem, portanto, as três condições
necessárias para apagar os traços de uma falta e suas
conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação,
abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a
reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a
causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma
anulação.
O arrependimento
pode dar-se por toda a parte e em qualquer tempo; se for tarde,
porém, o culpado sofre por mais tempo.
A reparação
consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito mal. Quem
não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou
má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com
as mesmas pessoas que de si tiveram queixas, e em condições
voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes
reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha
feito.
Compreendendo,
assim, o significado de penas e recompensas, devemos nos
esforçar para reparar as faltas cometidas em vidas anteriores e
aproveitar ao máximo a experiência na carne, buscando
incessantemente o progresso moral.
Toda conquista na
evolução é problema natural de trabalho, porque todo progresso
tem preço; no entanto, o problema crucial que o tempo nos impõe
é débito do passado, que a Lei nos apresenta à cobrança.
Retifiquemos a
estrada, corrigindo a nós mesmos.
Resgatemos nossas
dívidas, ajudando e servindo sem distinção.
Tarefa adiada é
luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será
juro de mora no mal de amanhã.
Concluindo, em que
pese à diversidade e gêneros e graus de sofrimento dos espíritos
imperfeitos, o código penal da vida futura, elaborado por Allan
Kardec com base nos ensinamentos dos Espíritos Superiores, pode
resumir-se nestes três princípios:
1º. – O sofrimento
é inerente à imperfeição;
2º. – Toda
imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo
o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis;
assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o
tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada
falta ou indivíduo;
3º. – Podendo todo
homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode
igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura
felicidade.
A cada um segundo as suas
obras, no Céu como na Terra – tal é a lei da Justiça Divina.
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