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Idéias
Principais:
Infinito é “o que não tem começo nem fim: o desconhecido”.
O tempo é apenas
uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a
eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista
da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é
presente.
O tempo é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra
não girasse, nem astro algum; se não houvesse sucessão de
períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia que criou o
tempo.
O espaço é a
extensão que separa dois corpos.
Ora, digo que o
espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe
um limite qualquer.
Dizer que Deus é o
infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma.
Síntese do
Assunto:
No roteiro 1,
falamos de Deus, como causa necessária do Universo.
Mas o que é o
Universo? É o conjunto de tudo o que existe e não é obra do
homem. O Universo é a obra de Deus, - de que faz parte o próprio
homem, ser pensante e racional, mas que é apenas uma criatura,
um filho de Deus. Nesse Universo, há de considerar-se desde logo
o espaço, que é a extensão onde tudo existe, e ligado a esse
espaço deve considerar-se também o tempo. Espaço e tempo, porém,
em termos universais, e em relação a Deus, têm as dimensões do
infinito e da eternidade.
É isso que nos
ensina a Doutrina Espírita, exposta em O Livro dos Espíritos.
Ali, à pergunta de Allan Kardec, de número 35 “O Espaço
universal é infinito ou limitado?” os Espíritos responderam:
“Infinito.
Supõe-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te
confunde a razão, bem sei; no entanto, a razão te diz que não
pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as
coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis
compreendê-lo”.
O espaço é, pois,
infinito. Que se deve, entretanto, entender por infinito?
Disseram-nos também os Espíritos, na resposta à pergunta número
2 de O Livro dos Espíritos:
“O que não tem
começo nem fim: o desconhecido; tudo o que é desconhecido é
infinito”.
E á pergunta
seguinte: “Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?” E os
Espíritos responderam:
“Definição
incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para
definir o que está acima da linguagem dos homens”.
Deus é infinito em
suas perfeições (acrescenta Kardec em comentário próprio), mas o
infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o
atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que
não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a
primeira.
Começando a
enumerar os atributos divinos, explana magistralmente Kardec:
Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada,
ou, então, também teria sido criado por um ser anterior. É assim
que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
Como se vê, apesar
da lógica de Kardec, o assunto parece extremamente complexo e o
problema aparentemente insolúvel. Entretanto, tudo pode-se
tornar extremamente simples e a solução limpidamente clara, se
se coloca o homem na condição de criatura imperfeita ainda, mas
perfectível, simples e ignorante em seu começo: pequena,
podendo, porém, engrandecer-se, e por desígnio divino, através
de degraus sucessivos, cada vez mais altos, que o vão tirando da
ignorância, aumentando-lhe pouco a pouco o horizonte,
dilatando-lhe a visão das coisas e dando-lhe, enfim, maior
intuição. É a grande lei do progresso.
Conforma-te, pois,
oh! homem, com o teu degrau atual e esforça-te por subir os
sucessivos degraus da escala! Sê humilde diante da grandeza do
Criador e confia na sua divina providência, que te criou para
atingires um dia os píncaros do saber e de excelsas virtudes.
No capítulo VI de
A Gênese, de Allan Kardec, páginas 103 a 105 da edição FEB, há
uma mensagem do elevado Espírito Galileu, recebida na Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas, através da mediunidade de C.F.
(a editora informa que essas são as iniciais de Camille
Flammarion) que satisfaz a razão no que toca às noções que
estamos procurando adquirir neste roteiro, e cujo texto vamos a
seguir transcrever integralmente:
Já muitas
definições do espaço foram dadas, sendo a principal esta: o
espaço é a extensão que separa dois corpos, na qual certos
sofistas deduziram que onde não haja corpos não haverá espaço.
Nisto foi que se basearam alguns doutores em teologia para
estabelecer que o espaço é necessariamente finito, alegando que
certo número de corpos finitos não poderiam formar uma série
infinita e que, onde acabassem os corpos, igualmente o espaço
acabaria.
Também definiriam
o espaço como sendo o lugar onde se movem os mundos, o vazio
onde a matéria atua, etc. Deixemos todas essas definições, que
nada definem, nos tratados onde repousam.
Espaço é uma
dessas palavras que exprimem uma idéia primitiva e axiomática,
de si mesma evidente, e a cujo respeito as diversas definições
que se possam dar nada mais fazem do que obscurecê-la. Todos
sabemos o que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é
infinito, a fim de que os nossos estudos ulteriores não
encontrem uma barreira opondo-se às investigações do nosso
olhar.
Ora, digo que o
espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe
um limite qualquer e porque, apesar da dificuldade com que
topamos para conceber o infinito, mais fácil é avançar
eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto
qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a
percorrer.
Para figurarmos,
quanto no-lo permitam as nossas limitadas faculdades, a
infinidade do espaço, suponhamos que, partindo da Terra, perdida
no meio do infinito, para um ponto qualquer do Universo, com a
velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que percorre
milhares de léguas por segundo, e que, havendo percorrido
milhões de léguas mal tenhamos deixado este globo, nos achamos
num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida
estrela. Passado um instante, seguindo sempre a mesma direção,
chegamos a essas estrelas longínquas que mal percebeis da vossa
estação terrestre. Daí, não só a Terra nos desaparece
inteiramente do olhar nas profundezas do céu, como também o
próprio Sol, com todo o seu esplendor, se há eclipsado pela
extensão que dele nos separa. Animados sempre da mesma
velocidade do relâmpago, a cada passo que avançamos na extensão,
transpomos sistemas de mundos, ilhas de luz etérea, estradas
estelíferas, paragens suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma
profusão com que semeou as plantas nas pradarias terrenas.
Ora, há apenas
poucos minutos que caminhamos e já centenas de milhões de
milhões de léguas nos separam da Terra, bilhões de mundos nos
passaram sob as vistas e, entretanto, escutai! Em realidade, não
avançamos um só passo que seja o Universo.
Se continuarmos
durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos
cem vezes seculares e sempre com a mesma velocidade do
relâmpago, nem um passo igualmente teremos avançado, qualquer
que seja o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o
ponto para onde nos encaminhemos, a partir desse grãozinho
invisível donde saímos e a que chamamos Terra.
Eis aí o que é o
espaço!
Estudemos, agora,
o tempo.
Segundo Allan
Kardec, o tempo é a sucessão das coisas. Está ligado à
eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao
infinito.
O tempo é apenas
uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a
eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista
da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é
presente.
O espaço existe por si mesmo, passando-se o contrário com
relação ao tempo.
É impossível supor
a supressão do espaço; já não é assim com relação ao tempo.
O tempo é criado
pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem
astro algum; se não houvesse sucessão de períodos, não existiria
o tempo. Foi a Astronomia que criou o tempo. Suprimi o Universo,
o espaço continuará a existir, mas o tempo cessará,
desvanecer-se-á, desaparecerá.
Einstein
descartou-se do conceito de tempo absoluto - um fluxo universal
inexorável de tempo, correndo de um passado infinito para um
futuro infinito. Muito da obscuridade que envolve a Teoria da
Relatividade procede da relutância do homem em reconhecer que o
senso do tempo, como sendo de cor, é uma forma de percepção.
Assim como não há tal coisa como cor sem olhos para observá-la,
da mesma forma, um instante, uma hora ou um dia nada são sem um
evento que os assinale. E como espaço é simplesmente uma ordem
possível de objetos materiais, o tempo é simplesmente uma ordem
possível de eventos.
O tempo seria,
então, um conceito meramente subjetivo, ou seja, estaria
exclusivamente na dependência de um observador para apreciá-lo
em determinado ponto e, portanto, inescapavelmente subordinado à
relatividade de sua posição quanto a tudo o mais no Universo que
o cerca.
Para Meditar...
O Tesouro Enferrujado
“O vosso ouro e
a vossa prata se enferrujaram” - (Tiago, 5:3.)
Os sentimentos do
homem, nas suas próprias idéias apaixonadas, se dirigidos para o
bem, produziriam sempre, em conseqüência, os mais substanciosos
frutos para a obra de Deus. Em quase toda parte, porém,
desenvolvem-se ao contrário, impedindo a concretização dos
propósitos divinos, com respeito à redenção das criaturas.
De modo geral,
vemos o amor interpretado tão-somente à conta de emoção
transitória dos sentidos materiais, a beneficência produzindo
perturbação entre dezenas de pessoas para atender a três ou
quatro doentes, a fé organizando guerras sectárias, o zelo
sagrado da existência criando egoísmo fulminante. Aqui, o perdão
fala de dificuldades para expressar-se, ali, a humildade pede a
admiração dos outros.
Todos os
sentimentos que nos foram conferidos por Deus são sagrados.
Constituem o ouro e a prata de nossa herança, mas como assevera
o apóstolo, deixamos que as dádivas se enferrujassem, no
transcurso do tempo.
Faz-se necessário
trabalhemos, afanosamente, por eliminar a “ferrugem” que nos
atacou os tesouros do espírito. Para isso, é indispensável
compreendamos no Evangelho a história da renúncia perfeita e do
perdão sem obstáculos, a fim de que estejamos caminhando,
verdadeiramente, ao encontro do Cristo.
“Caminho, Verdade e Vida” - Emmanuel / Francisco Cândido Xavier.
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