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INTRODUÇÃO
O afeto tem grande importância nos primeiros anos
de vida da criança. O equilíbrio emocional de nossos filhos e
seu sucesso na vida estão diretamente ligados ao afeto que eles
recebem nos seus primeiros anos.
Durante a gestação, é importante envolvermos o
feto com carinho, conversando com ele e demonstrando amor. Logo
após o nascimento da criança, é fundamental que demonstremos o
nosso amor por aquele ser que ali está, tratando-o com bastante
delicadeza, aconchegando-o ao nosso corpo. Ele precisa ser amado
e respeitado para crescer com o psiquismo saudável.
Embora pareça óbvio que um filho sempre seja
aceito, na verdade, muitos não são bem-vindos.
São numerosos os motivos pelos quais uma gravidez
não é desejada. Entre eles, podemos citar os casos de pais
solteiros, da criança que não é do sexo desejado, do casamento
que passa por uma crise, da família numerosa, das dificuldades
financeiras, dos filhos temporões etc.
A não aceitação da criança pelos pais poderá
torná-la um adulto descontente, com comportamento
auto-destrutivo e portador de crises depressivas.
A ausência do amor maternal e paternal poderá
trazer-lhe sensação de abandono. O fato de pensar que seus pais
lhe fizeram um favor deixando-o nascer, faz com que se sinta em
dívida constante para com eles.
A criança sente-se aceita através da energia
receptiva que se cria no lar. Mesmo que ela tenha sofrido a
experiência da rejeição durante a gestação, seus pais poderão
proporcionar-lhe mais tarde outra experiência mais positiva, a
experiência da aceitação. Isso poderá ser feito através do
contato físico, do colo, do olhar carinhoso e da presença firme
e meiga dos pais.
A criança, nessa etapa, necessita de pais
presentes e carinhosos, que saibam reconhecer as necessidades
dos filhos e desfrutem sua companhia.
No período da infância, a criança é mais
acessível às impressões que recebe, daí a importância do exemplo
e da educação cuidadosa para que ela se torne uma pessoa
equilibrada.
A PRESENÇA DO PAI
A presença do pai é fundamental para que a
chegada da criança ao mundo seja a melhor possível. A atenção
paterna é indispensável para que ela cresça forte e feliz. As
mães que possuem um bom relacionamento com o pai e contam com a
sua ajuda na educação do filho devem conscientizá-lo da
importância da sua colaboração nos cuidados para com o bebê.
Deve dividir com o marido algumas tarefas
diárias, como o banho, a troca de fraldas, a preparação da
mamadeira e a hora de dormir.
A mulher, com sua sensibilidade, pode conduzir o
pai a um relacionamento saudável para ambos. Em poucos dias ele
descobrirá as alegrias do relacionamento entre pai e filho. Essa
conquista trará para a família o equilíbrio espiritual.
O casal deve evitar discussões de qualquer
espécie em presença dos filhos, pois isso deixa marcas
indeléveis no psiquismo da criatura, que podem acompanhá-la pelo
resto de sua vida. O desequilíbrio familiar é fonte causadora de
muitos problemas de delinqüência juvenil, o que reforça nossa
responsabilidade diante dos nossos filhos e da sociedade. Não
nos esqueçamos de que o bebê capta com facilidade esses
transtornos da vida familiar e pode tornar-se irritado, agitado
e intranqüilo.
Os filhos de pais separados necessitam de um
cuidado especial na educação.
Caberá à mãe administrar a ausência do pai, de
forma a não prejudicar sua imagem, tão importante para a
formação do caráter da criança. Nunca se deve transferir um
problema que é dos pais para os filhos, usando-os para se
agredirem mutuamente. Os filhos não têm culpa dos erros que os
pais cometem e, acima de tudo, merecem respeito.
A CRIANÇA E SUA SOCIALIBILIZAÇÃO
É muito comum verificarmos a ocorrência de
proibições absurdas junto às crianças em termos de
comportamentos. Pessoas mal orientadas cobram delas bons modos,
boas maneiras e atitudes que ainda não possuem, devido à sua
imaturidade psicológica. Exigem que elas as obedeçam cegamente,
sem direito à liberdade de escolha e de preferência. Muitas
vezes são tratadas com autoritarismo e negligência. A autoridade
exercida em excesso traz resultados negativos, ocasionando
mentiras, ressentimentos ou conformismos cegos.
O ambiente familiar tem capital importância na
formação do caráter da criança, pois os pais são espelhos com os
quais ela se identifica. Quando a família segue padrões corretos
de honestidade e moralidade, os filhos também os adotarão.
Bons modos e respeito dependem muito mais do
exemplo do que da autoridade despótica. Se orientarmos de uma
maneira e agirmos de outra, a criança seguirá o nosso exemplo,
porque sua formação se dá em grande parte pela imitação das
atitudes familiares. Elogiar, aprovar e reforçar os bons hábitos
ajudará a criança a colocá-los em prática, quando estiver na
idade adequada.
É na primeira infância que deverão ser
despertadas as noções de respeito aos direitos do próximo.
O desenvolvimento da criança é gradativo e deve
ser observado atentamente pelos pais, para que se possam
corrigir os excessos, aceitando os comportamentos naturais que
fazem parte da fase em que a criança se encontra. Deve-se ter o
cuidado de não permitir que haja autoritarismo, superproteção ou
mesmo rejeição para com a criança. A demonstração de amor,
carinho, compreensão, firmeza e perspicácia muito ajudará para
que ela adquira segurança, condição fundamental para um
aprendizado satisfatório.
Até os dois anos de idade a criança está na fase
da descoberta dela mesma e do mundo em que vive. Ela descobre a
possibilidade de explorar o ambiente ao seu redor. Tocar nas
coisas, pegá-las ou simplesmente andar pelos cômodos da casa
criam na criança a consciência de sua capacidade de realizar.
Suas atitudes neste período são sempre no sentido de satisfazer
a curiosidade.
É importante que os pais as acompanhem em suas
descobertas, permitindo explorações, deixando-as brincar na
terra e no chão da sala. Que se esteja atento para que não
coloquem objetos perigosos na boca. Deixe-as, porém, tomarem
iniciativas.
Por volta dos 2 ou 3 anos a criança entra na fase
da imitação das atitudes familiares mais habituais e mostra-se
individualista. Pode-se observar que, apesar dela brincar ao
lado de outra criança, ainda não brinca conjuntamente. Neste
período devemos incentivá-las a dividir suas brincadeiras e
objetos com os irmãozinhos e amiguinhos para que não cresçam
egoístas. Se possuem dois objetos iguais, incentivemo-las a
ceder um para o outro, mostrando que pode perfeitamente
compartilhar sem grandes prejuízos para si.
A partir dos 3 anos inicia-se a aprendizagem
social, que se estende até aos 6 anos. Nesta fase, a criança
começa a definir sua identidade fazendo a pergunta: Quem sou eu?
Buscando resposta a esta questão, começa a
experimentar os relacionamentos sociais. Participa com outras
crianças de brincadeiras organizadas e já apresenta
manifestações dos atos de dar e receber.
Aos 4 anos já se pode perceber a cooperação entre
todos, a ponto de formarem espontaneamente seus grupos. Os
atritos e a agressividade existente entre eles nessa fase não
são motivos para preocupação quanto ao caráter da criança, mas
deve ser oportunidade para orientação. Trata-se de um estágio
onde ela começará a perceber que seus atos provocarão reações.
Descobre que se bater nas outras crianças, acaba ficando
sozinha. Se tratar bem os outros, eles gostarão de ficar com
ela. Se estudar, terá informações e com elas poderá desenvolver
novas habilidades.
O verdadeiro sentido do trabalho de equipe e o
companheirismo vão se revelando à medida que ela cresce. Por
volta dos dez anos, ela já se encontrará devidamente capacitada
para utilizar a técnica de atividades em grupo.
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