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Idéias
Principais:
Há dois elementos
Gerais no Universo: a matéria e o espírito; e acima de tudo
Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e
matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade
universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido
universal, que desempenha o papel intermediário entre o Espírito
e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o
Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de
vista, seja licito classificá-lo com o elemento material, ele se
distingue deste por propriedades especiais. Está colocado entre
o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e
suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a
ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas.
Para a ciência
oficial, as principais propriedades da matéria são: possuir
massa, ter extensão, impenetrabilidade, inércia e
divisibilidade.
Os principais
elementos constitutivos da matéria são as moléculas e os átomos,
os quais se subdividem em partículas cada vez menores e que são
objeto das mais recentes pesquisas na ciência oficial.
Síntese do
Assunto:
Elementos
Gerais do Universo
Dotado por Deus
com o atributo superior da inteligência, tem buscado o homem
conhecer o mundo em que vive e o Universo de que é ínfima parte.
Limitado, porém, é ainda o alcance de sua inteligência, e o
princípio das coisas lhe é vedado. Em encarnações sucessivas,
entretanto, com a própria aplicação na busca incessante de novos
conhecimentos, ele a vai desenvolvendo e adquirindo também
dignificantes virtudes morais, que lhe granjeiam merecimento a
outorgas divinas cada vez mais altas. Assim progride o Espírito
penetrando, pouco a pouco, os segredos do Universo e
aproximando-se dos mistérios das origens. Essa a perspectiva de
esperança que nos traz a consoladora Doutrina dos Espíritos.
Não é dado ao
homem conhecer o princípio das coisas, ainda, porque Deus não
permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo, porém, é
certo que “o véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se
depura; mas, para compreender certas coisas, são-lhe precisas
faculdades que ainda não possui.
Mesmo através dos
grandes progressos da ciência, o homem ainda estará limitado. A
ciência lhe foi dada para o seu adiantamento em todas as coisas;
ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus
estabeleceu.
Além da Ciência,
que é a fonte dos conhecimentos que ele deve adquirir com o
próprio esforço de pesquisa, aplicando a inteligência, a lógica
dos raciocínios e os métodos experimentais, tem o homem na
Revelação outra fonte para acrescer aos seus conhecimentos.
Deus permite que essa revelação lhe seja feita por intermédio de
Espíritos Superiores, no domínio exclusivo da Ciência Pura, isto
é, sem quaisquer objetivos utilitaristas, aplicações práticas ou
tecnológicas.
- Dado é ao homem
receber, sem ser por meio das investigações da Ciência,
comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao
testemunho dos sentidos?
- Sim, se o julgar
conveniente, Deus pode revelar o que à Ciência não é dado
apreender.
O que pode, pois,
valendo-se dessas fontes de informação, o homem saber sobre a
constituição do Universo? A Ciência limitou-se a considerar como
únicas realidades existentes a matéria e a energia.
Aprofundando-se, entretanto, no seu conhecimento chegou à
conclusão de que estão de tal modo e tão estreitamente
relacionadas que representam, em verdade, duas expressões de uma
só e mesma realidade, não sendo a matéria mais do que energia
condensada ou concentrada, limitada em sua força e dinamismo
próprios, verdadeiramente escravizada, encerrada em âmbitos
restritos para formar as massas densas dos corpos materiais.
Inversamente, em determinadas condições é a matéria atingida em
sua massa, sofre desconcentração, descondensa-se, desintegra-se,
libertando energia em radiações diversas de natureza
corpuscular. Há sempre lado a lado, no Universo, matéria densa e
energia livre em interações recíprocas, que condicionam os dois
processos inversos de condensação e de libertação de energia.
Enorme já é o acervo de conhecimentos, que, sobre esse aspecto
do Universo, a Ciência e a tecnologia permitiram ao homem
acumular, mas que escapa, evidentemente, aos objetivos deste
resumo. Entretanto, e é isto o que nos cabe assinalar aqui, não
considerou a Ciência, na constituição do Universo, senão o
elemento material quer em seu estado denso, quer em suas
manifestações energéticas. Não procedeu assim a Revelação. Esta
ensina que há fundamentalmente dois elementos gerais no
Universo: o elemento material (bruto) e o elemento espiritual
(inteligente). Mas com uma particularidade importantíssima,
referente ao elemento material: este não abrange somente as
formas densas, visíveis e tangíveis, dotadas de massa e
ponderabilidade, extensão e impenetrabilidade, mas também
estados sutis, não acessíveis aos sentidos, em que desaparecem a
massa tangível e a ponderabilidade, e surge a característica
penetrabilidade, em relação à massa densa. Vejamos o que
responderam os Espíritos às indagações de Kardec:
- Define-se
geralmente a matéria como sendo - o que tem extensão, o que é
capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São
exatas essas definições?
- Do vosso ponto
de vista, elas o são, porque não falais senão do que conheceis.
Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por
exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos
sentidos. Contudo, é sempre matéria, Para vós, porém, não o
seria.
- Que definição
podeis dar da matéria?
- A matéria é o
laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve
e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.
- Há então dois
elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?
- Sim e acima de
tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e
matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade
universal. Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido
universal, que desempenha o papel de intermediário entre o
Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira
para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de
certo ponto de vista, seja licito classificá-lo como elemento
material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se
o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não
haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado
entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é
matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com
esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade
das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido
universal ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o
Espírito se utiliza, é o principio sem o qual a matéria estaria
em perpetuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades
que a gravidade lhe dá.
Essas passagens de
O Livro dos Espíritos, especialmente a última de número
27, são bastante elucidativas, quando não se tem o espírito
escravizado aos preconceitos científicos materialistas. Tudo no
Universo procede de Deus, suprema potência criadora. Deus criou
o fluido universal ou matéria cósmica, que enche o espaço
infinito e é, verdadeiramente, o elemento primitivo, a partir do
qual se forma tudo o que no Universo é material: os mundos e
todos os seres. Estes são a concretização das idéias divinas,
por força da Sua onipotente vontade. Deus criou também o
espírito, elemento inteligente, o qual é submetido a longa
elaboração através dos diversos reinos da Natureza.
No contato com
minerais, vegetais e animais, o princípio inteligente recebe
impressões que, pela repetição, vão-se fixando, dando origem a
automatismos, reflexos, instintos, hábitos, memória, e acabam
por integrar-se em individualidades conscientes, dotadas de
razão e vontade, livre-arbítrio e responsabilidade, destinadas a
progredir até que adquiram pureza e perfeição que as aproximam
da Inteligência Suprema. Então, Espíritos puros e perfeitos, que
adquiriram com a perfeição um profundo conhecimento das leis
universais, possuindo também os mais elevados sentimentos e
excelsas virtudes, detentoras de sentidos e poderes espirituais
superiores, as idéias divinas tornam-se-lhes perceptíveis,
são-lhes transmitidas e, executores que podem ser da Suprema
Vontade, concretizam-nas em formas materiais, elaborando mundos
e presidindo neles ao desabrochar da vida. Tornam-se assim,
colaboradores de Deus na obra da Criação.
Portanto, a idéia
criadora procede de Deus e pode surgir no Espírito. Só o
Espírito pode conceber idéias. A idéia toma forma pela ação da
vontade divina ou do Espírito sobre o fluido universal que, pela
sua natureza intermediaria entre o Espírito e a matéria, está
apto a receber a influência daquele, transmitindo-a a esta.
A importância
desse fluido universal na constituição do Universo pode-se bem
aquilatar nas respostas dadas pelos Espíritos às indagações de
Allan Kardec, constantes umas em O Livro dos Médiuns,
outras na obra básica já citada.
1º. - O fluido
universal não é uma emanação da divindade.
2º. - É uma
criação divina, como tudo que há na Natureza.
3º. - Fluido
universal é também o elemento universal; é o princípio elementar
de todas as coisas.
4º. - É o elemento
do fluido elétrico.
5º. - Para se
encontrar o fluido universal na sua simplicidade absoluta, é
preciso ascender aos Espíritos puros. No nosso mundo, ele está
mais ou menos modificado, para formar a matéria compacta que nos
cerca.
6º. - O estado de
simplicidade absoluta que mais se lhe aproxima é o do fluido a
que chamamos fluido magnético animal.
A Ciência
considera as seguintes propriedades da matéria:
a) massa -
quantidade de matéria de um corpo;
b) extensão - é a
porção do espaço ocupada pela matéria. Toda matéria ocupa um
determinado lugar no espaço;
c)
impenetrabilidade - duas porções de matéria não podem, ao mesmo
tempo, ocupar o mesmo lugar no espaço;
d) inércia -
quando um corpo, formado naturalmente por matéria, está em
repouso, é necessária uma força para colocá-lo em movimento. Se
o corpo estiver em movimento, é necessária uma força para
alterá-lo ou fazer o corpo parar;
e) divisibilidade
- podemos dividir um corpo ou pulverizá-lo até certo limite. As
partículas são formadas de partículas menores, chamadas átomos.
É interessante
definir, também, que “Matéria é tudo o que possui massa e
extensão. Corpo é uma porção limitada da matéria e Substancias
são as diferentes espécies de matéria”.
Com relação a
outra propriedade da matéria, vejamos o que Kardec nos apresenta
em O Livro dos Espíritos:
- A matéria é
formada de um só ou de muitos elementos?
- De um só
elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são
verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva.
- Donde se
originam as diversas propriedades da matéria?
- São modificações
que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em
certas circunstâncias.
- A mesma matéria
elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e
de adquirir todas as propriedades?
- Sim e é isso que
se deve entender, quando dizemos que tudo está em tudo.
- Não parece que
esta teoria dá razão aos que não admitem na matéria senão duas
propriedades essenciais: a força e o movimento, entendendo que
todas as demais propriedades não passam de efeitos secundários,
que variam conforme a intensidade da força e a direção do
movimento?
- É acertada essa
opinião. Falta somente acrescentar: e conforme a disposição das
moléculas, como o mostra, por exemplo, um corpo opaco, que pode
tornar-se transparente e vice-versa.
Finalmente,
completando o assunto sobre as propriedades da matéria, Allan
Kardec pergunta aos Espíritos Superiores:
- As moléculas têm
forma determinada?
- Certamente, as
moléculas têm uma forma, porém, não sois capazes de apreciá-la.
- Essa forma é
constante ou variável?
- Constante a das
moléculas primitivas; variável a das moléculas secundarias, que
mais não são do que aglomerações das primeiras. Porque, o que
chamais molécula longe ainda está da molécula elementar.
Estas últimas
afirmações dos Espíritos, que Kardec registrou com absoluta
fidelidade, constituem admirável antecipação das verdades sobre
a descontinuidade da matéria e a sua unidade, a primeira já
totalmente provada experimentalmente pela Ciência e a segunda
admitida por ela como inteiramente provável.
Allan Kardec não
podia, portanto, empregar outro termo senão moléculas para
designar as menores partículas das substâncias, tanto as que
representam a matéria densa, como aqueles estados sutis da
matéria que derivam diretamente do fluido universal, que é o
próprio fluido elementar primitivo. Entretanto, sem a
nomenclatura que fornece os termos de hoje, na era da Atomística
e da quantificação da energia, da interação de partículas em
campos de forças geradas por essas mesmas partículas, ele,
Kardec, traduzindo o pensamento dos Espíritos, estabeleceu
categoricamente, em termos de generalização, as duas grandes
verdades que a Ciência vem confirmando dia-a-dia: o da
descontinuidade da matéria, em todas as suas modalidades, mais
ou menos densas, e a da sua unicidade de origem, isto é, de que
a matéria é una; apesar de sua aparente diversidade, todas as
modalidades de substâncias, não são mais que modificações da
matéria cósmica ou substancia elementar primitiva, elemento
único de que deriva tudo o que é material no Universo. Todo
louvor, pois, a Kardec, cuja obra em vez de consignar um erro ou
um engano, muito ao contrário, registra, em termos de
generalidade, uma admirável antecipação da verdade.
Simplicidade e
pureza de coração.
Bem-aventurados
os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus.
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