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Idéias
Principais:
Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras.
Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau
de inteligência e de adiantamento dos que o executaram.
Pois bem! Lançando
o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a
providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras,
reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os
limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o
homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma
inteligência superior à Humanidade, a menos que se sustente que
há efeitos sem causa.
Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
O conhecimento da
verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais
essencial de mais necessário, porque é Ele que nos sustenta, nos
inspira e nos dirige, mesmo à nossa revelia.
Síntese do
Assunto:
Qualquer doutrina
tem seus princípios básicos, dos quais derivam outras que são
decorrências naturais ou lógicas dos primeiros. Um dos
princípios básicos da Doutrina Espírita é o da existência de
Deus, como o Criador necessário de tudo o que existe. Outro,
evidentemente fundamental, é o da existência dos Espíritos, como
criaturas suas; e outro ainda, o da natureza espiritual da alma
humana, considerada como Espírito encarnado, que constitui a
individualidade consciente, permanente e imperecível do homem.
Tudo o mais que os Espíritos revelaram, a pluralidade dos mundos
habitados, a encarnação e as reencarnações, com a conseqüente
pluralidade das existências corporais, a lei de causa e efeito,
o princípio da necessidade das provações, como meio de
progresso, e das cruciantes, mas redentoras expiações; tudo
isso, que revela suprema sabedoria, harmonizando bondade e
indefectível justiça, é decorrência natural daqueles princípios
básicos. À frente de todos, porém, fulge, luminoso, o princípio
da existência do Eterno Criador.
Já fizemos notar,
no Roteiro 01 do Programa II, o fato altamente significativo de
ter Kardec começado O Livro dos Espíritos com um capítulo
inteiramente consagrado a Deus, às provas da sua existência e
aos atributos da Divindade.
Em A Gênese, Allan
Kardec - após explicar no Capítulo I, o Caráter da Revelação
Espírita -, novamente trata, logo no Capítulo II, da existência
de Deus, mostrando que ela constitui o mais fundamental
princípio da Doutrina Espírita, conforme veremos a seguir.
1. - Sendo Deus a
causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que
existe, a base sobre que repousa o edifício da criação, é também
o ponto que importa consideremos antes de tudo.
2. - Constitui
princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma
causa, mesmo quando ela se conserve oculta. Se, fendendo os
ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo,
deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não
seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma
coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os
efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.
3. - Outro
princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou
a axioma é o de que todo efeito inteligente tem que decorrer de
uma causa inteligente. Se perguntassem qual o construtor de
certo mecanismo engenhoso, que pensaríamos de quem respondesse
que ele se fez a si mesmo? Quando se contempla uma obra-prima da
arte ou da indústria, diz-se que há de tê-la produzido um homem
de gênio, porque só uma alta inteligência poderia concebê-la.
Reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem, por se
verificar que não está acima da capacidade humana, mas; mas, a
ninguém acudirá a idéia de dizer que saiu do cérebro de um
idiota ou de um ignorante, nem ainda menos, que é trabalho de um
animal, ou produto do acaso.
4. - Em toda parte
se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência
dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio
dos fósseis humanos: provou-a também, e com muita certeza, a
presença nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados
pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma,
um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pela grosseria
ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência
ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos
numa região habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes
uma estátua digna de Fídias, não hesitareis em dizer que, sendo
incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma
inteligência superior à destes.
5. - Pois bem!
Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza,
notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a
essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não
ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana.
Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são
produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se
sustente que há efeitos sem causa.
Considera em
seguida Kardec a opinião dos que opõem a esse raciocínio tão
lógico o de que “As obras ditas da Natureza são produzidas por
forças materiais que atuam mecanicamente, em virtude das leis de
atração e repulsão, sob cujo império tudo ocorre, quer no reino
inorgânico, quer nos reinos vegetal e animal, com uma
regularidade mecânica que não acusa a ação de nenhuma
inteligência livre”. O homem (dizem esses opositores) movimenta
o braço quando quer e como quer; aquele, porém, que o
movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até a morte,
seria um autômato. Ora, as forças orgânicas da Natureza são
puramente automáticas.
Tudo isso é
verdade (redargüiu Kardec); mas, essas forças são efeitos que
hão de ter uma causa. Elas são materiais e mecânicas; não são de
si mesmas inteligentes também isso é verdade; mas, são postas em
ação, distribuídas, apropriadas às necessidades de cada coisa
por uma inteligência que não é a dos homens. A aplicação útil
dessas forças é um efeito inteligente, que denota uma causa
inteligente. “Deus não se mostra, mas se revela pelas suas
obras”.
O Espiritismo,
portanto, dá ao homem uma idéia de Deus que, com a sublimidade
da Revelação, está conforme a mais perfeita e justa
racionalidade. Convence-nos da Divina Existência sem necessitar
recorrer a outras provas que não as que provêm da simples
contemplação do Universo, onde Deus se revela através de obras
admiráveis e de leis sábias, constituindo um conjunto grandioso
de tanta harmonia e onde há perfeita adequação dos meios aos
fins, que se torna impossível não ver por trás de tão portentoso
mecanismo a ação de uma Suprema Inteligência. Por isso, a
pergunta do Codificador: Que é Deus?
Os Espíritos
reveladores responderam:
“Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.
Assim o
compreendem numa inata intuição de Sua existência e do Seu poder
todos os que não se deixaram empolgar totalmente pelo terrível
entorpecer da inteligência e do sentimento humanos, que é o
orgulho, e assim, reconhecem no harmonioso mecanismo que
entretém os movimentos universais, a existência imprescindível
de um primeiro motor transcendente.
“A mecânica
celeste não se explica por si mesma (escreve Léon Denis), e a
existência de um motor inicial se impõe. A nebulosa primitiva,
mãe do Sol e dos planetas, era animada de um movimento
giratório. Mas quem lhe imprimira esse movimento? Respondemos
sem hesitar: Deus”.
Assim como Léon
Denis, já então iluminado pela radiosa luz do Espiritismo, o
reconheceu, fé-lo também Albert Einstein, com todo o rigor do
seu raciocínio lógico, puramente matemático. Por muito
raciocinar em busca da verdade, Einstein adquiriu um alto grau
de intuição que o levou, do mesmo modo que a muitas outras
coisas, também, ao reconhecimento da existência de Deus, como
fonte necessária da energia que dá o primeiro impulso a tudo que
se move no Universo.
Muito antes de
Einstein, também o não menos genial Isaac Newton teve de
reconhecer a existência necessária de uma causa transcendente e
um primeiro motor para explicar o movimento dos planetas. Apesar
de descobrir a grande lei da gravitação universal, que viria
aparentemente resolver esse milenar problema, no fim de seu
livro Princípios Matemáticos de Filosofia Natural declara-se
para explicar aqueles movimentos somente pelas leis da Mecânica.
“Em um transporte
de entusiasmo, sua grande Alma se exalça Àquele que, por si só,
pôde, com sua poderosa mão, lançar os mundos sobre a tangente de
sua órbita. Nunca a ciência humana e o gênio do homem se
elevaram mais alto do que nessa página célebre, digno coroamento
desse livro grandioso” (Conforme o que escreveu na Revue du Bien
o professor Bulliot, citado por Léon Denis em seu livro O Grande
Enigma).
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