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Objetivos
Específicos:
-Dar o significado espírita de
perdão.
-Citar e caracterizar as três
condições necessárias à reparação de uma falta cometida.
Idéias
Principais:
-Há, porém, duas maneiras bem
diferentes de perdoar: uma grande, nobre, verdadeiramente
generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza,
ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda
quando este último nenhuma justificativa possa ter; a segunda é
a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro
condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que
irrita, em vez de acalmar.
-O arrependimento, expiação e
reparação constituem, portanto, as três condições necessárias
para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O
arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela
esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo,
pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o
perdão seria uma graça, não uma anulação.
Síntese do
Assunto:
Muito freqüentemente
interpretamos o perdão como sendo simples tão de virtude e
generosidade, em auxilio do ofensor, que passaria a contar com a
absoluta magnanimidade da vítima.
Urge perceber, no entanto, que,
quando conseguimos desculpar o erro ou provocação de alguém
contra nós, exoneramos o mal de qualquer compromisso para
conosco, ao mesmo tempo em que nos desvencilhamos de todos os
laços suscetíveis de apresar-nos a ele.
A mágoa retida é doença para o
espírito, que lhe corrói as forças físicas e envenena a alma. É
necessário, para a própria paz, ante qualquer ofensa, perdoar
sempre.
Evidentemente, não aquele
perdão proveniente apenas dos lábios, a se traduzir por mera
fórmula social. O ato de perdoar deve ser um ato carregado de
sentimento; deve ser puro, pois que proveniente do coração. É,
sobretudo, uma forma de reconciliação. É necessário perdoar
incessantemente, por isto Jesus disse a Pedro (Mateus, 18:15,
21,22) que não se deveria perdoar apenas sete vezes, mas setenta
vezes sete.
Há, porém, duas maneiras bem
diferentes de perdoar: uma grande, nobre, verdadeiramente
generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza,
ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda
quando este último nenhuma justificativa possa ter; a segunda é
a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga impõe ao outro
condições humilhantes e lha faz sentir o peso de um perdão que
irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o
faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a
toda gente: vede como sou generoso! Nessas circunstâncias, é
impossível uma reconciliação sincera de parte a parte. Não, não
há aí generosidade; há apenas uma forma de satisfazer ao
orgulho.
No convívio familiar somos,
constantemente, chamados a perdoar. Isto porque estamos diante
de antigos desafetos de outras experiências reencarnatórias, a
se apresentar hoje, sob a forma de cônjuges, filhos ou
familiares próximos. Precisamos muito mais de perdão, dentro de
casa, que na arena social, e muito mais de apoio recíproco no
ambiente em que somos chamados a servir, que nas avenidas
rumorosas do mundo.
Em auxílio a nós mesmos, todos
necessitamos cultivar compreensão e apoio construtivo, no amparo
sistemático a familiares, chefes e subalternos, clientes e
associados, respeito constante à vida particular dos amigos
íntimos, tolerância para os entes amados, com paciência e olvido
diante de quaisquer ofensas que assaltem os corações.
Assim agindo, teremos condições
de entender o perdão de Deus para com todos nós. Ele perdoa
concedendo ao devedor ou culpado prazo ilimitado, e
facultando-lhes meios e possibilidades de resgatar o débito.
Ora, que mais pode desejar um
devedor honesto e probo?
Seria, acaso, preferível que
Deus dispensasse os devedores do pagamento de suas dívidas?
Certamente que não, por dois
motivos ponderáveis.
Primeiro, porque é muito mais
digno e nobre, para o devedor, pagar o seu débito do que se
eximir desse dever por complacência, misericórdia ou compaixão
do credor. Outra razão não menos digna de nota é a seguinte: na
luta empregada para reparar a culpa cometida, o espírito
desenvolve seus poderes de maneira que, no fim da refrega, se
sente com suas faculdades aumentadas e, não raro, desdobradas em
novas capacidades.
Deus está sempre disposto a nos
perdoar e, a sua maneira de perdoar consiste em conceder prazo
largo e, ao mesmo tempo, proporcionar ao devedor todas as
possibilidades e meios de pagamento.
Devemos, porém, compreender que
o perdão não é uma graça concedida por Deus. Há necessidade de
uma atitude sincera e efetiva de arrependimento com a
conseqüente rogativa do perdão.
O arrependimento é o
reconhecimento verdadeiro pelo próprio infrator do mal ou erro
cometido. É a confissão íntima e contrita da violação das leis
morais, revelando-se não só pela insatisfação do ato, como o
empenho de repará-lo e não mais incidir no mesmo cometimento.
O arrependimento sempre se
manifesta na consciência em débito para com a vida.
A princípio, ei-lo como
lembrança da falta cometida de que já se não supunha existir
qualquer sinal; posteriormente, a recordação do momento infeliz
que se estabelece; mais tarde, a idéia rediviva dominante e por
fim a obsessão do remorso, avassaladora.
O arrependimento, conquanto
seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só;
são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e
reparação constituem, portanto, as três condições necessárias
para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O
arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela
esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo,
pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o
perdão seria uma graça, não uma anulação.
O arrependimento pode dar-se
por toda a parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o
culpado sofre por mais tempo.
Respondem os espíritos a Kardec
que o arrependimento é o de desejar o arrependido uma nova
encarnação para se purificar. O espírito compreende as
imperfeições que o privam de ser feliz e por isso aspira uma
nova existência em que possa expiar suas faltas.
A concessão renovadora para o
infrator, traduzindo o perdão divino, somente se efetiva com a
aceitação da programação cármica, pelo perdoado.
A expiação se cumpre durante a
existência corporal, mediante as provas a que o espírito se acha
submetido, ou vida espiritual pelos sofrimentos morais,
inerentes ao estado de inferioridade do espírito.
Após a expiação dos erros
passados, vem, finalmente, o resgate. A reparação consiste em
fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara
os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade,
achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas
pessoas que de si tiveram queixas, e em condições
voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes
reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha
feito. Praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto
é, tornando-se humilde se tem sido orgulhoso, amável se foi
austero, caridoso se se tem sido egoísta, benigno se foi
perverso, laborioso se foi ocioso, útil se se tem sido inútil,
frugal se foi intemperante, trocando em suma, por bons os maus
exemplos perpetrados. E desse modo progride o espírito,
aproveitando-se do próprio passado.
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