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Objetivos
Específicos:
- Estabelecer
relação entre livre-arbítrio e responsabilidade.
- Explicar a
manifestação do princípio de ação e reação (Lei de Causa e
Efeito).
- Conceituar
fatalidade.
Idéias
Principais:
- Se o homem tem a
liberdade de pensar, tem, igualmente, a de obrar. Sem o
livre-arbítrio, o homem seria máquina. Nas primeiras fases da
vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de
objeto com o desenvolvimento das faculdades.
- A liberdade é a
condição necessária da alma humana, que, sem ela, não poderia
construir seu destino.
- A liberdade e a
responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua
elevação; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e
moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um
joguete das forças ambientes – a noção de moralidade é
inseparável da de liberdade.
- De duas espécies
são as vicissitudes da vida, umas têm sua causa na vida
presente; outras, fora desta vida. Os sofrimentos devidos a
causas anteriores a existência presente, como os que originam de
culpas atuais, são muitas vezes a conseqüência da falta
cometida, isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça
distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros.
- Fatalidade
existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar,
desta ou daquela prova a sofrer.
O Princípio de
Ação e de Reação
A liberdade é a
condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia
construir seu destino.
Apesar da
liberdade do homem parecer, a primeira vista, muito restrita
pelas próprias condições físicas, sociais ou interesses de cada
um, na realidade, sempre podemos contornar tais obstáculos e
agir da maneira que mais nos pareça acertada.
A liberdade e a
responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua
elevação; é a responsabilidade do homem que faz suas dignidade e
moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que autômato, um
joguete das forças ambientais.
Quando resolvemos
fazer ou deixar de fazer alguma coisa, a nossa consciência
sempre nos alerta a respeito, aprovando-nos ou censurando-nos.
Apesar da voz íntima nos alertar, sempre usamos o que foi
decidido pela nossa vontade ou livre-arbítrio. Nada nos coage
nos momentos de decisões próprias, daí ser correto afirmar que
somos responsáveis pelos nossos atos. Somos os construtores do
nosso destino.
Livre-arbítrio é,
pois, definido como “a faculdade que ele tem de, entre duas ou
mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas
e fazer que prevaleça sobre as outras”.
Aceitar a vida
guiada por um determinismo onde todos os acontecimentos estão
fatalmente pré-estabelecidos é raciocinar de uma maneira muito
ingênua, senão simplória; porque, se assim fosse, o homem não
seria um ser pensante, batalhador, capaz de tomar resoluções e
de interferir no progresso; seria apenas uma máquina robotizada,
irresponsável, a mercê dos acontecimentos.
Fatalidade existe
unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta
ou daquela prova para sofrer.
O livre-arbítrio,
a livre vontade do Espírito, exerce-se principalmente na hora
das reencarnações. Escolhendo tal família, certo meio social,
ele sabe de antemão quais são as provações que o aguardam, mas
compreende, igualmente, a necessidade destas provações para
desenvolver suas qualidades, curar seus defeitos, despir seus
preconceitos e vícios. Estas provações podem ser também
conseqüências de um passado nefasto, que é preciso reparar, e
ele aceita-as com resignação e confiança.
O futuro
aparece-lhe, então, não em seus pormenores, mas em seus traços
mais salientes, isto é, na medida em que esse futuro é a
resultante de atos anteriores. Estes atos representam a parte
da fatalidade ou a “predestinação” que certos homens são levados
a ver em todas as vidas.
Na realidade, nada
há de fatal e, qualquer que seja o peso das responsabilidades em
que se tenha incorrido, pode-se sempre atenuar, modificar a
sorte com obras de dedicação, de bondade, de caridade, por um
longo sacrifício ao dever.
Os acontecimentos
diariamente observados na categoria de dores, que desarticulam o
modo de viver, antes tão feliz, ou sob forma de tragédias, que
produzem crises de angústia e de desespero, a doença que chega
sem avisar, abatendo o ânimo e a coragem, as decepções com
amigos ou as esperanças frustradas, a pobreza material a
retratar-se na desnutrição, na orfandade, nos assaltos, tanta
coisa a se traduzir como aflições e infortúnios, poderá levar o
homem que desconhece as verdades espirituais, à loucura ou ao
suicídio. Por isso, a Doutrina Espírita vem esclarecer que “de
duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem,
promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir;
umas têm sua causa na vida presente, outras fora desta vida”.
Remontando-se à
origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitas são
conseqüência natural do caráter e do proceder dos que os
suportam.
Quantos homens
caem por sua própria culpa! Quantos são vitimas de sua
imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se
arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder,
ou por não terem sabido limitar seus desejos!
Quantas doenças e
enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo o
gênero!
Quantos pais são
infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o
princípio as más tendências!
A quem, então, há
de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si
mesmo? O homem, pois, em grande numero de casos, é o causador
de seus próprios infortúnios!
No entanto,
sabemos que existem males que correm sem que o homem tenha
diretamente culpa. São dores que têm origem em atos praticados
noutras existências. Tal, por exemplo, a perda de entes
queridos e a dos que são o amparo da família. Tais, ainda, os
acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da
fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela
prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença,
sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a
vida pelo trabalho; as deformidades, a idiotia, o cretinismo,
etc.
Os que nascem
nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual
para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam
evitar.
Não resta a menor
dúvida que constituímos hoje, o produto das experiências vividas
no passado. Não há sofrimento sem uma causa e efeito, ou ação e
reação, que regem o nosso destino porque, se somos livres na
semeadura, seremos escravos da colheita.
Deus nos permite,
pelo livre-arbítrio, a responsabilidade de praticar o bem ou o
mal, porém, a partir do momento que decidimos o que fazer, esta
ação gera uma reação característica, que virá mais tarde sob a
forma de colheita.
Assim se explicam pela
pluralidade das existências e pela destinação da Terra, como
mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da
ventura e da desventura entre os bons e os maus neste planeta.
Fonte: O
Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec
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