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Idéias
Principais:
- A matéria
inerte, que constitui o reino mineral, só tem em si uma força
mecânica. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são
dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria
inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso,
uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a
consciência de sua existência e de suas individualidades. O
homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina
todas as outras classes por uma inteligência especial,
indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção
das coisas extra-materiais e o conhecimento de Deus.
- Tem o homem que
se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último
anel da animalidade na Terra. O homem, pelo físico, é como os
animais e menos bem dotado do que muitos destes. Reconhecei o
homem pela faculdade de pensar em Deus.
- Há entre a alma
dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia
entre a alma do homem e Deus.
- A alma dos
animais, após a morte, conserva sua individualidade, mas não a
consciência do seu eu.
Síntese do
Assunto:
Observando os
seres da Natureza, classificaram-nos os naturalistas em três
reinos: mineral, vegetal e animal, neste último incluíram também
o homem, considerando-o apenas do ponto de vista físico, isto é,
somente em seu corpo material. Este, realmente, é em tudo
semelhante aos dos animais superiores. Se considerado, porém, em
sua integralidade, distingue-se evidentemente o homem de todos
os outros seres pela sua inteligência e racionalidade. A
inteligência, que nele se acha superiormente desenvolvida,
possibilita-lhe uma atividade consciente altamente elaborada,
incluindo idéias e juízos, raciocínio lógico e pensamento
discursivo. No homem brilha, pois, a luz da razão, que não
existe no puro animal, e lhe faculta o conhecimento das leis
universais, e à qual se junta o senso moral, que o eleva ainda
mais acima dos outros seres, pela percepção também das leis
morais e a intuição de Deus. Destaca-se, portanto, dos animais,
nitidamente, o homem, por qualidades que não pertencem à
matéria, ao corpo do homem, sendo atributos do Espírito e
formando, na Natureza, um quarto reino: o hominal.
Feita essa
ressalva, a admitindo-se o homem como um ser à parte, podem,
realmente, considerar-se aqueles três reinos. Em outros termos:
além do homem racional e moral, existem no nosso mundo as pedras
ou minerais, as plantas ou vegetais e os animais irracionais.
Essa distinção entre os seres da Natureza, considerados os
animais como os representantes mais evoluídos dos três reinos, é
de tal modo intuitiva que desde muito entrou no entendimento
humano. Todavia, em análise profunda e observando-se os seres
mais simples dos extremos das três séries naturais, é-se
obrigado a reconhecer formas de transição de tal modo sutis que
entre elas se torna ambígua a definição absoluta dos três
reinos.
Há, porém, um
caráter distintivo, que não padece dúvida, entre os seres
minerais e os dos outros grupos: é a ausência de vida dos
minerais e a presença dela nos vegetais e animais. Por isso,
prefere-se a divisão mais simples que considera, de um lado, os
minerais, constituído os seres brutos ou inorgânicos, e de
outro, os vegetais e os animais reunidos para constituir o grupo
dos seres vivos ou orgânicos. A presença da vida traduz-se nos
vegetais e animais pela organização celular da matéria de seus
corpos e o correspondente aparecimento das grandes funções de
nutrição e de reprodução. Há uma infinidade de seres
constituídos de uma única célula. São seres unicelulares
vegetais - os protófitos, e animais - os protozoários. Mas em
seres progressivamente evoluídos, até os vegetais e animais
superiores (metáfitas e metazoários), as células microscópicas
se reúnem em tecidos, os tecidos em órgãos e estes em sistemas e
aparelhos orgânicos.
À pergunta 585 de
O Livro dos Espíritos: “Que pensais da divisão da Natureza em
três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e
a dos inorgânicos? Segundo alguns, a espécie humana forma uma
quarta classe. Qual destas divisões é preferível?” Os Espíritos
responderam: “Todas são boas, conforme o ponto de vista. Do
ponto de vista material, apenas há seres orgânicos e
inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro
graus”.
Os seres que
formam o reino mineral só manifestam uma força mecânica, isto é,
decorrente unicamente da matéria de que são formados. Apenas
existem, inertes e brutos, falece-lhes inteligência e vontade,
nem mesmo instintos revelam, o que prova que, se neles existe
algum princípio diferente da matéria, está completamente
abafado, dorme, em total estado de latência e inatividade. Há
belos e deslumbrantes minerais - o quartzo hialino - e as
diversas variedades coloridas - o rubi, o topázio, a esmeralda;
há o ouro rutilante em pepitas ou em filões, sais diversos
dissolvidos nas águas dos mares e dos rios, ou em minas
terrestres de sal gema, e outros; há preciosos minérios donde o
homem extrai economicamente os metais: rochas de belíssimo
aspecto, os gigantescos blocos de mármore branco de Carrara,
como irisados em cores várias, há o granito e o gnaisse, as
argilas branca e vermelha. Que variedade enorme de rochas e de
terras, que abundância de cristais, pertencentes a sistemas
diversíssimos, nos quais as leis da cristalografia refletem,
mesmo na Natureza assim inerte e bruta, a sabedoria divina e a
divina providência! Mas tudo isso, amorfo ou em facetadas
formas, fosco ou brilhante, dorme, não dando o menor sinal de
vida, muito menos de consciência ou sequer de instinto.
Os seres que
formam o reino vegetal existem, de certo modo também inertes e
brutos, sem inteligência nem vontade ativa, mas já apresentando,
embora fixos e sem poderem por si mesmos deslocar-se, o
movimento interior da vida, realizando um completo ciclo vital:
nascem crescem, nutrem-se, desenvolvem-se, reproduzem-se,
definham e morrem. É que, além da matéria densa, apresentam um
outro princípio sutil e dinâmico, o princípio vital, de que
deriva essa força prodigiosa que lhes comunica a vida. Tudo é
maravilhoso nesse mundo das plantas, em seu conjunto admirável,
desde os talófitos, cujo corpo vegetativo é um simples talo, sem
raízes (podendo apresentar rizóides), sem verdadeiro caule, sem
folhas nem frutos, seres rudimentares, entre os quais se
encontram as bactérias, algas e cogumelos; passando pelos
briófitos e os pteridófitos, estes já mais evoluídos, como se
pode ver nas belas cavalinhas e samambaias de múltiplos feitios
e portes até os espermatófitos que incluem já no topo da
escalada, os vegetais superiores, com raiz, caule, folhas e
frutos. Que variedade, então, de cores e sabores, e de valores
nutrientes, nessa multidão de seres que vão desde as ervas
pequeninas e os arbustos graciosos até as frondosas e
gigantescas árvores, os coqueiros altivos e as araucárias, as
figueiras copadas e os jacatirões floridos, os carvalhos...
Quanta manifestação de força e vida!
Entretanto, esses
seres não revelam também consciência alguma da sua existência,
não sentem prazeres ou dores, não têm verdadeiras percepções e
sentimentos; só têm vida orgânica, que exatamente lhes é
comunicada por sua união com o princípio vital. O Espiritismo
confirma essas idéias da Ciência, como podemos ver nas seguintes
questões de O Livro dos Espíritos: “Têm as plantas consciência
de que existem? Não, pois que não pensam; só têm vida orgânica”.
“Experimentam sensações? Sofrem, quando as mutilam? Recebem
impressões físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm
percepções. Conseguintemente, não têm a sensação da dor”. “Não
haverá nas plantas, como nos animais, um instinto de
conservação, que as induza a procurar o que lhes possa ser útil
e a evitar o que lhes possa ser nocivo? Há, se quiserdes, uma
espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao
significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente
mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois
corpos se reúnem é que um ao outro convém; quer dizer: é que há
entre eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome de instinto”.
Os seres que
formam o reino animal existem e vivem como os vegetais, mas
acrescentando-lhes o movimento e as sensações que os vegetais
não têm, sendo que nos animais superiores os movimentos são
livres e obedecem nitidamente à vontade, denotando também certo
grau de inteligência. Todavia, no animal ainda prevalece o
instinto; a inteligência ainda não tem a capacidade do
raciocínio.
Queremos,
entretanto, lembrar que, se pelo seu corpo material o homem se
assemelha aos animais, deles se distingue totalmente pela sua
natureza espiritual, pela sua alma, que lhes confere razão e
senso moral. Os Espíritos Superiores nos têm afirmado que há
entre a alma do homem e a do animal a mesma distância que há
entre o homem e Deus.
O homem não é um
simples animal, porque nele vibra, como ser essencial, um
Espírito, consciente, livre e responsável, destinado a realizar
na sua plenitude a pureza, a justiça, o amor e a caridade.
Querem uns que o
homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão
todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo
algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo
físico, é como os animais e menos bem dotado do que muitos
destes. A Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a
inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas
necessidades e para sua conservação. Seu corpo se destrói como o
dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um
destino que só ele pode compreender, porque só ele é
inteiramente livre. Reconhecei o homem pela faculdade de pensar
em Deus.
Há, ainda, uma
diferença que gostaríamos de assinalar entre os animais e o
homem: após a morte do corpo físico a alma dos animais conserva
sua individualidade; quanto a consciência do seu eu, não. A vida
inteligente lhe permanece em estado latente.
A alma do animal,
após a destruição do corpo físico, fica numa espécie de
erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não
é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e
obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe a
dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o
principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é
classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e
utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em
relação com outras criaturas.
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