|
Idéias
Principais:
Preciso é que tudo
se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais
destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a
renovação e melhoria dos seres vivos.
Para se
alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem,
destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do
equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e
utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a
destruição.
Toda destruição
que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de
Deus.
O homem teme,
instintivamente, a morte. Deus lhe deu o instinto de
conservação, instinto que o sustenta nas provas. A não ser
assim, ele muito frequentemente se entregaria ao desânimo. A voz
íntima que o induz a repelir a morte, lhe diz que ainda pode
realizar alguma coisa pelo seu progresso.
Síntese do
Assunto:
A destruição
recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das
que, à primeira vista, menos parecem conciliar-se com a bondade
de Deus. Pergunta-se por que lhes criou Ele a necessidade de
mutuamente se destruírem, para se alimentarem uns à custa dos
outros.
Para aquele que
enxerga apenas a matéria, que limita sua visão à vida presente,
isto parece, com efeito, uma imperfeição na obra divina. É que,
em geral, os homens julgam a perfeição de Deus pelo seu ponto de
vista; sua própria opinião é a medida de sua sabedoria, e pensam
que Deus não poderia fazer melhor do que eles próprios o fazem.
Como sua vista curta não lhes permite julgar o conjunto, não
compreendem que, de um mal aparente, pode resultar um bem real.
O conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua
verdadeira essência, e da grande lei de unidade, que constitui a
harmonia da Criação, é o único que pode dar ao homem a chave
desse mistério, e, mostrar-lhe a sabedoria providencial e a
harmonia, precisamente onde não via senão uma anomalia e uma
contradição.
Uma primeira
utilidade, que se apresenta, desta destruição – utilidade
puramente física, é verdade – é esta: os corpos orgânicos não se
mantêm senão por meio de matérias orgânicas, sendo estas
matérias as únicas que contêm os elementos nutritivos
necessários à sua transformação. Como os corpos, instrumentos da
ação do princípio inteligente, têm necessidade de ser
incessantemente renovados, a Providência os faz servir para sua
manutenção mútua; é por esse motivo que o corpo se nutre do
corpo, mas o Espírito não é nem destruído, nem alterado; apenas
se despoja de seu envoltório.
Há, além disso,
considerações morais de ordem elevada.
É necessária a
luta para o desenvolvimento do Espírito. Na luta é que ele
exercita suas faculdades. O que ataca em busca de alimento e o
que se defende para conservar a vida usam de habilidade e
inteligência, aumentando, em conseqüência, suas forças
intelectuais. Um dos dois sucumbe; mas, em realidade, o que foi
que o mais forte ou o mais destro tirou ao mais fraco? A veste
de carne, nada mais; ulteriormente, o Espírito, que não morreu,
tomará outra.
Nos seres
inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o senso
moral, em os quais a inteligência ainda não substitui o
instinto, a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de
uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas
necessidades é a da alimentação. Eles, pois, lutam unicamente
para viver, isto é, para fazer ou defender uma presa, visto que
nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. É nesse primeiro
período que a alma se elabora e ensaia para a vida.
Sob outro prisma,
ao se destruírem uns aos outros, pela necessidade de se
alimentarem, os seres infra-humanos mantêm o equilíbrio na
reprodução, impedindo-a de tornar-se excessiva, contribuindo,
ainda, com seus despojos, para uma infinidade de aplicações
úteis à Humanidade.
Restringindo o
exame desta questão apenas ao procedimento do homem, que é o que
mais nos interessa, aprendemos com a Doutrina Espírita que a
matança de animais, bárbara sem dúvida, foi, é e será por mais
algum tempo necessária aqui na Terra, devido às suas grosseiras
condições de existência. À medida, porém, que os terrícolas se
depurem, sobrepondo o espírito à matéria, o uso de alimentação
carnívora será cada vez menor, até desaparecer definitivamente,
qual se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
Aprendemos, mais,
que em seu estado atual o homem só é escusado (da
responsabilidade) dessa destruição na medida em que tenha de
prover ao seu sustento e garantir a sua segurança. Fora disso,
quando, por exemplo, se empenha em caçadas pelo simples prazer
de destruir, ou em esportes mortíferos, como touradas, ou tiro
aos pombos, etc., terá que prestar contas a Deus por esse abuso,
que revela, aliás, predominância dos maus instintos.
O temor da morte é
um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do
instinto de conservação comum a todos os viventes.
Assim é que, nos
povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde
tornada simples esperança e, finalmente, uma certeza apenas
atenuada por secreto apego à vida corporal.
À proporção que o
homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui;
uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim,
calma, resignada e serenamente.
Para libertar-se
do temor da morte é mister poder encará-la sob o seu verdadeiro
ponto de vista, isto é, ter penetrado pelo pensamento no mundo
espiritual, fazendo dele uma idéia tão exata quanto possível, o
que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual
desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria.
No Espírito
atrasado a vida material prevalece sobre a espiritual.
Apegando-se às aparências, o homem não distingue a vida além do
corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado aquele,
tudo se lhe afigura perdido, desesperador.
O temor da morte
decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora
denote também a necessidade de viver e o receio da destruição
total, igualmente estimula secreto anseio pela sobrevivência da
alma, velado ainda pela incerteza.
Esse temor
decresce, à proporção que a certeza aumenta, e desaparece quando
esta é completa.
|