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Idéias
Principais:
(...) Mas, se o
celibato, em si mesmo, não é um estado meritório, outro tanto
não se dá quando constitui, pela renúncia às alegrias da
família, um sacrifício praticado em prol da Humanidade. Todo
sacrifício pessoal, tendo em vista o bem e sem qualquer idéia
egoísta, eleva o homem acima da sua condição material.
A poligamia é lei
cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as
vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se
unem. Na poligamia não há afeição real: apenas sensualidade.
Síntese do
Assunto:
O casamento, isto
é, a união permanente de dois seres é um progresso na marcha da
Humanidade. Já a poligamia é lei cuja abolição marca um
progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem
que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não
há afeição real: há apenas sensualidade.
Se a poligamia
fosse conforme a lei da Natureza, devera ter possibilidade de
tornar-se universal, o que seria materialmente impossível, dada
a igualdade numérica dos sexos. Deve ser considerada como um uso
ou legislação especial apropriada a certos costumes e que o
aperfeiçoamento social fez que desaparecesse pouco a pouco.
A construção da
felicidade real não depende do instinto satisfeito. A permuta de
células sexuais entre os seres encarnados, garantindo a
continuidade das formas físicas em processo evolucionário, é
apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. Importa
reconhecer que o intercambio de forças simpáticas, de fluidos
combinados, de vibrações sintonizadas entre almas que se amam,
paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto,
sustentando obras imperecíveis de vida e de luz, nas ilimitadas
esferas do Universo.
Apesar de, nos
dias atuais, existirem povos que ainda adotam a poligamia, como
as populações muçulmanas do Norte da África e grande parte dos
asiáticos, a tendência, por força do progresso moral, é a total
abolição dessa prática.
O casamento ou a
união permanente de dois seres, como é óbvio, implica o regime
de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no
campo da assistência mútua.
Essa união reflete
as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma
esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para
outro coração ou vice-versa, na criação e desenvolvimento de
valores para a vida.
Entre a poligamia
e a monogamia, existe uma distância muito grande, e a conquista
desta última revela inegavelmente um poderoso passo evolutivo da
Humanidade na área dos sentimentos.
A vida a dois,
pelos laços do matrimônio, enseja oportunidade de progresso,
pois a constituição do lar não só permite a reencarnação dos
Espíritos e, consequentemente, resgate de faltas do passado,
como representa a célula da família universal, unidade primeira
da educação espiritual.
Devemos
considerar, porém, que existem pessoas que deliberadamente optam
pelo celibato. Abstinência em matéria de sexo e celibato, na
vida de relação, pressupõe experiências da criatura em duas
faixas essenciais, a daqueles Espíritos que escolhem semelhantes
posições voluntariamente para burilamento ou serviço, no curso
de determinada reencarnação, e a daqueles outros que se vêem
forçados a adotá-las, por força de inibições diversas.
Os que conseguem
abster-se da comunhão afetiva, com o fim de se fazerem mais
úteis ao próximo, decerto que traçam a si mesmos escaladas mais
rápidas aos cimos do aperfeiçoamento.
Almas existem que,
para obterem as sagradas realizações de Deus em si próprias,
entregam-se a labores de renúncia em existência de santificada
abnegação.
Nesse mister, é
comum abdicarem transitoriamente as ligações humanas, de modo a
acrisolarem os seus afetos e sentimentos em vida de ascetismo e
de longas disciplinas materiais.
Agindo assim, por
amor, doando o corpo a serviço dos semelhantes, e, por esse
modo, amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas
maneiras, convertem a existência, sem ligações sexuais, em
caminho de acesso à sublimação, ambientando-se em climas
diferentes de criatividade, porquanto a energia sexual neles não
estancou no próprio fluxo; essa energia simplesmente se canaliza
para outros objetivos, os de natureza espiritual.
Paralelamente a
esses seres que elegem conscientemente esse tipo de experiência,
impondo-se duros regimes de vivência pessoal, encontramos
aqueles outros, os que já renasceram no corpo físico induzidos
ou obrigados à abstinência sexual, atendendo a inibições
irreversíveis ou a processos de inversão pelos quais sanam erros
do pretérito ou se recolhem a pesadas disciplinas que lhes
facilitem a desincumbência de compromissos determinados, em
assuntos do espírito.
Empreendimentos
filantrópicos, atividades religiosas ou culturais enobrecedoras
constituem valioso programa de superação de pensamentos
torturantes, relacionados com o sexo, favorecendo, outrossim, a
transformação das forças criadoras em elementos de exaltação do
bem e do embelezamento da Vida.
Numerosos
Espíritos recebem de Jesus permissão para esse gênero de
esforços santificantes, porquanto, nessa tarefa, os que se fazem
eunucos, pelo reino do céu, precipitam os processos de redenção
do ser ou dos seres amados, submersos nas provas e,
simultaneamente, pela sua condição de evolvidos, podem ser mais
facilmente transformados, na Terra, em instrumentos da verdade e
do bem. Assim, vão ajudando aos entes queridos, a coletividade e
a si próprios.
Vigoram para
muitos deles, temporariamente, os imperativos da prova benéfica,
os deveres do estatuto expiatório, as exigências do serviço
especializado, em que estudantes, devedores e missionários se
obrigam a longas fases de fome e sede do coração. Isso, porém,
não representa obstáculo ao amor.
Qualquer atitude
extremista opera desarmonia e perturbação com lamentáveis
conseqüências que se estendem após o decesso carnal, em
processos de sombras e aflições indescritíveis. Assim, se o
exercício de renúncia a que certas pessoas se afervoram os faz
hipocondríacos e tristes, não devem vacilar em obedecer à
prescrição do Apóstolo Paulo, na 1ª. Epistola aos Coríntios,
capítulo sete, versículo nove: “Mas, se não podem conter-se,
casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”.
Tais considerações
nos impelem a concluir que a vida sexual de cada criatura é
terreno sagrado para ela própria, e que, por isso mesmo,
abstenção, ligação afetiva, constituição de família, vida
celibatária, divorcio e outras ocorrências, no campo do amor,
são problemas pertinentes à responsabilidade de cada um,
erigindo-se, por essa razão, em assunto não de corpo para corpo,
mas de coração para coração.
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