|
Idéias
principais:
A ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já
está morto, o que a ciência demonstra ser materialmente
impossível. A reencarnação é a volta da alma ou espírito à vida
corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e
que nada tem de comum com o antigo.
Sob o nome de ressurreição, o principio da reencarnação era
ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que
Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue
que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo.
A encarnação nos diferentes mundos do universo guarda
relação com o grau evolutivo de tais mundos. No entanto, a bem
dizer, a encarnação carece de limites precisamente traçados, se
tivermos em vista apenas o envoltório que constitui o corpo do
espírito, dado que a materialidade desse envoltório diminui à
proporção que o espírito se purifica. Em certos mundos mais
adiantados do que a Terra, já ele é menos compacto, menos pesado
e menos grosseiro e, por conseguinte, menos sujeito a
vicissitudes.
Síntese do
Assunto
REENCARNAÇÃO
A alma,
depois de residir temporariamente no espaço, renasce na condição
humana, trazendo consigo a herança, boa ou má, do seu passado;
reaparece na cena terrestre para pagar as dívidas que contraiu,
conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a
ascensão, acelerar a marcha para a frente.
A lei dos
renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade.
Não se pode
compreender que o espírito, destinado à perfeição, consiga
realizar toda sorte de progresso numa só existência física. Os
próprios fatos do dia-a-dia rejeitam tal idéia.
Devemos ver na pluralidade das vidas da alma, a condição
necessária de sua educação e de seus progressos. É à custa dos
próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela
se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se
eleva, de degrau em degrau, a caminho das inúmeras habitações do
universo.
Cada um leva para outra vida e traz, ao nascer, a semente
do passado. Somos hoje o resultado das experiências vividas no
passado, como seremos amanhã, o produto das nossas ações de
hoje.
Nem todas as almas têm a mesma idade, nem todas subiram com
o mesmo passo seus estágios evolutivos. Umas percorreram uma
carreira imensa e aproximaram-se já do apogeu dos progressos
terrestres; outras mal começaram o seu ciclo de evolução no seio
das humanidades. Estas são as almas jovens, emanadas há menos
tempo do Foco Eterno. Chegadas à humanidade, tomarão lugar entre
os povos selvagens ou entre as raças bárbaras que povoam os
continentes atrasados, as regiões deserdadas do Globo. E,
quando, afinal, penetram em nossas civilizações ainda facilmente
se deixam reconhecer pela falta de desembaraço, de jeito, pela
sua incapacidade para todas as coisas e, principalmente, pelas
suas paixões violentas.
Assim, no encadeamento das nossas estações terrestres,
continua e completa-se a obra grandiosa de nossa educação, o
moroso edificar de nossa individualidade, de nossa personalidade
moral. É por essa razão que a alma tem de encarnar
sucessivamente nos meios mais diversos, em todas as condições
sociais, é passando alternadamente pelas vidas de pobreza ou
riqueza, pelas experiências de renúncias e de trabalho, que irá
compreendendo a transitoriedade dos bens materiais e
desenvolvendo valores espirituais superiores. São necessárias as
existências de estudos, as missões de dedicação, de caridade,
por via das quais se ilustra a inteligência e o coração se
enriquece com a aquisição de novas qualidades; virão depois as
vidas de sacrifício pela família, pela pátria,pela humanidade.
Ocorrerão, por certo, existências onde o trabalho e o egoísmo
serão abafados através de provas dolorosas de resgate do passado
de erros.
Assim se define, pois, a pluralidade das existências, ou
reencarnação, ou palingenesia. É uma lei natural, necessária ao
aperfeiçoamento humano.
A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o
nome de ressurreição. Só os Saduceus (seita judia, formada por
volta do ano 248 A.C, fundada por Sadoc), cuja crença era a de
que tudo acaba com a morte, não acreditava nisso.
Os judeus não tinham idéias precisas a respeito do
mecanismo da ligação da alma ao corpo e mesmo sobre a
imortalidade do Espírito.
Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem
saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se.
Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais
judiciosamente, chama de reencarnação. Com efeito, a
ressurreição dá idéia de voltar á vida o corpo que já está
morto, o que a ciência demonstra ser materialmente impossível,
sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde
muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da
alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo
especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o
antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se à Lazaro,
mas não a Elias, nem aos outros profetas.
A idéia de que João Batista era o espírito de Elias
reencarnado, tornou-se tão firme nos discípulos de Jesus, que
não admitiam absolutamente dúvida a respeito. E é de notar que o
Senhor não dissuadiu seus discípulos deste pensamento: ao
contrário, confirmou-o, categoricamente: “Se vós quereis
compreender, João Batista é o Elias que há de vir”.
Não há, pois, dúvidas de que, sob o nome de ressurreição, o
princípio da reencarnação era ponte de uma das crenças
fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas
confirmaram de modo formal, donde se segue que negar a
reencarnação é negar as palavras do Cristo.
A encarnação, tal como ocorre na Terra, é a mesma que se
observa nos mundos inferiores. Nos mundos superiores, onde só
imperam os sentimentos de fraternidade e estando os seus
habitantes livres das paixões grosseiras que ocorrem em mundos
atrasados, os espíritos gozam de uma encarnação bem mais feliz e
nenhum temor têm da morte.
A duração
da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o
grau de superioridade física e moral de cada um, o que é
perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos
sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o
espírito, menos paixões a dominá-lo. É essa ainda uma graça da
Providencia, que desse modo abrevia os sofrimentos.
|