O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
As Leis Morais
Lei de Liberdade
Liberdade de Pensar - Liberdade de Consciência

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

Idéias Principais:

No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como lhe pôr peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo.

Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é fazê-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.

Um povo só é verdadeiramente livre, digno de liberdade, se aprendeu a obedecer a essa lei interna, lei moral, eterna e imutável, que não emana nem do poder de uma casta, nem da vontade das multidões, mas de um Poder mais alto.

 

Síntese do Assunto:

A liberdade de pensamento, como a de agir, constitui atributos essenciais do espírito, outorgados por Deus ao criá-lo.

A liberdade de pensar é sempre limitada, porquanto ninguém pode domar o pensamento alheio, aprisionando-o; assim ensinam os espíritos ao responderem a questão 833 de “O Livro dos Espíritos”, esclarecendo que “no pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias; pode-se-lhe deter o vôo, porém não aniquilá-lo”. Quando muito, ainda pela inferioridade e imperfeição de nossa civilização, tenta-se conter a manifestação exterior do pensamento, ou seja, a liberdade de expressão.

Se há algo que escapa a qualquer opressão é a liberdade de pensamento. Somente por ela pode o homem gozar de liberdade absoluta. Ninguém consegue aprisionar o pensamento de outrem, embora possa entravar-lhe a liberdade de exprimi-lo.

Pela ação da lei do progresso, a liberdade, em todas as suas modalidades, evolui, especialmente a liberdade de expressar o pensamento, pois atualmente já não vivemos na época do crer ou morrer, como acontecia nos tempos da Inquisição ou Santo Oficio.

Na verdade, de século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange à inviolabilidade do foro íntimo.

Evidencia-se bem distinta a liberdade de pensar e de agir, pois enquanto a primeira se exerce com maior amplidão, sem barreiras, a última padece de extensas e profundas limitações.

Apesar de a liberdade de pensar ser ilimitada, ela depende do grau evolutivo de cada espírito, na sua capacidade de irradiação e de discernimento. À medida que um espírito progride, desenvolve-se-lhe o senso de responsabilidade sobre seus atos e pensamentos.

Qualquer oposição exercida sobre a liberdade de uma pessoa é sinal de atraso espiritual. Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é fazê-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.

A toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subtenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.

Desde que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem, incide-se em crime de cerceamento daquele direito.

Graças a isso, o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, a prisão sem barras em que expungirá mais tarde, mediante o impositivo da reencarnação, ou as asas de luz para a perene harmonia.

O limite de nossa liberdade está, portanto, determinado onde começa a do próximo. Em todas as relações sociais, em nossas relações com os nossos semelhantes, é preciso nos lembremos constantemente disto: Os homens são viajantes em marcha, ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Por conseguinte, nada devemos exigir, nada devemos esperar deles, que não esteja em relação com seu grau de adiantamento.

Logo, o espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis universais, que lhe são externas, se tornem internas e conscientes pelo próprio fato de sua evolução; no dia em que ele se penetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações, terá atingido o ponto moral em que o homem se possui, domina e governa a si mesmo.

Daí em diante, já não precisará do constrangimento e da autoridade sociais para corrigir-se. E dá-se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. Um povo só é verdadeiramente livre, digno da liberdade, se aprendeu a obedecer a lei interna, lei moral, e terna e universal, que não emana nem do poder de uma casta, nem da vontade das multidões, mas de um poder mais alto. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo, as liberdades não passam de um logro; tem-se a aparência, mas não os costumes de um povo livre.

Tudo o que se eleva para a luz, eleva-se para a liberdade.

 

Denis, Leon – “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”.

O pensamento, dizíamos, é criador. Não atua somente em roda de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós: gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura. Modelamos nossa alma e seu invólucro com os nossos pensamentos; estes produzem formas, imagens que se imprimem na matéria sutil de que o corpo fluídico é, composto. Assim, pouco a pouco, nosso ser povoa-se de formas frívolas ou austeras, graciosas ou terríveis, grosseiras ou sublimes; a alma se enobrece, embeleza ou cria uma atmosfera de fealdade. Segundo o ideal a que visa, a chama interior aviva-se ou obscurece-se.

A fiscalização dos pensamentos implica a fiscalização dos atos, porque, se uns são bons, os outros sê-lo-ão igualmente, e todo o nosso procedimento achar-se-á regulado por uma concatenação harmônica. Ao passo que, se nossos atos são bons e nossos pensamentos maus, apenas haverá uma falsa aparência do bem e continuaremos a trazer em nós um foco malfazejo, cujas influências, mais cedo ou mais tarde, derramar-se-ão fatalmente sobre nossa vida.

 

Calligaris, Rodolfo – “As Leis Morais”.

A Lei da Liberdade.

O homem tem, por natureza, dono de si mesmo, isto é, o direito de fazer tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao desenvolvimento de sua vida.

Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sê-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esses mesmos direitos em cada um de seus semelhantes.

Isto posto, todo e qualquer costume, que tome uma pessoa completamente sujeita a outra, constitui uma iniqüidade contrária à lei de Deus.

Durante muito tempo aceitou-se, como justa, a escravização dos povos vencidos em guerras, assim como foi permitido, pelos códigos terrenos, que homens de certas raças fossem caçados e vendidos quais bestas de carga, na falsa suposição de que eram seres inferiores e, talvez, nem fossem nossos irmãos em humanidade.

Coube ao Cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie de homens e que, mais ou menos puros e elevados eles o são, não pela cor da epiderme ou do sangue, mas pelo espírito, isto é, pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos. Felizmente, de há muito que a escravatura foi abolida e, com ela, o privilégio que tinha o senhor de poder maltratar impunemente o escravo, ou mesmo matá-lo, se assim lhe aprouvesse.

Agora, todos somos cidadãos, podendo dispor, livremente, de nossos destinos.

A liberdade de pensamento e a consciência, por se inscreverem, também, entre os direitos naturais do homem, conquanto padeçam, ainda, aqui e acolá, certas restrições e repressões, vêm alcançando, igualmente, notáveis progressos.

De século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange à inviolabilidade do for íntimo.

O sistema do “crê ou morre”, que alguns retrógrados desejariam ver restabelecido, está definitivamente superado e não voltará jamais, de jeito algum.

Vingam e viçam, hoje, idéias bem diferentes.

Nas dissensões religiosas, as chamas das fogueiras foram substituídas pelas luzes do esclarecimento, e na catequese filosófica ou política, estejamos certos, daqui para o futuro, buscar-se-á empregar, cada vez mais, a força da persuasão ao invés da imposição pela força.

Sinais evidentes desta evolução, temo-los: a) na orientação que os dois últimos Papas, João XXIII e Paulo VI, deram à Igreja Católica, inclinando-se ao liberalismo e à tolerância, como o provam as decisões tomadas no Concílio Ecumênico recentemente encerrado, entre elas, a extinção do famigerado “Index Librorum Prohibitorium”, ou seja, o rol dos livros proibidos pela Congregação do Santo Oficio, no qual eram incluídas todas as obras que, embora edificantes, infirmassem ou contradissessem a sua doutrina, e b) na linha adotada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ao optar pela propaganda ideológica como o meio mais eficaz de atrair os povos para o socialismo, em lugar da conquista pelas armas, como o fazia até alguns anos.

Sem dúvida, estamos ainda muito distantes de uma vivência mundial de integral respeito às liberdades humanas; todavia, já as aceitamos como um ideal a ser atingido, e isso é um grande passo, pois tal concordância há de levar-nos, mais dia, menos dia, a esse estado de paz e de felicidade a que todos aspiramos.

 

Franco, Divaldo Pereira – “Leis Morais da Vida”.

Intrinsecamente livre criado para a vida feliz, o homem traz, no entanto, ínsitos na própria consciência, os limites da sua liberdade.

Jamais devendo constituir tropeço na senda por onde avança o seu próximo, é-lhe vedada a exploração de outras vidas sob qualquer argumentação, das quais subtrairia o direito de liberdade.

Sem dúvida, centenas de milhões de seres transitam pela infância espiritual, na Terra, sem as condições básicas para o autodiscernimento e a própria condução. Apesar disso, a ninguém é lícito aproveitar-se da circunstância, a fim de coagir e submeter os que seguem na retaguarda do progresso, antes competindo aos melhores dotados e mais avançados distender-lhes as mãos, em generosa oferenda de auxilio com que os educarão, preparando-os para o avanço e o crescimento.

Liberdade legítima decorre da legítima responsabilidade, não podendo aquela triunfar sem esta.

A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais, que são questão matriz fomentadora dos lídimos direitos humanos.

Pela lei natural, todos os seres possuem direitos, que, todavia, não escusam a ninguém dos respectivos contributos que decorrem do seu uso.

A toda a criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo. Desde que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem, incide-se em crime passível de cerceamento daquele direito, seja por parte das leis humanas, sem dúvida nenhuma através da Justiça Divina.

Graças a isso, o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, a prisão sem barras em que expungirá mais tarde, mediante o impositivo da reencarnação, ou as asas de luz para a perene harmonia.