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Idéias
Principais:
Há mundos
particularmente destinados aos seres errantes, mundos que podem
servir de habitação temporária. São, entre outros mundos,
posições intermediárias, graduadas de acordo com a natureza dos
espíritos que a eles podem ter acesso e onde eles gozam de maior
ou menor bem-estar.
Os que vão a tais
mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais
facilmente obter permissão para passar a outros lugares melhores
e chegar à perfeição que os eleitos atingem.
As regiões
espirituais, também denominadas zonas, colônias ou esferas,
correspondem às coletividades desencarnadas existentes nos
planos dos espíritos e vinculados a este ou àquele planeta.
Síntese do
Assunto
No capítulo 06, de
O Livro dos Espíritos, intitulado ‘Da Vida Espírita’, existem
três questões (234, 235 e 236) que se referem aos mundos
transitórios assim especificados:
São mundos
particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes
podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques
(acampamentos provisórios), de campos onde descansem de uma
demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto
penoso. São, entre outros mundos, posições intermediárias,
graduadas de acordo com a natureza dos espíritos que a eles
podem ter acesso e onde eles gozem de maior ou menor bem-estar.
Os mundos
transitórios não se prestam à encarnação de seres corpóreos
porque estéril é neles a superfície. Os que os habitam de nada
precisam. E mesmo esta esterilidade é igualmente transitória. A
Terra, por exemplo, já foi mundo transitório durante a sua
formação. Hoje, é classificada como planeta de expiações e de
provas, prestando-se, portanto, à encarnação e reencarnação de
espíritos necessitados de passagem pelas vicissitudes que o
planeta oferece. Circunvizinhando a Terra, no plano extra-fisico,
existem regiões ou esferas espirituais de diferentes graus
evolutivos, caracterizando-se desde simples postos a verdadeiras
cidades espirituais. Essas se dividem gradativamente em lugares
de sofrimento e ignorância, até aqueles onde os espíritos, em
estado de maior entendimento são felizes. Considerando a
penitência em sua feição expiatória, existem numerosos lugares
de provações na esfera para vós invisível, destinados à
regeneração e preparo de entidades perversas ou renitentes no
crime, a fim de conhecerem as primeiras manifestações do remorso
e do arrependimento, etapas iniciais da obra de redenção. Estas
fazem parte das chamadas zonas inferiores.
A série “André
Luiz” nos esclarece a respeito destas diversas regiões
espirituais. Na obra “Libertação”, capítulo 4, há referência
sobre uma cidade situada “no vasto domínio das trevas” limítrofe
com a Terra, assim descrita por André Luiz:
A claridade
solar jazia diferençada.
Fumo cinzento
cobria o céu em toda sua extensão.
A volitação
fácil se fizera impossível.
A vegetação
exibia aspecto sinistro e angustiado. As árvores não se vestiam
de folhagem farta e os galhos, quase secos, dava a idéia de
braços erguidos em súplicas dolorosas.
Aves
agoureiras, de grande tamanho, de uma espécie que poderá ser
situada entre os corvídeos, crocitavam em surdina, semelhando-se
a pequenos monstros alados espiando presas ocultas.
O que mais
contristava, porém, não era o quadro desolador, mais ou menos
semelhante a outros do meu conhecimento, e, sim, os apelos
cortantes que provinham dos charcos. Gemidos tipicamente humanos
eram pronunciados em todos os tons.
No livro “No Mundo
Maior”, da mesma série, André Luiz nos traz notícias sobre uma
organização de assistência em zona intermediária atendendo a
estudantes relativamente espiritualizados, mas ainda jungidos ao
círculo carnal, e a discípulos recém-libertos do campo físico:
A enorme
instituição regurgitava de almas situadas entre as esferas
inferiores e as superiores, gente com imensidão de problemas e
de indagações de toda a espécie.
No livro “Voltei”,
do Irmão Jacob, o autor nos fala sobre uma colônia espiritual
situada em esferas mais elevadas: A estrada que percorríamos
marginava-se de flores, algumas delas como que talhadas em
radiosa substancia, o que convertia a paisagem numa cópia do
firmamento. Árvores próximas pareciam cobertas de estrelas. A
que país, afinal, fora eu arrebatado pela morte? Teria subido a
Terra até o céu ou teria o céu baixado para a Terra? Vi
desdobrar-se ante meus olhos enlevados a paisagem florida e
brilhante de um burgo feliz. Atravessávamos extensas e formosas
avenidas marginadas por vegetação caprichosa, quando tive o
contentamento de ver alguns pássaros marcados por peregrina
beleza. Cantavam, extáticos, glorificando a divindade.
Seriam os mundos
transitórios, que a respeito deles tão pouco os Espíritos
Superiores falaram a Kardec, estas mesmas colônias ou regiões
espirituais de que André Luiz nos fala? É evidente que tais
locais são destinados aos espíritos desencarnados, ainda
necessitados de reencarnações (portanto, espíritos errantes) e,
intimamente ligados ao nosso planeta pelas ações cometidas no
pretérito. O fato de os Espíritos, que fizeram “O Livro dos
Espíritos”, ter afirmado que a Terra foi um mundo transitório na
sua formação planetária levou a Kardec dizer que: “Assim,
durante a dilatada sucessão dos séculos que se passaram antes do
aparecimento do homem na Terra, durante os lentos períodos de
transição que as camadas geológicas atestam, antes mesmo da
formação dos primeiros seres orgânicos, naquela massa informe,
naquele árido caos, onde os elementos se achavam em confusão,
não havia ausência de vida. Seres isentos das nossas
necessidades, das nossas sensações físicas, lá encontravam
refúgio. Quis Deus que, mesmo assim, ainda imperfeita, a Terra
servisse para alguma coisa. Quem ousaria afirmar que, entre os
milhares de mundos que giram na imensidade, um só, um dos
menores, perdido no seio da multidão infinita deles, goza do
privilégio exclusivo de ser povoado? Qual então a utilidade dos
demais? Tê-los-ia Deus feito unicamente para nos recrearem a
vista? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que
esplende em todas suas obras e inadmissível desde que
ponderemos na existência de todos os que não podemos perceber.
Ninguém contestará que, nesta idéia da existência de mundos
ainda impróprios para a vida material e, não obstante, já
povoados de seres vivos apropriados a tal meio, há qualquer
coisa de grande e sublime, em que talvez se encontre a solução
de mais um problema.”
Diante dessas
afirmações e da compreensão de que os espíritos das regiões
espirituais em limites com a Terra necessitam voltar novamente
ou encarnar pela primeira vez no nosso planeta, as colônias
espirituais, descritas por André Luiz, não nos parecem ser os
mesmos mundos transitórios anunciados em O Livro dos Espíritos.
Parece-nos que a
obra “O Pensamento de Emmanuel” reforça esta nossa suposição
quando diz: “Podemos conceituar de três maneiras, para efeito de
estudo, a palavra moradas, mencionada nos Evangelhos”:
a) os
mundos que formam o Universo, onde outras humanidades realizam a
marcha evolutiva;
b) as
diversas zonas espirituais superiores ou inferiores, alem das
fronteiras físicas, onde a vida palpita com a mesma intensidade
das metrópoles humanas;
c) os
vários departamentos da mente, onde se demoram pensamentos e
reações, dramas e tragédias, anseios e realidades do espírito.
Ninguém poderá
imaginar quantos mundos realmente existem habitados; mas, nenhum
espírita coloca em dúvida que inúmeras humanidades vivem nesses
mundos, felizes uns; infelizes, outros.
Os departamentos
da mente são, a nosso ver, outras tantas “moradias individuais”,
como repositórios das reações mais ou menos felizes das
inteligências encarnadas ou desencarnadas.
No que toca às
diversas regiões espirituais, sabemos que comunidades redimidas
habitam zonas mais elevadas da espiritualidade, às quais
obreiros dedicados são periodicamente conduzidos em processo
estimulante do esforço pessoal.
Em faixas
vibratórias mais ligadas a Terra, estacionam, temporariamente,
almas ainda vinculadas às sensações perispirituais, apresentando
certa densidade, não lhes permitindo as grandes ascensões.
Esses mundos, como
o nome indica, não teriam a superfície física eternamente
estéril; como tudo no Universo evolui, ele e os espíritos são
submetidos à Lei do Progresso. Os espíritos que se encontram
nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir.
Figurai-os como bandos de aves que pousam numa ilha, para aí
aguardarem que se lhes refaçam as forças, a fim de seguirem seus
destinos.
Concluímos,
dizendo que os mundos transitórios possivelmente fazem parte dos
corpos celestes, espalhados pelo Universo, podendo ser um
planeta, um satélite ou algo similar.
Já regiões espirituais,
também denominadas zonas, colônias ou esferas, correspondem às
coletividades desencarnadas existentes nos planos dos espíritos
e vinculadas a este ou àquele planeta.
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