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Idéias
Principais:
Os flagelos
destruidores são de dois tipos: os naturais e os provocados
pelos homens.
Na primeira linha
dos flagelos destruidores, naturais e independestes do homem,
devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as
intempéries fatais às produções da terra. Não tem, porém, o
homem encontrado na Ciência, nas obras de arte, no
aperfeiçoamento da agricultura, nos afolhamentos e nas
irrigações, no estudo das condições higiênicas, meios de
impedir, ou, quando menos, de atenuar muitos desastres? Que não
fará o homem pelo seu bem estar material quando souber aliar o
sentimento de verdadeira caridade para com os seus semelhantes?
Deus fere a
Humanidade com flagelos destruidores para fazê-la progredir mais
depressa...
O homem é impelido
à guerra pela predominância da natureza animal sobre a natureza
espiritual e transbordamento das paixões...
A Providência
torna necessária a guerra objetivando a liberdade e o
progresso...
Síntese do
Assunto:
Tudo que vive
neste mundo, natureza, animal, homem, sofre e, todavia, o amor é
lei do Universo e por amor foi que Deus formou os seres.
Contradição aparentemente horrível, problema angustioso, que
perturbou tantos pensadores e os levou à dúvida e ao pessimismo.
O animal está
sujeito à luta ardente pela vida. Entre as ervas do prado, as
folhas e a ramaria dos bosques, nos ares, no seio das águas, e
por toda a parte desenrolam-se dramas ignorados.
Quanto à
Humanidade, sua história não é mais que um longo martirológio.
Através dos tempos, por cima dos séculos, rola a triste melopéia
dos sofrimentos humanos.
A dor segue todos
os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho. E
diante desta esfinge que o fita com seu olhar estranho, o homem
faz a eterna pergunta: Por que existe a dor?
Fundamentalmente
considerada, a dor é uma lei de equilíbrio e educação... Neste
sentido, os flagelos destruidores são permitidos por Deus para
que a Humanidade possa progredir mais depressa. Aliás, a palavra
flagelo geralmente é interpretada como algo prejudicial, quando,
na realidade, representa o meio pelo qual as transformações
necessárias ao progresso humano se realizam mais rapidamente.
É bem verdade que
existem outros processos, menos rigorosos, para fazerem os
homens progredir e Deus os emprega todos os dias, pois deu a
cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal.
O homem, porém, não se aproveita desses meios. Necessário,
portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se
faça sentir a sua fraqueza.
E com o abatimento
do orgulho, a Humanidade se transforma, como já se transformou
noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise
que é, para o gênero humano, o que são, para os indivíduos, as
crises de crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas,
dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições,
mas são sempre seguidas de uma fase de progresso material e
moral. Quando os flagelos naturais, tais como cataclismos,
enchestes, fome, epidemias de doenças e de pragas em plantações,
a seca, os terremotos e maremotos, as erupções vulcânicas, os
ciclones, etc., se abatem sobre a Humanidade, muitos se revoltam
contra Deus, perdendo oportunidades valiosas de compreender o
significado de tais acontecimentos.
A Lei do Carma ou
de Causa e Efeito exerce sua influência inelutável não só sobre
os homens, individualmente, como também sobre os grupos sociais.
Assim, por
exemplo, quando uma família, nação ou raça busca algo que lhe
traga maiores satisfações, esforça-se por melhorar suas
condições de vida ou adota medidas que visem acelerar o seu
desenvolvimento, sem prejudicar ou fazer mal a outrem, está
contribuindo, de alguma forma, para a evolução da Humanidade, e
isso é bom. Receberá, então, novas e mais amplas oportunidades
de trabalho e progresso, conduzindo os elementos que a
constituem a níveis cada vez mais elevados.
Se, porém, procede
ao contrário, mais cedo ou mais tarde sofrerá a perda de tudo
aquilo que adquiriu injustamente, em circunstâncias mais ou
menos trágicas e aflitivas, segundo o grau de malicia e
crueldade que lhe tenha caracterizado as ações.
É assim que, mais
tarde em outras existências planetárias, são chamados a
expiações coletivas ou individuais, sob a forma de flagelos
destruidores.
Acontece, porém,
que muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida
que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo
conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas.
Contudo, entre os males que afligem a Humanidade, alguns há de
caráter geral, que estão nos decretos da Providência e dos quais
cada indivíduo recebe, mais ou menos, o contragolpe. A esses
nada pode o homem opor, a não ser a sua submissão à vontade de
Deus. Esses mesmos males, entretanto, ele muitas vezes os agrava
pela sua negligência.
Na primeira linha
dos flagelos destruidores, naturais e independentes do homem,
devem ser colocados a peste, a fome, as inundações, as
intempéries fatais às produções da terra.
Enfrentado esses
flagelos, o homem é impulsionado por força da necessidade,
buscando soluções para se libertar do mal que o ataca. É por
isso que a dor torna-se um processo, um meio de equilíbrio e
educação, como assinalamos acima.
Mesmo as guerras,
que nada mais representam do que a “predominância da natureza
animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das
paixões”, geram a liberdade e o progresso da Humanidade.
Deus permite que haja a
guerra e todas as suas funestas conseqüências, para que o homem,
ao contato com a dor, se liberte, por um lado, do seu passado de
erros, e burile, por outro, as tendências más que ainda o fazem
manter-se em atraso moral.
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