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Idéias
Principais:
A alta posição do homem neste mundo e o ter autoridade sobre os
seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como
a desgraça, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto
mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os
meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o
pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens
e ao seu poder.
A riqueza e o
poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e
nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus
disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo
por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus”.
Síntese do
Assunto:
A igualdade das
riquezas não é possível. A isso se opõe a diversidade das
faculdades e dos caracteres.
Os homens não são
iguais. Uns são mais previdentes, outros menos; uns mais
egoístas, outros menos; uns mais inteligentes, ativos e
trabalhadores, outros menos. Logo, se fosse a riqueza repartida
com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente
que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco
tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das
aptidões; supondo-a possível e durável (a repartição dos bens),
tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o
aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o
progresso e para o bem-estar da Humanidade; admitido se desse
ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele
os homens às descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a
concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em
quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
Deus concedeu as
provas da riqueza a uns, e da pobreza a outros, para
experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis,
essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que
nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.
Uma das provas
mais difíceis é a da pobreza, quanto o é da riqueza. Na
primeira, pode sofrer o Espírito a tentação da revolta. Na
segunda, a do abuso dos bens da vida, deturpando-lhes os
augustos objetivos.
Espíritos
realmente evoluídos, ou simplesmente esclarecidos sobre a Lei de
Causa e Efeito, podem solicitar a prova da pobreza, como
oportunidade para o acrisolamento de qualidades ou realização de
tarefas.
Algumas vezes, o
mau uso da riqueza, em precedente existência, leva o Espírito a
pedir a condição oposta, com o que espera ressarcir abusos
cometidos e pôr-se a salvo de novas tentações, para as quais não
se sinta convenientemente forte.
O livre-arbítrio
do homem pode levá-lo à pobreza, sem que se evoquem precedentes
espirituais, causas ligadas ao pretérito, como, por exemplo, a
falta de estimulo para enfrentar os problemas da vida, preguiça,
a imprevidência, que são fatores que podem conduzir o homem ao
estado de dificuldades econômicas.
A pobreza é, para
os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza
é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.
Se a riqueza
houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a
possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de
Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito,
Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um
instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna
à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas
tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza
constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a da
miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida
sensual.
Quando Jesus
disse: “É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma
agulha, do que entrar um rico no reino dos céus” (Mateus,
19:24), estava se referindo aos males, às tentações a que a
riqueza pode conduzir o homem. É errôneo interpretar que o rico
não alcança a perfeição; não foi o que Jesus anunciou. Se a
riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria
posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não
é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação,
poderoso elemento de progresso intelectual.
Pela riqueza pode
o homem melhorar a situação material do Planeta onde vive,
melhorar a produção através da relação entre os povos; criar
maiores e melhores recursos sociais através do estudo, pesquisa
e trabalho. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de
progresso.
A riqueza favorece
as maiores tentações, por isso ser difícil ao rico o acesso ao
reino dos céus, mas não impossível, pois ele dispõe de inúmeros
meios de fazer o bem. Mas, é justamente o que nem sempre faz.
Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. É por esses fatos que
a prova da riqueza, apesar de tão difícil quanto a da pobreza, é
mais perigosa para o progresso moral do homem.
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