O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Lei de Igualdade
Desigualdade das Riquezas: As Provas da Riqueza e da Miséria

Autor:
FEB

Fonte:
Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - FEB

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Baseado em Publicação da FEB

   

Idéias Principais:
A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder.

A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus”.

Síntese do Assunto:

A igualdade das riquezas não é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.

Os homens não são iguais. Uns são mais previdentes, outros menos; uns mais egoístas, outros menos; uns mais inteligentes, ativos e trabalhadores, outros menos. Logo, se fosse a riqueza repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; supondo-a possível e durável (a repartição dos bens), tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; admitido se desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.

Deus concedeu as provas da riqueza a uns, e da pobreza a outros, para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.

Uma das provas mais difíceis é a da pobreza, quanto o é da riqueza. Na primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta. Na segunda, a do abuso dos bens da vida, deturpando-lhes os augustos objetivos.

Espíritos realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de Causa e Efeito, podem solicitar a prova da pobreza, como oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou realização de tarefas.

Algumas vezes, o mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a pedir a condição oposta, com o que espera ressarcir abusos cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações, para as quais não se sinta convenientemente forte.

O livre-arbítrio do homem pode levá-lo à pobreza, sem que se evoquem precedentes espirituais, causas ligadas ao pretérito, como, por exemplo, a falta de estimulo para enfrentar os problemas da vida, preguiça, a imprevidência, que são fatores que podem conduzir o homem ao estado de dificuldades econômicas.

A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.

Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a da miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual.

Quando Jesus disse: “É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus” (Mateus, 19:24), estava se referindo aos males, às tentações a que a riqueza pode conduzir o homem. É errôneo interpretar que o rico não alcança a perfeição; não foi o que Jesus anunciou. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.

Pela riqueza pode o homem melhorar a situação material do Planeta onde vive, melhorar a produção através da relação entre os povos; criar maiores e melhores recursos sociais através do estudo, pesquisa e trabalho. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.

A riqueza favorece as maiores tentações, por isso ser difícil ao rico o acesso ao reino dos céus, mas não impossível, pois ele dispõe de inúmeros meios de fazer o bem. Mas, é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. É por esses fatos que a prova da riqueza, apesar de tão difícil quanto a da pobreza, é mais perigosa para o progresso moral do homem.