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Idéias
Principais
Há duas espécies
de progresso, que uma a outra se prestam mútuo apoio, mas que,
no entanto, não marcham lado a lado: o progresso intelectual e o
progresso moral.
O progresso moral
nem sempre acompanha o progresso intelectual. Decorre deste, mas
nem sempre o segue imediatamente.
O Espírito
progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso não se
efetua simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período
da sua existência, ele se adianta em ciência; durante outro, em
moralidade.
Os maiores
obstáculos ao progresso são o orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao
progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre.
Síntese do
Assunto
Marcha do
Progresso
O progresso pode
ser comparado ao amanhecer. Mesmo demorando aparentemente
culmina por lograr êxito.
A ignorância,
travestida pela força e iludida pela falsa cultura, não poucas
vezes se há levantado, objetivando criar embaraços ao
desenvolvimento dos homens e dos povos.
Inevitavelmente
ele chega, altera a face e a constituição do que encontra pela
frente e desdobra recursos, fomentando a beleza, a
tranqüilidade, o conforto, a dita.
Esta é a marcha do
progresso: inexoravelmente erguerá o homem do solo das
imperfeições, em que ainda se detém, para a sua gloriosa
destinação: a perfeição.
Há dois tipos de
progresso: o intelectual e o moral; o homem se desenvolve por si
mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e
do mesmo modo: dá-se então que os mais adiantados auxiliam o
progresso dos outros, por meio do contato social.
O progresso moral
nem sempre acompanha o progresso intelectual. Geralmente os
indivíduos e os povos adquirem maior progresso cientifico e,
mais lentamente, se moralizam. Com o aumento do discernimento
entre o bem e o mal, pelo desenvolvimento do livre-arbítrio,
cresce no ser humano a noção de responsabilidade no pensar,
falar e agir. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da
inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.
O desenvolvimento
intelectual não implica a necessidade do bem. Um Espírito
superior em inteligência pode ser mau. Isso se dá com aquele que
muito tem vivido sem se melhorar: apenas sabe. Por isto
encontramos entre nações tecnicamente adiantadas tantas
injustiças sociais: falta a moralização dos seus componentes
humanos.
Somente o
progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra,
refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que
entre os homens reine a concórdia, a paz, a fraternidade.
No século em que
vivemos, houve grandes avanços nos diversos campos do
conhecimento humano, mas o progresso moral se acha muito aquém
do fabuloso progresso intelectual na que chegou, e daí porque
prevalece, em nossos dias, uma ciência sem consciência,
valendo-se, não poucos, de suas aquisições culturais, apenas
para a prática do mal.
Mais cedo ou mais
tarde os resultados do mau uso do livre-arbítrio e da
inteligência recairão sobre os homens, através da lei de causa e
efeito e, trabalhados pela dor, os homens ganharão experiências
e entendimento para se equilibrarem e continuarem suas jornadas
evolutivas.
O amor e o
conhecimento são as asas harmoniosas para o progresso do homem e
dos povos, progresso que, não obstante as paixões nefastas ainda
predominantes na natureza animal do homem, será impossível de
não ser alcançado.
Os maiores obstáculos à
marcha do progresso moral são, sem sombra de dúvidas, o orgulho
e o egoísmo. À primeira vista, parece mesmo que o progresso
intelectual reduplica a atividade daqueles vícios, desenvolvendo
a ambição e o gosto das riquezas, que, a seu turno, incitam o
homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espírito.
Assim é que tudo se prende, no mundo moral, como no mundo
físico, e que do próprio mal pode nascer o bem. Curta, porém, é
a duração desse estado de coisas, que mudará à proporção que o
homem compreender melhor que, além da que o gozo dos bens
terrenos proporciona, uma felicidade existe maior e
infinitamente mais duradoura.
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