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Idéias
Principais:
Materialismo: - “doutrina segundo a qual toda a realidade das
coisas se reduz à matéria e as suas modificações”.
Panteísmo: - “Sistema que nega que Deus e o Universo sejam
realmente distintos”.
O materialismo foi
criado pelo fundador da filosofia grega, Tales de Mileto, tendo,
ainda, na Antiguidade, as personalidades de Anaximandro,
Anaxímenes, Leucipo, Demócrito, Epicuro, entre outros, como
adeptos e seguidores.
A escola
Aristotélica destaca-se na Idade Média - a qual tenta conciliar
o materialismo com a teologia - juntamente com as idéias de
Galileu Galilei.
Nos tempos
modernos, pessoas como Francis Bacon, John Locke, Descartes, La
Mettrie, Helvétius, Karl Marx, e outros, se sobressaem dos
demais.
O Panteísmo não
está muito distante do materialismo porque, embora vendo em Deus
um Ser Supremo, não é, no entanto, um ser distinto, mas a
reunião de todas as forças existentes.
Síntese do
Assunto:
Apesar de todas as
razões que levam convictamente à crença de que Deus existe, como
causa transcendente necessária do Universo, com os atributos de
suprema inteligência, onipotência, bondade e justiça perfeitas,
e infinito em todas as suas perfeições, há homens e sempre os
houve, que negam a divina existência. O seu ateísmo disfarçado
ou sincero, mas que é sempre conseqüência da arrogância, da
presunção e do orgulho, leva-os a negar a existência de todo
Espírito do Universo, tanto o Espírito Divino como o que em si
mesmos existe e é a sede da própria inteligência e da
consciência de cada um; isto é, negam a existência da alma
humana como individualidade independente da matéria corporal e a
ela sobrevivente, considerando-a apenas como resultante da
organização cerebral altamente evoluída do Homo Sapiens. São
ateus e materialistas, profitentes do mais radical materialismo.
Materialismo é a
doutrina filosófica segundo a qual não existe essencialmente no
Universo coisa alguma além da matéria, quer como causa, quer
como efeito. Implica um sistema dos mundos em que o fundamento
único é a matéria, incriada e eterna, isto é, existente por si
mesma, necessária e suficientemente, sem interferência alguma de
Deus. Os que a professam são filósofos, quer dizer, refletem
sobre os conhecimentos adquiridos pelas experiências objetivas,
as realidades visíveis e palpáveis, suscetíveis de ser atingidas
pela observação direta e a experimentação, sobre os movimentos
universais que animam todas as coisas; já chegaram até às
realidades invisíveis e impalpáveis como os átomos, as radiações
energéticas, as vibrações e as ondas que se propagam através do
Cosmos, mas nada concebem para tudo isso senão um substrato
material submetido a leis cegas, não emanadas de uma
inteligência diretora e criadora. É muito antiga essa concepção,
vem desde os primeiros filósofos gregos e prossegue em toda
Antiguidade Greco-Romana.
Traçaremos, a
seguir, um esboço das idéias materialistas ao longo da história
humana, de maneira que possamos entender o significado delas.
O materialismo,
como doutrina, ensino ou escola, nasce, praticamente, com Tales
de Mileto, na Antiga Grécia, por volta do século VI a.C. “O
materialismo dos filósofos jônicos inclui algumas teses que se
tornarão características de todo o materialismo posterior:
1) a filosofia
deve explicar os fenômenos não por meio de mitos religiosos, mas
pela observação da própria realidade;
2) a matéria incriada e indestrutível, é a substancia de que
todas as coisas se compõem e à qual todas se reduzem;
3) a geração e a corrupção das coisas obedecem a uma necessidade
não sobrenatural, mas natural, não ao destino, mas às leis
físicas;
4) a matéria não é estática, mas se acha em constante movimento,
em permanente metamorfose;
5) a experiência sensível é a origem do conhecimento;
6) a alma faz parte da natureza e obedece às mesmas leis que
regem o seu movimento”.
“Para Tales, a
substancia primordial é a água, para Anaxímenes, o ar, e para
Anaximandro, a matéria indeterminada. Todos os fenômenos da
natureza consistem em transformações do mesmo principio
material, independentemente de qualquer interferência divina. O
pensamento consiste em dizer a verdade após ter penetrado a
natureza e suas leis, e a sabedoria consiste em viver de acordo
com essas leis”.
“Para Anaxágoras,
a natureza se constitui de homeomerias, unidades que contém os
elementos de todas as coisas em proporções infinitesimais.
Demócrito sustenta que o princípio de todas as coisas são os
átomos. Tudo o que existe é material, e a matéria que constitui
os átomos é qualitativamente idêntica, determinando os
diferentes fenômenos da natureza em função da diversidade
quantitativa dos átomos (forma, dimensão e ordem). As
transformações que se observam na natureza consistem em
associações e dissociações dos átomos”.
“A alma humana,
feita também de átomos, está sujeita à decomposição e à morte. A
natureza se explica por si mesma, e os acontecimentos que hoje
se produzem, dizia Demócrito, não têm causa primeira, pois
preexistem de toda a eternidade no tempo infinito, contendo, sem
exceção, tudo o que foi é e será”.
Em tese, foram
estas as idéias materialistas reinantes até o século XIII,
havendo em contraposição as escolas espiritualistas - sobretudo
a platônica e a neoplatonica - e aquelas que tentavam conciliar
o materialismo com a teologia, como a escola aristotélica.
No longo período
que constitui a Idade Média, o materialismo foi sofrendo algumas
alterações, porém sempre rejeitando a idéia de um Criador
supremo para todas as coisas.
Segundo Francis
Bacon (1561-1626), “As ciências físicas e naturais constituem, a
seus olhos, a verdadeira ciência. Por sua vez, Hobbes
(1588-1679) cria um sistema materialista perfeitamente coerente.
Concebendo o mundo à maneira de Descartes, a geometria como
paradigma do pensamento lógico e a mecânica de Galilei como
ideal da ciência da natureza, considera o mundo um conjunto de
corpos materiais, definidos geometricamente, por sua forma e sua
extensão. O homem é um corpo, como os demais, a alma não existe
e os organismos não passam de engrenagem do mecanismo
universal”.
Vivendo no período
de 1632-1704, John Locke nega as idéias inatas e afirma que
todas as idéias humanas têm origem na experiência.
No século XVIII,
Julien Offroy de la Mettrie (1709-1751), filósofo sensualista,
afirma que o prazer e o amor-próprio são os únicos critérios da
vida moral e, também, que os fenômenos psíquicos resultam de
alterações orgânicas no cérebro e no sistema nervoso. Outro
filósofo da época, considerado o precursor ideológico da
Revolução Francesa, materialista e ateísta intransigente,
defende a tese de que todas as idéias são sensações provocadas
pelos objetos materiais e a personalidade é produto do meio e da
educação. Esse filósofo chamava-se Cloude Adrien Helvétius
(1715-1771).
Encerrando o
século XVIII, Paul Henri Dietrich (1723-1789), francês de origem
alemã, considerava o Cristianismo como contrário à razão e à
natureza. Nega as idéias inatas, a existência da alma e de Deus.
Vê no comportamento religioso um despotismo político.
No século XIX,
surge com Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895),
o chamado materialismo histórico e dialético. Marxismo é, pois,
a doutrina “segundo a qual as organizações políticas e
jurídicas, os costumes e a religião são estritamente
determinados pelas condições econômicas, pelo estado da
indústria e do comércio, da produção e das vendas”.
Só crêem na
matéria! Mas não podem deixar os materialistas de ver a ordem
existente no Universo, entretanto, admitem uma ordem inteligente
existindo sem uma causa inteligente, que a preceda, conceba e a
ela presida.
Vejamos o que nos
fala Camille Flammarion, em sua obra Deus na Natureza:
“(...) De resto, a que se reduz a negação materialista? Buscando
o âmago das coisas, percebemos logo que essas negações não podem
ser tão absolutamente negativas quanto o pretendem. O insensato
não o será jamais impunemente e não é tão fácil, quanto possa
parecer, uma convicção profunda no ateísmo. Na maioria dos
casos, o que ocorre é o deslocamento da questão e nada mais. Em
vez de chamar Deus à direção das forças que regem o mundo, os
convencidos de ateísmo deixam de o nomear, e, em vez de atribuir
a um ser inteligente a inteligência dessas forças, outorgam-na à
própria matéria. Removem, assim, mas não resolvem o problema,
pois os fatos continuam irrevogáveis. Negam a Deus, mas não
podem negar a força. Apenas, em lugar de proclamarem a soberania
dessa força, consideram-na escrava da matéria inerte”.
“Todas as
propriedades instintivas ou intelectuais que os nossos
adversários não podem deixar de atribuir à matéria para explicar
a ação desta, sua tendência progressiva, seu método seletivo,
desde a formação do vegetal humilde à formação de um cérebro
humano, são atributos que eles extraem do Ignoto que nós
denominamos Deus, e que eles homenageiam chamando-lhe matéria.
Parece-nos absurdo integral a crença de que o Espírito pudesse
surgir no cérebro humano e manifestar-se nas leis do Universo,
se não existisse de toda a eternidade”.
Não é só o
materialismo que nega a Deus e a existência do Espírito humano.
Há ainda o panteísmo. Para os que professam essa doutrina, entre
os quais avulta a mentalidade vigorosa de Spinozza, Deus, sendo
embora o Ser Supremo, não é, entretanto, um ser distinto, pois
consideram-no resultante da reunião de todas as forças, todas as
inteligências do Universo. Sente-se desde logo a inconsistência
de uma tal doutrina que, se verdadeira, derrogaria os mais
necessários dos atributos de Deus, ser eterno, infinito,
imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e
bom.
“(...) Esta
doutrina (comenta Allan Kardec) faz de Deus um ser material que,
embora dotado de suprema inteligência, seria em ponto grande o
que é em ponto pequeno. Ora, transformando-se a matéria
incessantemente, Deus, se fosse assim, nenhuma estabilidade
teria; achar-se-ia sujeito a todas as vicissitudes, mesmo a
todas as necessidades da Humanidade; faltar-lhe-ia um dos
atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. Não se podem
aliar as propriedades da matéria à idéia de Deus, sem que ele
fique rebaixado ante a nossa compreensão e não haverá sutilezas
de sofismas que cheguem a resolver o problema da sua natureza
íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que ele não
pode deixar de ser, e o sistema de que tratamos está em
contradição com as suas essenciais propriedades. Ele confunde o
Criador com a criatura, exatamente como o faria quem pretendesse
que engenhosa máquina fosse parte integrante do mecânico que a
imaginou”.
“A inteligência de
Deus se revela em suas obras, como a de um pintor no seu quadro;
mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é
o pintor que o concebeu e executou”.
Materialismo e
panteísmo se confundem, pois, na mesma negação de Deus como o
Ser distinto, que é a Inteligência Suprema e a Causa Primária do
Universo. “(...) Mas, escreve Camille Flammarion, na obra
citada, ainda bem que o ateísmo absoluto só pode ser u8ma
loucura nominal, e o Espírito mais negativista não pode,
realmente, atribuir à matéria senão o que pertence ao Espírito,
criando assim um deus-matéria, à sua imagem e semelhança. Assim,
temos visto que, desde o panteísmo místico ao mais rigoroso
ateísmo, os erros humanos a respeito da personalidade divina não
puderam senão velar ou desnaturar a revelação do Universo, sem
aniquilá-la. Nosso Deus da Natureza permanece inatacável, no
seio mesmo da Natureza, força intrínseca e universal governando
cada átomo, formando organismos e mundos, princípio e fim das
criações que passam, luz incriada a brilhar no mundo invisível e
para a qual, oscilantes, se dirigem as almas, como a agulha
imantada, que não mais repousa enquanto não se encontra
identificada com o plano de pólo magnético”.
-o-o-o-
Para Meditar
A Marcha
“Importa, porém,
caminhar hoje, amanhã e no dia seguinte”. - Jesus (Lucas,
13:33).
Importa seguir
sempre, em busca da edificação espiritual definitiva.
Indispensável caminhar, vencendo obstáculos e sombras,
transformando todas as dores e dificuldades em degraus de
ascensão.
Traçando o seu
programa, referia-se Jesus à marcha na direção de Jerusalém,
onde o esperava a derradeira glorificação pelo martírio. Podemos
aplicar, porém, o ensinamento às nossas experiências incessantes
no roteiro da Jerusalém de nossos testemunhos redentores.
É imprescindível,
todavia, esclarecer a característica dessa jornada para a
aquisição dos bens eternos.
Acreditam muitos
que caminhar é invadir as situações de evidência no mundo,
conquistando posições de destaque transitório ou trazendo as
mais vastas expressões financeiras ao circulo pessoal.
Entretanto, não é
isso.
Nesse particular,
os chamados “homens de rotina” talvez detenham maiores
probabilidades a seu favor.
A personalidade
dominante, em situações efêmeras, tem a marcha inçada de
perigos, de responsabilidades complexas, de ameaças atrozes. A
sensação de altura aumenta a sensação de queda.
É preciso caminhar
sempre, mas a jornada compete ao Espírito eterno, no terreno das
conquistas interiores.
Muitas vezes,
certas criaturas que se presumem nos mais altos pontos da
viagem, para a Sabedoria Divina se encontram apenas paralisadas
na contemplação de fogos-fátuos.
Que ninguém se
engane nas estações de falso repouso.
Importa trabalhar,
conhecer-se, iluminar-se e atender ao Cristo, diariamente. Para
fixarmos semelhante lição em nós, temos nascido na Terra,
partilhando-lhe as lutas, gastando-lhe os corpos e nela
tornaremos a renascer.
Emmanuel.
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