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Idéias
Principais:
Há privações voluntárias que são meritórias, porque desprende da
matéria o homem e lhe eleva a alma. Meritório é resistir à
tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis; é
o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem
do bastante.
Permitido é ao
homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde.
A alimentação
animal não é contrária à lei da Natureza porque, dada a
constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o
homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever,
que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do
trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a
sua organização.
Síntese do
Assunto: Privações Voluntárias
A palavra privação, ato ou efeito de privar-se tem o sentido de
“Despojar” desapossar alguém de alguma coisa; destituir, tolher,
fraudar. Já privação voluntária consiste em renúncia consciente
a bens, favores, gozos, felicidades ou direitos a que se tem
acesso ou posse natural e legítima; mas a verdadeira privação
voluntária é a que se dá em beneficio do próximo, quer para
auxiliá-lo materialmente, quer espiritualmente. Há grande mérito
quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem do próximo,
porquanto é a caridade pelo sacrifício.
Porém é
compreensível que mesmo a privação voluntária tenha um limite.
Pelo que vos respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas
que Deus vos manda e não lhes aumenteis o volume, já de si por
vezes tão pesado; aceitá-las sem queixumes e com fé, eis tudo o
que de vós exige Ele. Não enfraqueçais o vosso corpo com
privações inúteis e macerações sem objetivos, pois que
necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa
missão de trabalhar na Terra. Torturar e martirizar
voluntariamente o vosso corpo é contravir à lei de Deus, que vos
dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquecê-lo sem
necessidade é um verdadeiro suicídio.
Existem privações
voluntárias que, no entanto, são meritórias ao progresso
individual. É o caso, por exemplo, daquela pessoa que se priva
dos prazeres do mundo para auxiliar o próximo. Pelo seu
trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de
seus talentos, forma recursos para realizar seus generosos
propósitos. Estas privações são meritórias por haver a privação
de gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe
eleva a alma. Meritório é resistir à tentação que arrasta ao
excesso, ao gozo das coisas inúteis, é o homem tirar do que lhe
é necessário para dar aos que carecem do bastante. Se a privação
não passar de simulacro, será uma irrisão.
Daí, concluímos:
são inúteis as privações ascéticas que observamos em vários
religiosos. Com relação a isso os Espíritos Superiores nos
falam: “Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta;
se somente serve para quem a pratica e o impede de fazer o bem,
é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de
colori-la. Privar a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a
verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã”.
É notório que
muitas pessoas quando passam a apreender um certo conhecimento
espiritual começam a abstenção de certos alimentos,
principalmente a carne, por compreenderem ser um comportamento
contrário a lei da Natureza. A pergunta 723 de O Livro dos
Espíritos traz respostas a este assunto: “Dada a vossa
constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o
homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever,
que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do
trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a
sua organização”.
Porém, Emmanuel
nos alerta: “A ingestão das vísceras dos animais é um erro de
enormes conseqüências, do qual derivam numerosos vícios da
nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo
porque, se o estado de materialidade da criatura exige a
cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos
podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a
necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos”.
Não há contradição na resposta dada pelos Espíritos a Kardec, e
na de Emmanuel. Entre Kardec e os dias atuais, medeiam-se mais
de cem anos. Na época da Codificação, talvez não fosse possível
dar outra resposta senão aquela. Há que considerar, também, o
grau de evolução da Humanidade de hoje e a do século passado. À
medida que o homem vai progredindo, moral e intelectualmente,
passa a ter horror ao sacrifício dos animais, mesmo para a sua
alimentação. O descobrimento de novas técnicas de produção, o
aperfeiçoamento das existentes, culmina por fazerem desaparecer,
gradativamente, os matadouros e os frigoríficos. Hoje em dia, os
recursos do solo, com o aperfeiçoamento da agricultura, são
inumeráveis. Nas viagens espaciais, por exemplo, os astronautas
alimentam-se de substâncias condensadas em forma de cápsulas,
possuidoras de todos os nutrientes necessários à sobrevivência.
Na época de
Kardec, não havia um indústria farmacêutica, como a existente
hoje, capaz de produzir vitaminas, proteínas e tantas outras
substâncias necessárias não só à sobrevivência humana e animal,
como também no combate às doenças.
Por isso que, à
medida que progredimos que nos espiritualizamos, já não sentimos
tanta necessidade dos despojos sangrentos dos animais.
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