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Idéias
Principais:
Não fora possível que Deus criasse para o homem a necessidade de
viver, sem lhe dar os meios de consegui-lo. Essa a razão por que
faz que a Terra produza de modo a proporcionar o necessário aos
que a habitam, visto que só o necessário é útil. O supérfluo
nunca o é.
Graças aos
louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a Ciência não
cessam de despender para melhorar a condição material dos homens
e mau grado ao crescimento incessante das populações, a
insuficiência da produção se acha atenuada, pelo menos em grande
parte, e os anos mais calamitosos do presente não se podem de
modo algum comparar aos de outrora.
Síntese do
Assunto:
O Necessário e o
Supérfluo
Todos têm que
concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por
isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver, já que a vida
é essencial ao aperfeiçoamento dos seres.
Ao lado da
necessidade de viver, Deus deu, também, ao homem, os meios para
suprir esta necessidade. Essa a razão por que faz que a Terra
produza de modo a proporcionar o necessário aos que a habitam,
visto que só o necessário é útil. O supérfluo nunca o é.
No entanto, em
suas experiências evolutivas, os homens passam, muitas vezes,
por privações e situações difíceis, nas quais lhes falta até
mesmo o essencial á sobrevivência. Devemos considerar que tal
situação extrema geralmente ocorre por imprevidência do homem. A
terra produziria sempre o necessário, se com o necessário
soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta
a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que
poderia ser aplicado no necessário. Olha o árabe no deserto.
Acha sempre do que viver, porque não cria para si necessidades
fictícias. Desde que haja desperdiçado a metade dos produtos em
satisfazer fantasias, que motivos tem o homem para se espantar
de nada encontrar no dia seguinte e para se queixar de estar
desprovido de tudo, quando chegam os dias de penúria. Em verdade
vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe
regrar o seu viver.
Se é certo que a
civilização multiplica as necessidades, também o é que
multiplica as fontes de trabalho e os meios de viver. A
desgraça, para muitos, provém de enveredarem por uma senda
diversa da que a Natureza lhes traça. É então que lhes falece a
inteligência para o bom êxito. Para todos há lugar ao sol, mas
com a condição de que cada um ocupe o seu e não o dos outros. A
Natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização
social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio.
Vários são os
meios empregados pelo homem para preservar o ampliar o seu
bem-estar social. Mesmo que para muitos pareça que não tem
havido progresso, o certo é que a Humanidade tem evoluído.
Graças aos louváveis esforços que, juntas, a Filantropia e a
Ciência não cessam de despender para melhorar a condição
material dos homens, e mau grado ao crescimento incessante das
populações, a insuficiência da produção se acha atenuada, pelo
menos em grande parte, e os anos mais calamitosos do presente
não se podem de modo algum comparar aos de outrora. A higiene
pública, elemento tão essencial da força e da saúde, a higiene
pública, que nossos pais não conheceram, é objeto de esclarecida
solicitude. Por toda a parte a Ciência contribui para
acrescentar o bem-estar.
Nada tem de
absoluto o limite entre o necessário e o supérfluo. A
civilização criou necessidades que o selvagem desconhece. Tudo é
relativo, cabendo à razão regrar as coisas. A civilização
desenvolve o senso moral e, ao mesmo tempo, o sentimento de
caridade, que leva os homens a se prestarem mútuo apoio.
O gosto pelo
supérfluo é, assim, prejudicial ao homem. Os desregramentos que
provoca fazem com que a natureza animal tenha preponderância
sobre a natureza espiritual. Nessas condições, o atrativo dos
bens materiais também funciona como prova para o espírito que
vivencia as oportunidades do mundo físico. Para bem conduzir-se
na esfera carnal, o homem deve conhecer o limite entre o
necessário e o supérfluo. Algumas pessoas ainda requerem
seguidas experiências e grande esforço para adquirir esse
conhecimento. Outras o têm por intuição das conquistas
efetivadas em vidas pregressas.
Deve ser
esclarecido, a esse respeito, que o limite do necessário não é
exato e absoluto, pois, em realidade, é relativo às condições de
vida proporcionadas pelos avanços da Civilização, que criam
novas necessidades. Pode-se dizer, contudo, que são essenciais
aos homens todos os bens de relevância para sua sobrevivência,
para que desfrutem de relativo conforto e possam participar da
vivência social. São supérfluos todos os bens que servem a
outras finalidades, tais como o luxo e a satisfação do orgulho,
assim como os que acumulados, improdutivos, nas mãos de poucos,
fazem falta a muitos.
Cabe, portanto, ao
individuo, às instituições e aos Governos desenvolver esforços
no sentido de estender a todos, sem exceção, os benefícios
decorrentes da melhoria do padrão de vida humano, originados dos
progressos da Civilização, de modo a atenuar as desigualdades
sociais.
Para garantir o
cumprimento dessa tarefa, assegurando o bem-estar a todos os
homens, são necessários investimentos nos setores da saúde,
alimentação, habitação, acesso aos meios de comunicação e, em
especial, educação compreendida em seu sentido mais amplo de
formação intelectual, social, moral e espiritual do ser. As
conquistas da Ciência e do conhecimento humano, como um todo,
possibilitarão à Humanidade ampliar o bem-estar social.
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