O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
As Leis Morais
Lei de Conservação
Privações Voluntárias

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

Idéias Principais:
Há privações voluntárias que são meritórias, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma. Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante.

Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde.

A alimentação animal não é contrária à lei da Natureza porque, dada a constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização.

Síntese do Assunto: Privações Voluntárias
A palavra privação, ato ou efeito de privar-se tem o sentido de “Despojar” desapossar alguém de alguma coisa; destituir, tolher, fraudar. Já privação voluntária consiste em renúncia consciente a bens, favores, gozos, felicidades ou direitos a que se tem acesso ou posse natural e legítima; mas a verdadeira privação voluntária é a que se dá em beneficio do próximo, quer para auxiliá-lo materialmente, quer espiritualmente. Há grande mérito quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício.

Porém é compreensível que mesmo a privação voluntária tenha um limite. Pelo que vos respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos manda e não lhes aumenteis o volume, já de si por vezes tão pesado; aceitá-las sem queixumes e com fé, eis tudo o que de vós exige Ele. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem objetivos, pois que necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa missão de trabalhar na Terra. Torturar e martirizar voluntariamente o vosso corpo é contravir à lei de Deus, que vos dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquecê-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio.

Existem privações voluntárias que, no entanto, são meritórias ao progresso individual. É o caso, por exemplo, daquela pessoa que se priva dos prazeres do mundo para auxiliar o próximo. Pelo seu trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos, forma recursos para realizar seus generosos propósitos. Estas privações são meritórias por haver a privação de gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma. Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso, ao gozo das coisas inúteis, é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. Se a privação não passar de simulacro, será uma irrisão.

Daí, concluímos: são inúteis as privações ascéticas que observamos em vários religiosos. Com relação a isso os Espíritos Superiores nos falam: “Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta; se somente serve para quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã”.

É notório que muitas pessoas quando passam a apreender um certo conhecimento espiritual começam a abstenção de certos alimentos, principalmente a carne, por compreenderem ser um comportamento contrário a lei da Natureza. A pergunta 723 de O Livro dos Espíritos traz respostas a este assunto: “Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização”.

Porém, Emmanuel nos alerta: “A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes conseqüências, do qual derivam numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos”.
Não há contradição na resposta dada pelos Espíritos a Kardec, e na de Emmanuel. Entre Kardec e os dias atuais, medeiam-se mais de cem anos. Na época da Codificação, talvez não fosse possível dar outra resposta senão aquela. Há que considerar, também, o grau de evolução da Humanidade de hoje e a do século passado. À medida que o homem vai progredindo, moral e intelectualmente, passa a ter horror ao sacrifício dos animais, mesmo para a sua alimentação. O descobrimento de novas técnicas de produção, o aperfeiçoamento das existentes, culmina por fazerem desaparecer, gradativamente, os matadouros e os frigoríficos. Hoje em dia, os recursos do solo, com o aperfeiçoamento da agricultura, são inumeráveis. Nas viagens espaciais, por exemplo, os astronautas alimentam-se de substâncias condensadas em forma de cápsulas, possuidoras de todos os nutrientes necessários à sobrevivência.

Na época de Kardec, não havia um indústria farmacêutica, como a existente hoje, capaz de produzir vitaminas, proteínas e tantas outras substâncias necessárias não só à sobrevivência humana e animal, como também no combate às doenças.

Por isso que, à medida que progredimos que nos espiritualizamos, já não sentimos tanta necessidade dos despojos sangrentos dos animais.