|
Idéias
Principais:
A diversidade das
raças explica que “não é admissível a doutrina segundo a qual
todo o gênero humano proceda de uma individualidade única”.
“De acordo com o
ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou, se
quiserem, uma dessas colônias de Espíritos, vinda de outra
esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e,
por essa razão mesma, chamada raça adâmica”.
“Se os astros que
se harmonizam em seus vastos sistemas são habitados por
inteligências, não o são por seres desconhecidos uns dos outros,
mas, ao contrário, por seres que trazem marcado na fronte o
mesmo destino, que se hão de encontrar temporariamente, segundo
suas funções de vida, e encontrar de novo, segundo suas mútuas
simpatias. É a grande família dos Espíritos que povoam as terras
celestes”.
Síntese do Assunto
Ao lado da idéia
básica da existência de Deus, como inteligência Suprema, causa
primária de todas as coisas; da alma humana, como essência do
ser pensante, independente e autônoma; da sua preexistência ao
corpo físico, criada que foi por Deus simplesmente como
Espírito, o qual só posteriormente se une à matéria,
tornando-se, então, um Espírito Encarnado; da sua sobrevivência
à morte física voltando ao plano espiritual donde viera, ali
permanecendo por tempo mais ou menos longo, até nova encarnação;
da pluralidade das existências corporais em virtude da
necessidade da reencarnação para os Espíritos errantes; da
pureza espiritual e da perfeição como alvos supremos a atingir
pelos Espíritos em sua marcha ascensional, quando, depois de
atingidas, eles não mais encarnarão; ao lado desses princípios
básicos do Espiritismo, encontra-se também o da pluralidade dos
mundos habitados.
Na obra da Criação
Divina, entre os mundos destinados à encarnação de Espíritos em
estágios probatório e expiatório, encontra-se a Terra, como uma
das habitações do homem. No Universo imenso, muitos outros
mundos existem que abrigam humanidades semelhantes à nossa,
estando o homem terreno muito longe da condição de único ser
corpóreo dotado de racionalidade e senso moral.
O homem, pois, em
qualquer desses mundos tem dupla natureza: corporal e
espiritual. Pelo corpo, ele é transitório, partilha a natureza
dos outros seres vivos, que nascem, crescem, desenvolvem-se,
reproduzem-se, envelhecem e morrem; pelo Espírito, é imortal e
eterno, progride sempre, aproximando-se cada vez mais da
perfeição, que é o seu alvo supremo, na escala dos seres e dos
mundos.
Criado por Deus
simples e ignorante, dotado de liberdade e livre-arbítrio, sendo
tão apto a fazer o bem, quanto a fazer o mal, falível portanto,
sujeita-se o Espírito a encarnar e a reencarnar, atravessando
múltiplas existências corporais na Terra ou em outros mundos,
tantas quantas necessárias para ultimar sua depuração e seu
progresso.
Todo Espírito
encarnado, enquanto o corpo vive, estará de certo modo fixado no
mundo em que encarnou. Desencarnado, pela morte do corpo, ele
passa à condição de Espírito errante, que é exatamente aquele
ainda necessitado de reencarnar, para depurar-se e progredir. No
estado de erraticidade, o Espírito ainda pertence ao mundo onde
tem de encarnar, mas não está preso a ele; é mais livre, podendo
até mesmo visitar outros mundos, com a finalidade de
instruir-se.
A totalidade dos
Espíritos que se encontram no estado de erraticidade num dado
momento constitui a população espiritual ambiente da Terra. Essa
população não é fixa, pois, através das mortes e nascimentos,
ocorrem constantes emigrações do mundo corpóreo para o mundo
espiritual e imigrações do mundo espiritual para o mundo
corpóreo, acarretando constante modificação das populações
terrestre e espiritual.
Às vezes, ocorrem
renovações rápidas, seguindo processos de desencarnação em
massa. Tais alterações agudas na composição da população
espiritual terrestre, que certamente terão seus similares em
outros mundos, visam acelerar o progresso moral, que de outro
modo seria muito lento. Ao mesmo tempo em que permitem a
renovação de idéias e disposições, favorecem a erradicação
rápida e eficiente de costumes e tendências coletivas,
incompatíveis com os impositivos da lei do progresso.
Por outro lado, a
totalidade de Espíritos encarnados e desencarnados vinculada a
determinado mundo não permanece inalterada. A par das adições
proporcionadas pelo próprio processo evolutivo planetário,
ocorrem periodicamente intercâmbios (verdadeiras transfusões)
entre populações espirituais de diferentes mundos. Tais
processos de intercâmbio planetário ocorrem normalmente,
envolvendo pequenos contingentes de Espíritos que se deslocaram
muito, para além ou para aquém da média dos valores evolutivos
de seus meios espirituais originários. Mas, em proporções bem
menores, podem envolver grandes massas de Espíritos, quando os
preceitos evolucionários de caráter cósmico que nos regem os
destinos assim o exijam. Os mundos entre os quais tais fluxos
migratórios coletivos são possíveis acham-se aparentados nas
trilhas cósmicas da evolução: são como elos de uma mesma
corrente, ligando solidariamente os esforços dos Espíritos menos
evolvidos aos dos mais evolvidos no caminho da perfeição.
Kardec afirma
categoricamente em “A Gênese”, que tais grupos de Espíritos,
oriundos de processos evolucionários ambientados em outros
mundos, constituem raças de Espíritos diversas, as quais darão
origem a novas raças de homens, já que os corpos por eles usados
refletirão necessariamente o caráter que lhes é peculiar e se
expressarão em traços fenotípicos específicos. Embora os
mecanismos da raciação humana atendam a requisitos biológicos
próprios, tais como a adaptação, a mutação e a miscigenação, por
meio dos quais se explicam as modificações dos traços raciais
primários, esses conceitos são claramente insuficientes para dar
conta do surgimento dos traços primários em si mesmos. Assim é
que, nos estudos antropológicos e biológicos referentes à
questão das raças humanas não se poderá atingir um
equacionamento satisfatório enquanto não se tiver em vista a
intervenção do Espírito, na condição de elemento transcendente,
motivando e atribuindo significado a todo o acontecer biológico.
É sob esse prisma
que Kardec analisa a questão do surgimento das raças humanas:
“De acordo com o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes
imigrações, ou, se quiserem, uma dessas colônias de Espíritos,
vinda de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na
pessoa de Adão e, por essa razão mesma, chamada raça adâmica.
Quando ela aqui chegou, a Terra já estava povoada desde tempos
imemoriais”.
“Mais adiantada do
que as que a tinham precedido neste planeta, a raça adâmica é a
mais inteligente, a que impele ao progresso todas as outras. A
Gênese no-lo mostra, desde os seus primórdios, industriosa, apta
às artes e às ciências, sem haver passado aqui pela infância
espiritual, o que não se dá com as raças primitivas, mas
concorda com a opinião de que ela se compunha de Espíritos que
já tinham progredido bastante. Tudo prova que a raça adâmica não
é antiga na Terra e nada se opõe a que seja considerada como
habitando este globo desde apenas alguns milhares de anos”.
“Os mundos
progridem moralmente, pela purificação dos Espíritos que o
habitam. A felicidade neles está na razão direta da
predominância do bem sobre o mal e a predominância do bem
resulta do adiantamento moral dos Espíritos”.
“Logo que um mundo
tem chegado a um de seus períodos de transformação, a fim de
ascender na hierarquia dos mundos, operam-se mutações na sua
população encarnada e desencarnada. É quando se dão as grandes
emigrações e imigrações. Os que, apesar da sua inteligência e do
seu saber, perseveraram no mal, sempre revoltados contra Deus e
suas leis, se tornariam daí em diante um embaraço ao ulterior
progresso moral, uma causa permanente de perturbação para a
tranqüilidade e a felicidade dos bons, pelo que são excluídos da
humanidade a que até então pertenceram e tangidos para mundos
menos adiantados, onde aplicarão a inteligência e a intuição dos
conhecimentos que adquiriram ao progresso daqueles entre os
quais passam a viver, ao mesmo tempo que expiarão, por uma série
de existências penosas e por meio de árduo trabalho, suas
passadas faltas e seu voluntário endurecimento”.
“A raça adâmica
apresenta todos os caracteres de uma raça proscrita. Os
Espíritos que a integram foram exilados para a Terra, já
povoada, mas de homens primitivos, imersos na ignorância, que
aqueles tiveram por missão fazer progredir, levando-lhes as
luzes de uma inteligência desenvolvida. Sua superioridade
intelectual prova que o mundo donde vieram os Espíritos que a
compõem era mais adiantado do que a Terra. Havendo entrado esse
mundo numa nova fase de progresso e não tendo tais Espíritos
querido, pela sua obstinação, colocar-se à altura desse
progresso, lá estariam deslocados e constituiriam um obstáculo à
marcha providencial das coisas”.
“Relegando aquela raça para esta terra de labor e de sofrimento,
teve Deus razão para lhe dizer: Dela tirarás o alimento com o
suor da tua fronte. Na sua mansuetude, prometeu-lhe que lhe
enviaria um Salvador, isto é, um que a esclareceria sobre o
caminho que lhe cumpria tomar, para sair desse lugar de miséria,
e ganhar a felicidade dos eleitos. Esse Salvador Ele, com
efeito, lho enviou, na pessoa do Cristo, que lhe ensinou a lei
do amor e de caridade que ela desconhecia e que seria a
verdadeira ancora de salvação”.
Integralmente
concordantes com as colocações feitas por Kardec são os
comentários mais recentes de Emmanuel, em A Caminho da Luz: “Nos
mapas zodiacais observa-se desenhada uma grande estrela na
Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra
ou Capela”.
Há muitos
milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades
com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus
extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos
rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando
a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de
piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria
daquela humanidade.
As grandes
comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então,
localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no
crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na
dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes
conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o
progresso dos seus irmãos inferiores.
Foi assim que
Jesus recebeu, à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela
turba de seres sofredores e infelizes.
Com a sua palavra
sábia e compassiva, exortou essas almas desventuradas à
edificação da consciência pelo cumprimento dos deveres de
solidariedade e de amor, no esforço regenerador de si mesmas.
Abençoou-lhes as lágrimas santificadoras, fazendo-lhes sentir os
sagrados triunfos do futuro e prometendo-lhes a sua colaboração
cotidiana e a sua vinda no porvir.
Alguns seres
angustiados e aflitos reencarnariam no seio das raças ignorantes
e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos
distantes.
Aquelas almas
aflitas e atormentadas reencarnaram, proporcionalmente, onde se
haviam localizado as tribos e famílias primitivas, descendentes
dos primatas. Com a sua reencarnação no mundo terreno,
estabeleciam-se fatores definitivos na história etnológica dos
seres.
Um grande
acontecimento se verificara no planeta. Aqueles seres decaídos e
degradados, com o transcurso dos anos, reuniram-se em quatro
grandes grupos que se fixaram depois nos povos mais antigos,
obedecendo às afinidades sentimentais e lingüísticas que os
associavam na Constelação do Cocheiro. Unidos, novamente,
formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o
povo de Israel e as castas da Índia.
Dos árias descende
a maioria dos povos da família indo-européia; nessa descendência
é necessário incluir os latinos, os celtas e os gregos, além dos
germanos e dos eslavos.
As quatro grandes
massas de degradados formaram os pródromos de toda a organização
das civilizações futuras, introduzindo os mais largos benefícios
no seio da raça amarela nem da raça negra, que já existiam.
“Não se turbe o
vosso coração. - Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas
moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo
teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar”.
- “Depois que eu
me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos
retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí
estejais”. (João, 14: 1 a 3).
|