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Idéias
Principais:
Corpos simples (ou
puros) são formados de uma só substância única. Corpos compostos
são formados de mais de uma substância.
Matéria cósmica é
uma única substância primitiva, geradora de todos os corpos, mas
diversificada em suas combinações.
A matéria cósmica
primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de
todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da
eternidade.
Sucedeu que, num
ponto do Universo, a matéria cósmica se condensou sob a forma de
imensa nebulosa.
A nebulosa
geratriz, pois, não terá dado nascimento a um só astro, mas a
centenas de mundos destacados do foco central.
Com relação aos
seres vivos, a Terra lhes continha os germens que aguardavam
momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos
se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os
mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres
vivos.
Síntese do
Assunto:
Tudo o que existe
é obra de Deus. Por isso dizemos Criação Divina, reportando-nos
a esse imenso Universo que, como diz Kardec, “abrange a
infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos, todos os
seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no
espaço, assim como os fluidos que o enchem”. Mas, como criou
Deus o Universo? A resposta a esta pergunta é ainda um mistério,
como o é a própria existência do Criador e não será a
inteligência humana, no estado em que por enquanto se encontra,
que irá penetrar tal mistério. Temos de conformar-nos, portanto,
a esse respeito, com o que disseram a Kardec os Espíritos
Superiores, por intermédio de um deles, e se encontra na
resposta à pergunta 38 de O Livro dos Espíritos: “Como Deus
criou o Universo? Para me servir de uma expressão corrente,
direi: Por sua vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade
onipotente do que estas belas palavras da Gênese: - Deus disse:
Faça-se a luz e a luz foi feita”.
Sabemos,
entretanto, também pela revelação dos Espíritos superiores, que
Deus criou fundamentalmente dois princípios diferentes,
diametralmente opostos por suas qualidades essenciais, que são
os dois elementos gerais do Universo: o elemento material
(bruto) e totalmente inerte, e o elemento espiritual
(inteligente), suscetível de elaboração e desenvolvimento
evolutivo, objetivando à realização de individualidades
conscientes, dotadas de razão e de vontade. Com este segundo
elemento, criou Deus os Espíritos, que são os seres
inteligentes, conscientes e livres, por isso mesmo responsáveis,
do Universo, sujeitos as leis morais. Com o primeiro, o elemento
material e bruto, formou Deus os mundos que rolam no espaço,
sujeitos apenas às leis da Mecânica Celeste, bem como todos os
seres que formam a Natureza desses mundos. É deste elemento
material que vamos especialmente tratar nesta síntese, ao mesmo
tempo que, à luz da Doutrina Espírita, procurar penetrar, por
pouco que seja, na origem e formação dos mundos. Chamemo-lo
simplesmente de matéria e tentemos defini-la.
Em um simples
esboço de definição, podemos dizer que matéria é tudo o que
existe constituindo o Universo físico, isto é, onde ocorrem os
fenômenos que afetam os nossos sentidos, estejam eles desarmados
ou armados com potentíssimos instrumentos ópticos - os
telescópios, espectroscópios, microscópios, os quais nos
possibilitam observações muito além do alcance natural de nossos
órgãos sensórios, levando-nos tanto aos gigantescos mundos,
estrelas e galáxias que enchem o espaço, como às mais íntimas
estruturas dos seres e das coisas no nosso mundo e de outros,
relativamente próximos da Terra. Mas é infinita a extensão do
Universo Material e, para estudar a matéria, a fim de bem
compreendê-la e defini-la, tem necessariamente o homem que
reduzir suas observações a porções limitadas da matéria que se
encontre a seu alcance, verificando a possibilidade de
generalizar os resultados das observações assim feitas a toda
matéria do Universo.
Ora, os corpos
embora tenham todos propriedades gerais que os identifiquem como
materiais, à mais simples e superficial observação, vê-se que
diferem, extraordinariamente uns dos outros, podendo apresentar
variedades de aspecto quase infinitas. Diferem em primeiro lugar
pelo estado físico, podendo apresentar-se no estado sólido,
liquido ou gasoso, ou ainda em estados intermediários, como o
pastoso ou o de vapor. Se nos ativermos agora somente aos corpos
sólidos, veremos que eles diferem pela forma exterior, e é
atendendo a essas diferentes formas com que os designaremos: um
cilindro, uma esfera, um cubo ou uma pirâmide; uma lâmina, uma
chapa, um fio ou um anel; uma grade, uma mesa, uma cadeira, uma
estante; árvore, erva, musgo, cogumelo, cão, gato, boi ou homem.
Mas, além da forma, também podem distinguir-se pelas dimensões,
e ninguém confundirá uma mesa de determinada forma e avantajado
tamanho com uma mesinha exatamente da mesma forma, mas com as
dimensões de um brinquedo de criança.
Há, porém, uma
terceira coisa que permite distinguir mais profundamente os
corpos uns dos outros. Vejamos: Consideremos cinco esferas
(portanto da mesma forma) e exatamente das mesmas dimensões.
Distingui-las-emos perfeitamente pela constatação de que uma,
por exemplo, é de vidro, outra de madeira, mais outra de ferro,
ainda outra de cobre e a última de marfim. Esta coisa que
permite distinguir dois ou mais corpos, ainda que tenham a mesma
forma e as mesmas dimensões chama-se a substância do corpo.
Dir-se-ia, assim, que cada corpo tem a sua substância individual
e unívoca, isto é, constituída de partes absolutamente iguais
umas às outras, formando o que se poderia chamar de um corpo
puro. Em realidade, entretanto, as coisas não são bem assim. O
estudo de diversas amostras de matéria provindas quer da
Natureza, quer da indústria humana, mostrou que somente algumas
podem efetivamente considerar-se substâncias puras, isto é,
espécies individuais de matéria caracterizadas por propriedades
específicas e invariáveis; enquanto que inúmeras outras, em
imensa maioria na Natureza, são constituídas de porções
diferentes, separáveis por processos apropriados, ditos de
análise imediata, mostrando que são, em verdade, misturas de
duas ou mais substâncias, misturas que podem ser mais ou menos
heterogêneas ou aparentemente homogêneas, conforme as dimensões
das partículas em que se encontram divididas as substâncias
misturadas. Corpos puros, isto é, formados de uma só substância
individual, isolada de qualquer outra, são raríssimos na
Natureza, podendo citar-se, como um dos pouquíssimos exemplos,
as amostras de quartzo hialino ou cristal de rocha, constituídas
de oxido de silício ou sílica, substancias que nessas amostras
se encontram em estado puro. A obtenção de corpos puros é obra
da indústria química, em quantidades consideráveis. Obtidos os
corpos puros, verificou a análise química, entretanto, que nem
todos são constituídos de princípios materiais indecomponíveis e
unívocos, revelando-se, ao contrário, a grande maioria,
decomponíveis em outras substâncias, as quais, por sua vez,
podem ainda decompor-se; ou não mais. Foram essas substâncias,
assim decomponíveis em duas ou mais outras, chamadas substâncias
compostas. Há, todavia, um pequeno número de substâncias
simples, isto é, indecomponíveis, delas não se podendo extrair
outras substâncias, senão elas próprias, mostrando que
constituem princípios elementares e unos, pelo que foram também
chamadas elementos químicos.
Cabe aqui, agora,
uma observação elucidativa. Os químicos antigos diziam corpos
simples, em vez de substâncias simples, estendendo as
propriedades das substâncias aos corpos que elas formam.
Abrangiam, assim, na mesma designação, corpo e substância, e que
não apresentava maior inconveniente, pois no corpo, quaisquer
que sejam sua forma e dimensões, se refletem evidentemente as
propriedades inerentes à substância que o forma. É por isso que
nos livros escritos por Allan Kardec aparece frequentemente a
expressão corpos simples e que em A Gênese, livro que ele
publicou em 1868, pode ler-se, em comunicação oriunda do
Espírito Galileu: “A Química, cujos progressos foram tão rápidos
depois da minha época, fez tábua rasa dos quatro elementos
primitivos que os antigos concordaram em reconhecer na
Natureza”.
Em compensação,
fez surgir considerável numero de princípios, até então
desconhecidos, que lhe pareceram formar, por determinadas
combinações, as diversas substâncias que ela estudou. Deu a
esses princípios o nome de corpos simples, indicando de tal modo
que os considera primitivos e indecomponíveis e que nenhuma
operação, até hoje, pode reduzi-los a frações relativamente mais
simples do que eles próprios.
Resumindo e
atualizando, pode dizer-se: A Química, até o momento, pôde
estabelecer a existência de um certo número de princípios
materiais primitivos e indecomponíveis, os elementos químicos,
os quais formam por si mesmos e isoladamente, ou combinados
entre si, todas as substancias dos corpos. Em número de 92 (os
elementos químicos naturais), escalonados desde o Hidrogênio,
que é o primeiro da escala, até o Urânio, que é o ultimo,
existem no estado atômico, ou seja: de corpúsculos chamados
átomos, tendo massa e volume ínfimos, variáveis conforme os
elementos, mas fixos e característicos para cada elemento. É
pela agregação desses átomos que se formam todas as substâncias
naturais ou industriais. Quando se agregam átomos de um só
elemento, formam-se substâncias simples; quando se combina
átomos de dois ou mais elementos, formam-se substâncias
compostas. Eis o que, em brevíssimo resumo, os químicos puderam
estabelecer. Mas onde os homens não podem ir com seus mais
poderosos instrumentos de análise, penetram os Espíritos
Superiores e nos vêm revelar que, além do estado denso, que
conhecemos no nosso mundo, a matéria reveste estados mais sutis
puramente fluídicos. Esses fluidos enchem todo o espaço,
originários, por sua vez, de uma substância elementar primitiva
e única, fluido universal ou matéria cósmica, que, em realidade,
é a fonte de que, por modificações e combinações variadíssimas,
provém tudo no Universo, mesmo a matéria mais densa.
Dignas de toda
consideração, pela beleza e verdade que encerram, são as
afirmações de Galileu Espírito, na comunicação já antes
referida: “À primeira vista, não há o que pareça tão
profundamente variado, nem tão essencialmente distinto, como as
diversas substâncias que compõem o mundo; entretanto, podemos
estabelecer como princípio absoluto que todas as substâncias,
conhecidas e desconhecidas, por mais dessemelhantes que pareçam,
quer do ponto de vista da constituição íntima, quer pelo prisma
de suas ações recíprocas, são, de fato, apenas modos diversos
sob que a matéria se apresenta; variedades em que ela se
transforma sob a direção das forças inumeráveis que a governam”.
“Há questões que
nós mesmos, Espíritos amantes da Ciência, não podemos aprofundar
e sobre as quais não poderemos emitir senão opiniões pessoais,
mais ou menos hipotéticas. A com que nos ocupamos, porém, não
pertence a esse número. Àqueles, portanto, que fossem tentados a
enxergar nas minhas palavras unicamente uma teoria ousada,
direi: abarcai, se for possível, com olhar investigador, a
multiplicidade das operações da Natureza e reconhecereis que, se
se não admitir a unidade da matéria, impossível será explicar,
já não direi somente os sóis e as esferas, mas, sem ir tão
longe, a germinação de uma semente na terra, ou a produção dum
inseto”.
“Se se observa tão
grande diversidade na matéria, é porque, sendo em número
ilimitado as forças que hão presidido às suas transformações e
as condições em que estas se produziram também as várias
combinações da matéria não podiam deixar de ser ilimitadas”.
“Logo, quer a
substância que se considere pertença aos fluidos propriamente
ditos, isto é, aos corpos imponderáveis, quer revista os
caracteres e as propriedades ordinárias da matéria, não há, em
todo o Universo, senão uma única substância primitiva: o cosmo
ou matéria cósmica dos uranógrafos”.
A ciência moderna
já se vai aproximando dessa grande verdade. O próprio átomo,
considerado a princípio como partícula última da matéria,
corpúsculo indivisível, uno, indissecável, sabe-se hoje que é um
complexo de partículas sub-atômicas, prótons, nêutrons e
elétrons - entre as fundamentais, e que se estruturam em número
e modo diferentes, conforme cada elemento químico.
Nos mundos como a
Terra, ao lado dos corpos materiais que formam o substrato
permanente do solo ou crosta terrestre, das águas, dos mares e
dos gases da sua atmosfera, há seres que apresentam um ciclo de
existência, isto é, que nascem, crescem, desenvolvem-se e
reproduzem-se, definham e morrem. São os seres vivos: vegetais e
animais. Nos seus corpos não há a estrutura simples e
relativamente homogênea de um mineral, mas a heterogeneidade de
uma organização complexa, órgãos que se associam em sistemas e
aparelhos, com vistas à realização das complexissimas funções
vitais. Os órgãos são formados por tecidos específicos, os
quais, por sua vez, resultam da associação de pequeninas
células. Caracterizam-se, assim, os seres vivos por sua
organização celular, havendo-os também unicelulares, isto é,
formados por uma só célula. A célula é a unidade vital e nela se
realizam, apesar de sua pequenez, por intermédio de orgânulos ou
corpúsculos celulares, todas as funções que caracterizam o ciclo
da vida, desde o nascimento até a morte meramente material; a
formação dos seres vivos obedece às mesmas leis químicas que
regulam a formação das substâncias minerais, quer dizer: as
substâncias orgânicas, que entram na constituição dos corpos
vegetais e animais, são formadas dos mesmos princípios ou
elementos químicos e obedecem, na sua formação, às mesmas leis
que regem a formação das substâncias orgânicas. Ora, sabemos
como se formam os compostos minerais: os elementos se combinam
obedecendo, em primeiro lugar, às afinidades existentes entre
eles e decorrentes das estruturas específicas de seus átomos; e,
em segundo lugar, às leis das combinações químicas, entre as
quais, sobrelevam a da conservação das massas (de Lavoisier) e a
das proporções definidas (de Proust).
Quando em dadas
condições, os elementos se combinam para formar um determinado
composto, as massas que se combinam não são quaisquer, mas
guardam entre si e com a massa do produto da reação, relações
constantes. Por exemplo: o hidrogênio e o oxigênio apresentam
grande afinidade química e em condições apropriadas se combinam
para formar água, também chamada protóxido de hidrogênio ou,
mais corretamente, monóxido de hidrogênio. Ao combinarem-se, as
suas massas guardam entre si uma relação invariável que,
expressa pelos menores números inteiros, isto é, na sua
expressão mais simples, é 1 para 8 (1:8).
Poderíamos
multiplicar os exemplos com as combinações binárias do oxigênio
com os metais, formando os óxidos metálicos, do flúor, cloro,
bromo, iodo e astato, formando os fluoretos, cloretos, brometos,
iodetos e astatetos, respectivamente, do enxofre, formando os
sulfetos, etc.; poderíamos considerar outros tipos de reações
químicas, como as de simples substituição de elementos em
substâncias compostas, as reações mútuas entre compostos, como
poderíamos considerar também outras leis das combinações
químicas.
O que queremos
ressaltar é que os compostos orgânicos se formam a partir dos
mesmos elementos químicos que entram na composição dos compostos
inorgânicos ou minerais e obedecendo às mesmas leis de
conservação e de proporcionalidade. Os compostos orgânicos
apresentam somente a particularidade de terem todos como
elemento primordial o carbono, vindo depois, em importância, o
hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio (azoto), em seguida o
enxofre, o ferro e outros metais e muitos outros elementos.
Dizendo, entretanto, que os compostos orgânicos se constituem
dos mesmos princípios elementares e obedecem às mesmas leis que
os compostos inorgânicos ou minerais, estamos nos referindo a
esses compostos considerados em si mesmos, isoladamente ou
apenas como substâncias individuais e específicas; não, porém,
como participantes dos conjuntos biológicos, nas células, nos
tecidos, órgãos e organismos, vegetais ou animais, porque aí
essas substâncias estão conjugadas numa integração funcional
para constituírem uma unidade viva, o que reclama evidentemente
uma força integradora. Essa força existe e é inerente a uma
substância sutil e altamente hierarquizada que se chama
princípio vital. É este princípio que comunica aos vegetais e
aos animais a vida orgânica, possibilitando-lhes o exercício de
todas as funções vitais.
O ser vivo, porém,
nunca se mostra desde o inicio da sua existência como o
conhecemos no indivíduo adulto. Vegetal ou animal, procede
sempre de um gérmen. Os germens são sistemas orgânicos
minúsculos, em que potencialidades funcionais se encontram em
estado latente, à espera de condições propícias de calor,
umidade, meio nutritivo apropriado, para eclodirem, determinando
o crescimento, o desenvolvimento e a multiplicação celular, de
modo que surja do gérmen o embrião, e do embrião o ser completo.
Foi a partir
desses germens que a vida apareceu na Terra. No começo, quando
tudo era ainda caos, os elementos se mantinham separados, em
sutilíssimo estado de fluidez e disseminados na imensidão do
Espaço. Pouco a pouco foram cessando as causas que os mantinham
afastados e eles se foram combinando, obedecendo às recíprocas
afinidades, de acordo com as condições que iam surgindo e
conforme as leis das combinações químicas. Formaram-se, assim,
todas as modalidades de matéria e até mesmo a matéria dos
germens das diversas espécies animais e vegetais. Só que neles a
vida permanecia ainda latente. Como as sementes e as crisálidas,
que permanecem inertes até que condições propícias lhes
proporcionem o fluido vital que lhes comuniquem o movimento da
vida. Uma vez formados a partir dos seus germens, os seres vivos
traziam em si mesmos, absorvidos, os elementos que poderiam
servir para a própria formação e passaram a transmiti-los,
plantas ou animais, segundo as leis da reprodução. Também a
espécie humana terá do mesmo modo surgido na Terra, que lhes
conteria na atmosfera ou na própria crosta os germens, é
possível que aí tenhamos o significado da expressão: “E criou
Deus o homem com o pó da terra”. São também muito instrutivas, a
esse respeito, as respostas que os Espíritos deram a Kardec,
quando lhes formulou as perguntas seguintes, com as quais
encerrou esta síntese: “Donde vieram para a Terra os seres
vivos?”. “A Terra lhes continha os germens, que aguardavam o
momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos
se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os
mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres
vivos. Estes germens permaneceram em estado latente de inércia,
como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento
propício ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas
reuniram, então, e se multiplicaram”. “A espécie humana se
encontrava entre os elementos orgânicos contidos no globo
terrestre?”. “Sim, e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que
se dissesse que o homem se formou do limo da terra”. “Se o
gérmen da espécie humana se encontrava entre os elementos
orgânicos do globo, por que não se formam espontaneamente
homens, como na origem dos tempos?”. “O princípio das coisas
está nos segredos de Deus. Entretanto, pode dizer-se que os
homens, uma vez espalhados pela Terra, absorveram em si mesmos,
os elementos necessários à sua própria formação, para os
transmitir segundo as leis da reprodução. O mesmo se deu com as
diferentes espécies dos seres vivos”.
Sabemos, pela revelação dos Espíritos Superiores, que ao criar
Deus o cosmo ou a matéria primitiva, estabeleceu também leis, a
ela inerentes, para reger as suas transformações. Essas leis são
em verdade meras diversificações de uma lei maior que a todas
abrange e resume. Tudo no Universo é atração e magnetismo. A
gravitação universal governa os movimentos dos mundos,
mantendo-os em suas órbitas, como a gravidade condiciona o peso
dos corpos, inexoravelmente atraindo-os para o centro da Terra;
a força de coesão atrai as moléculas das substâncias,
mantendo-as solidariamente unidas para as massas dos corpos, e a
de afinidade química preside à atração entre os átomos dos
diferentes elementos, mantendo-os ligados, combinados nos
compostos químicos.
Nada existiria,
entretanto, nem o cosmos, nem as forças cósmicas atuando na
formação dos mundos e dos seres, não fosse a Vontade Divina, por
cuja ação soberana, tudo em realidade se criou. O começo
absoluto das coisas, diz o Espírito Galileu, remonta, pois, a
Deus. As sucessivas aparições delas no domínio da existência
constitui a ordem da criação perpétua. Nada mais podemos avançar
senão que a matéria cósmica é a fonte eterna e imensa de onde
Deus, pelo seu pensamento e vontade faz surgirem os mundos e os
seres. A matéria cósmica primitiva continha e contém todos os
elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os mundos que
se formaram a continuam a formar-se, pois a criação continua
sempre.
Kardec perguntou
aos Espíritos prepostos à Codificação: “Poderemos conhecer o
modo de formação dos mundos?”. E eles responderam: “Tudo que a
esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos
se formam pela condensação da matéria disseminada no Espaço”.
Mas ele perguntou também se os mundos uma vez formados podem
desaparecer, disseminando-se no Espaço a matéria que os compõe,
e foi esta a resposta: “Sim, Deus renova os mundos, como renova
os seres vivos”.
Parece, pois, que
os mundos têm seus ciclos de formação, de evolução para que se
tornem moradas apropriadas aos seres que os deverão habitar, e
de desaparecimento, quando a matéria condensada de que se
constituíram se desagregará, voltando novamente ao estado
fluídico, retornando, assim, à fonte primitiva de onde saíra, o
Cosmo.
Para Meditar:
Ante a Lição
“Considera o que
te digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo”. Paulo.
(II Timóteo, 2:7).
Ante a exposição
da verdade, não te esquives à meditação sobre as luzes que
recebes.
Quem fita o céu,
de relance, sem contemplá-lo, não enxerga as estrelas; e quem
ouve uma sinfonia, sem abrir-lhe a acústica da alma, não lhe
percebe as notas divinas.
Debalde escutarás
a palavra inspirada de pregadores ardentes, se não descerrares o
coração para que o teu sentimento mergulhe na claridade bendita
daquela.
Inúmeros
seguidores do Evangelho se queixam da incapacidade de retenção
dos ensinos da Boa Nova, afirmando-se ineptos à frente das novas
revelações, e isto porque não dispensam maior trato à lição
ouvida, demorando-se longo tempo na província da distração e da
leviandade.
Quando a câmara
permanece sombria, somos nós quem desata o ferrolho à janela
para que o sol nos visite.
Dediquemos algum
esforço à graça da lição e a lição nos responderá com as suas
graças.
O apóstolo dos
gentios é claro na observação.
“Considera o que
te digo, porque, então, o Senhor te dará entendimento em tudo”.
Considerar
significa examinar, atender, refletir e apreciar.
Estejamos, pois,
convencidos de que, prestando atenção aos apontamentos do Código
da Vida Eterna, o Senhor, em retribuição à nossa boa-vontade,
dar-nos-á entendimento em tudo.
(“Fonte Viva”,
pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier).
Fontes de
consulta: O Livro dos Espíritos, questões 38,39,41,44,47 e 49.
“A Gênese”, Allan Kardec, Uranografia Geral, itens 3,
6,7,10,17,20, e 22.
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