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Idéias
Principais
A união da alma ao corpo começa na concepção, mas só é
completa por ocasião do nascimento.
A partir do instante da concepção, começa o espírito a ser
tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento
de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de
contínuo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é quase
idêntico ao de um espírito encarnado durante o sono.
Para nos melhorarmos, dá-nos Deus exatamente o que nos é
necessário e basta: a voz da consciência e os pendores
instintivos. Priva-nos do que nos prejudicaria. Acrescentemos
que, se nos recordássemos dos nossos precedentes atos pessoais,
igualmente nos recordaríamos dos dos outros homens, do que
resultariam talvez os mais desastrosos efeitos para as relações
pessoais.
Síntese do
Assunto
Deus criou os espíritos simples e ignorantes, isto é, tendo
tanta aptidão para o bem quanto para o mal. O destino de todos é
a perfeição espiritual e, para atingi-la, devem passar por
experiências e adquirir conhecimentos, fortalecendo-se no
exercício do bem e desenvolvendo em si o amor sublime.
A vida na matéria propicia o aperfeiçoamento do espírito.
Ao assumir um corpo, ou seja, ao encarnar, os espíritos são
submetidos a situações e provas necessárias ao seu adiantamento
moral. Quando erram e não atingem os objetivos propostos em
determinada encarnação, voltam a sofrer as vicissitudes da vida
corporal, reencarnando em tarefa expiatória. A vida na matéria
possibilita, ainda, a cooperação de cada espírito com a Obra
Divina, no mundo em que habita.
Como todos os fenômenos da vida, a encarnação está sujeita
a leis imutáveis. Os processos de encarnação, embora obedecendo
aos princípios gerais estabelecidos pelas leis divinas, variam
de caso para caso.
A união da alma ao corpo é planejada previamente, tendo
como principal determinante, no nosso Orbe, as provas ou
expiações pelas quais o espírito deverá passar, com o objetivo
de sua redenção. O encarnante poderá cooperar ou trabalhar
ativamente nesse planejamento. De acordo com o grau evolutivo
em que se encontre, o espírito poderá facilitar ou dificultar o
processo do renascimento. Os que se detêm no desamor e no
desequilíbrio reclamam cooperação muito maior dos benfeitores
que se encarregam das tarefas de renascimento. Os espíritos
rebeldes ou indiferentes têm sua encarnação completamente a
cargo dos trabalhadores divinos, que escolhem as condições sob
as quais deverão renascer e as experiências a que deverão se
submeter. A maioria dos que retornam à existência corporal na
esfera do globo é magnetizada pelos benfeitores espirituais, que
lhe organizam novas tarefas redentoras. Muitos encarnam em
estado de inconsciência.
Os processos de encarnação são operações graduais:
iniciam-se na concepção e se completam no nascimento. A união
da alma com o corpo efetua-se por meio do perispírito,
envoltório fluídico, que servirá de ligação entre o espírito e a
matéria. Em mecanismo extremamente variado e complexo, quer
pela ação do próprio reencarnante, quer pela ação dos
benfeitores espirituais, o perispírito é reduzido, condensado e
se assimila às moléculas materiais.
O perispírito torna-se um molde fluídico que age sobre o
corpo em formação, juntamente com as condicionantes
hereditárias, a influência mental materna e a atuação dos
benfeitores que colaboram no processo reencarnatório.
A modelagem fetal e o desenvolvimento do embrião obedecem a
leis físicas naturais, qual ocorre na organização de formas em
outros reinos da natureza, mas, em todos esses fenômenos, os
ascendentes de cooperação espiritual coexistem com as leis de
acordo com os planos de evolução ou resgate. Pelas necessidades
de expiação ou de provas, o corpo em formação poderá apresentar
deficiências ou qualidades, que se constituirão em oportunidades
de redenção ou reequilíbrio.
No período que se estende da concepção ao nascimento, o
estado de encarnante assemelha-se ao do espírito encarnado
durante o sono. Os espíritos mais evoluídos gozam de maior
liberdade. Contudo, desde o momento da concepção, o espírito
sente as conseqüências de sua nova condição. Começa a se sentir
perturbado. Uma espécie de torpor, agonia e abatimento o
envolvem gradualmente intensificando-se até o término da vida
intra-uterina. Suas faculdades vão-se velando uma após outra, a
memória desaparece, a consciência fica adormecida e o espírito
como que é sepultado em opressa crisálida. Esse fenômeno se
deve à constrição do perispírito e à sua limitação pelo corpo,
que fazem com que a existência no Plano Espiritual e a
consciência das vidas pregressas volvam ao inconsciente.
O esquecimento do passado não é absoluto. Durante o sono,
libertado parcialmente dos laços corporais, o espírito pode ter
a consciência do pretérito. Em muitas pessoas, o passado
manifesta-se sob a forma de impressões e em algumas poucas sob a
forma de recordações, umas nítidas, outras vagas e imprecisas.
As reminiscências do passado podem manifestar-se com tendências
instintivas, simpatias inexplicáveis e súbitas, idéias inatas,
etc. Isso acontece pelo fato de que o movimento vibratório do
invólucro perispiritual, amortecido pela matéria no decurso da
vida atual, é excessivamente fraco para que o graus de
intensidade e a duração necessária à renovação dessas
recordações possam ser obtidos durante a vigília.
A oclusão da memória espiritual também não é definitiva.
Com a desencarnação, liberto das contingências materiais, o
espírito poderá retomar a consciência de seu passado.
Esse mecanismo, que faz com que o homem possa esquecer suas
experiências anteriores ao nascimento, é prova irrefutável da
sabedoria divina. O conhecimento total da vida passada, em
outras encarnações e no plano espiritual, apresentaria grandes
inconvenientes para a reeducação dos indivíduos e para o
progresso da humanidade. Implicaria em maiores dificuldades ao
espírito na tarefa de transformação de sua herança mental e
talvez do prolongamento, através dos séculos, de idéias falsas,
teorias errôneas e preconceitos, que geralmente são tanto mais
ativos quanto mais presentes na memória do ser.
Na sua vida de relações, o homem teria de conviver com
antigos adversários, com o objetivo da reconciliação. Se os
reconhecesse, encontraria dificuldades para estabelecer os
vínculos afetivos necessários ao entendimento mútuo. Na
qualidade de ofensor poderia se sentir humilhado e, na qualidade
de ofendido, magoado e irado.
Por outro lado, o conhecimento de um passado de miséria ou
de erros terríveis poderia causar desnecessária humilhação e
talvez o remorso viesse a paralisar todas as iniciativas do bem.
Para que o homem progrida espiritualmente e cumpra o
programa de trabalho que assumiu ao renascer no corpo físico,
não é necessário a lembrança das experiências anteriores. Na
forma de intuições e impressões, o espírito encarnado tem por
advertência, a não reincidir no erro, as lições do passado
impressas na própria consciência, bem como as boas resoluções
que tomou no sentido de sua melhoria interior.
As tendências instintivas e, em alguns casos, o tipo de
vicissitudes e provas que sofre também podem esclarecer o homem
sobre seu passado e sobre a natureza dos esforços que tem de
envidar para sua evolução. A observação de suas más inclinações
e das dificuldades por que passa permitirá que saiba o que foi,
o que fez e o que necessitará fazer para se corrigir.
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