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INTRODUÇÃO
Ser mãe é o sonho de quase todas as mulheres. Mas
a concepção de um filho representa uma grande mudança na vida de
um casal. Ele deverá estar preparado, pois muitos dos seus
hábitos terão que ser modificados em função da chegada do bebê.
O amor que os une será compartilhado com um novo
ser que, a princípio, na dependência total dos pais, necessitará
de muita atenção, carinho e cuidados. Por isso, o ideal é que o
filho encontre o lar estruturado, onde os pais já tenham
desenvolvido seus projetos pessoais, e que sua chegada venha
complementar a vida do casal. Mas nem sempre isso é possível. As
condições sócio-culturais no nosso país facilitam a gravidez sem
planejamento.
O relacionamento entre pais e filhos é um valioso
instrumento para desenvolver a capacidade de doação que existe
no ser humano. A presença da criança no lar é uma fonte rica de
alegrias. Seu sorriso nos enternece, trazendo à tona a
sensibilidade de nossas almas.
A Doutrina Espírita ensina o princípio da
reencarnação, mostrando que a alma de nossos filhos não é criada
no momento da concepção, como normalmente se pensa. Ao
contrário, as pessoas são Espíritos imortais, momentaneamente
encarnadas, que já viveram muitas vidas e que viverão outras
tantas no caminho da perfeição. Nossos filhos, pois, essas doces
e angelicais criaturas que nos encantam, possuem histórias
vividas no passado. Trazem consigo suas boas e más inclinações e
cabe-nos a responsabilidade de reeducá-las, conduzindo-as no
caminho do bem.
GRAVIDEZ INESPERADA
Nem todos os casos de gravidez ocorrem dentro das
expectativas humanas desejadas. A própria dinâmica da vida
terrena nos dias de hoje tem facilitado a gravidez inesperada.
Ela pode acontecer junto a jovens solteiras e casais que ainda
não haviam planejado a vinda do bebê. Nessas circunstâncias, a
gravidez pode trazer um período de desequilíbrio à família,
principalmente nos casos em que a futura mamãe for solteira. No
entanto, a criança que está sendo preparada para vir ao mundo
não pode ser penalizada pelos atos impensados ou pelo descuido
dos adultos.
Obviamente, tudo deverá ser feito no sentido de
amenizar as dificuldades, de modo que a mulher grávida possa ter
a tranqüilidade necessária durante a gestação. O tempo se
encarregará de solucionar os transtornos iniciais. Com o
nascimento do filho, tudo voltará ao normal e a alegria
envolverá a todos.
OS DIREITOS DA CRIANÇA
-
Ser respeitada por todos;
-
Ser amada pelos pais,
irmãos, parentes e amigos;
-
Freqüentar a escola e
receber atenção dos professores;
-
Ser bem tratada recebendo
alimentos e roupas;
-
Receber assistência médica;
-
Ser feliz.
Podemos facilitar a aquisição desses direitos à
criança, avaliando os seguintes aspectos na influência de seu
processo educativo:
-
O Amor
-
A condição de vida
-
A educação
O amor:
os cuidados na orientação, formação física e
emocional da criança são um grande testemunho de amor. Como
devemos educar os nossos filhos? Esta é a preocupação da maioria
dos pais. O melhor método para ensinar é o exemplo. Não adianta
falarmos de um jeito e agirmos de outro. A criança observa todos
os nossos atos e nos imitará na maioria deles. O diálogo é um
bom recurso na educação, fornece os elementos que ensinam a
criança a pensar, levando-a a agir de maneira coerente.
A criança, quando é amada e orientada, crescerá
consciente da responsabilidade que possui diante da vida e tudo
fará para contribuir com a sociedade, empenhando-se na
construção de um futuro melhor.
A religião é a bússola que deve ajudar nossos
filhos a caminhar neste mundo tão conturbado. Quando estamos
distanciados das coisas do Espírito, acabamos por nos envolver
de maneira indevida com as preocupações materiais,
valorizando-as excessivamente, prejudicando a experiência
reencarnatória.
Devemos ensinar à criança o amor a Deus e à
pátria; valorizar os laços da família e levá-la a compreender e
aceitar com naturalidade sua encarnação no berço que a recebeu.
Devemos ajudá-la a amar o trabalho e a buscar melhoria através
do esforço pessoal.
O orgulho e a inveja, se despertados no coração
da criança, serão uma fonte de desequilíbrio, tornando-as
criaturas revoltadas com a sociedade e sofridas diante de Deus.
O Espírito aprende a amar sendo amado e a ser justo vendo o bom
exemplo dos que o orientam e educam.
Observemos algumas regras de orientação:
-
Corrigir a criança no
momento certo, usando o diálogo como instrumento de educação;
-
Evitar intimidar a criança
com a figura do pai, usando frases como "quando o seu pai
chegar, você vai ver" etc. Tal atitude só servirá para colocar
temor nas crianças e desrespeito pela imagem paterna;
-
Tirar a criança de uma
peraltice, estimulando-a com um outro tipo de brincadeira.
Nunca usar reprimendas físicas nestes momentos, mas aproveitar
a oportunidade para ensinar;
-
Saber que existem algumas
fases de comportamento crítico, que fazem parte do próprio
desenvolvimento da criança e que passam com o tempo.
A condição de vida:
para se ter uma boa saúde é preciso contarmos com uma boa
alimentação. As crianças, no entanto, precisam mais de alimentos
do que os adultos, pois estão em fase de crescimento. Uma boa
alimentação começa na escolha da comida, exigindo cuidados e
higiene no seu preparo. Todos os alimentos precisam ser
preparados de forma adequada para serem consumidos. Eles deverão
conter vitaminas, proteínas e sais minerais suficientes para o
bom desenvolvimento físico e mental do organismo. Nos bebês até
6 meses, o leite materno exclusivo será suficiente para a
alimentação. A partir dessa idade, deverá ser introduzida a
alimentação pastosa, feita com legumes e frutas. Nas primeiras
refeições do bebê, procure seguir as orientações do pediatra.
No acompanhamento da criança, outros fatores
deverão ser observados com cuidado, de modo a garantir o
desenvolvimento saudável do corpo e da mente. Citaremos abaixo
alguns exemplos:
-
Manter a saúde bucal:
a criança deverá ser ensinada a escovar os dentes após as
refeições e visitar o dentista periodicamente. Os dentes devem
estar em boas condições para efetuar sua função mastigatória;
-
Mastigar bem os alimentos:
os dentes possuem a função de cortar e triturar o alimento,
preparando-o para que o estômago não sofra sobrecarga na sua
função digestiva. Nossos filhos precisam compreender esses
mecanismos para que a mastigação adequada seja para eles um
processo natural;
-
Beber água filtrada ou
fervida: a água
pode conter impurezas e micróbios que provocam doenças. Por
isto, ela deve ser fervida ou filtrada para matar ou eliminar
microrganismos responsáveis pelos quadros de diarréia e
vômitos, que levam muitas vezes a desidratações;
-
Lavar os alimentos:
as frutas e verduras precisam ser bem lavadas e as carnes bem
cozidas. Tudo deverá ser feito para proteger os alimentos
contra as moscas, a poeira e larvas de insetos, evitando a
contaminação e o conseqüente aparecimento das doenças que
impedem o desenvolvimento normal da criança.
Para a complementação destes itens são
necessários alguns cuidados básicos com o corpo, tais como:
-
Tomar banho diariamente:
o saudável hábito de tomar banho diariamente conduz a um
estado de bem estar, mantendo os poros da pele livres de
poeiras, suores e bactérias, facilitando sua melhor
oxigenação.
-
Cortar cabelos e unhas:
as unhas e cabelos devem ser cortados regularmente. Unhas
compridas acumulam sujeiras e bactérias, facilitando a auto
contaminação. Cabelos compridos e mal cuidados contribuem para
uma má aparência e oferecem morada a piolhos e fungos.
-
Usar calçados:
os ancilóstomos causam a doença conhecida popularmente como
"amarelão". Estes vermes podem entrar no organismo quando a
criança anda descalça sobre a terra. Quando a criança adquire
o "amarelão", ela apresenta-se fraca, pálida e sonolenta.
-
Lavar as mãos antes das
refeições: nossos
filhos devem ser educados para lavar as mãos antes de qualquer
refeição e após usar o banheiro. Esses cuidados servem para
evitar a contaminação de verminoses, muito comuns em quase
todas as regiões do país.
A educação:
a responsabilidade na formação física, moral e intelectual da
criança está nas mãos da família e da escola.
Na família, as noções religiosas fundamentadas no
cristianismo, o bom exemplo diante da vida e o equilíbrio do lar
são fatores que constituem a base da boa educação. O período
infantil, em sua primeira fase, que vai do zero aos 7 anos de
idade, é o mais propício à assimilação dos princípios educativos
Até os sete anos, o Espírito ainda se encontra em
fase de adaptação para a nova existência a ser vivenciada no
mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita
entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano
espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais
suscetível de renovar o caráter e estabelecer um novo caminho na
sua trajetória evolutiva. Para isso, precisa encontrar em seus
pais, verdadeiros representantes da instituição familiar.
O papel da religião é o de ensinar as leis que
regem a vida, nutrindo o coração infantil com a crença, com a
bondade, com a esperança e com a fé em Deus.
Esses ensinamentos evitarão a revolta da criança
junto à sociedade, desviando-a do mundo do crime, das drogas e
do erro, fatos que levam à destruição da abençoada oportunidade
evolutiva, concedida pelo Criador. As dificuldades comuns à
existência de todos nós precisam ser vencidas pela criança com
esforço próprio, dedicação e boa vontade. Só assim se cresce
diante dos homens e de Deus.
A escola é o segundo lar. Nela, a criatura deve
receber as bases do sentimento, do caráter e da cidadania. O
aprendizado escolar deixará a criança preparada para enfrentar a
vida, oferecendo-lhe oportunidade para o crescimento intelectual
e material. Com o relacionamento entre os amigos aprenderá a
viver em comunidade. Nela, o Espírito aprenderá a compartilhar
suas coisas com o próximo, sociabilizando-se. Os
estabelecimentos de ensino podem instruir, mas cabe ao lar o
papel principal de edificar o homem.
FORMAÇÃO MORAL DA CRIANÇA
A oração e o amor a Deus:
a prece é a elevação dos padrões mentais
vibratórios. Liga o Espírito encarnado às fontes eternas do Bem.
A oração tem o poder de ajudar as criaturas a equilibrarem-se em
períodos de transtornos. É um hábito que deve ser condicionado
desde a infância.
Amar a Deus sobre todas as coisas é o maior
mandamento da Lei. A confiança em Deus ajudará a criança nos
momentos difíceis, livrando-a da revolta.
O respeito aos mais velhos:
honrar pai e mãe é também um dos mandamentos de Deus. Respeitar
os mais velhos é uma atitude que faz parte da boa educação. Eles
possuem a experiência de muitos anos; um patrimônio que deve ser
respeitado e aproveitado pelos mais jovens.
O respeito ao próximo:
nos países subdesenvolvidos, é comum confundir-se
o estado de direito com o desrespeito ao próximo. No Brasil, a
educação social ainda é muito deficitária. Por este motivo, os
pais devem esforçar-se por ensinar as crianças a respeitar os
direitos e a propriedade alheia. Mostrar-lhes que a vida em
sociedade compreende direitos e deveres e que os nossos direitos
terminam quando começam os do nosso próximo.
Abolir hábitos grosseiros:
nos países mais civilizados há intensa campanha na tentativa de
se abolir os costumes grosseiros da conduta social. Podemos
considerar hábitos nocivos à vida individual e coletiva o uso do
cigarro, das bebidas alcoólicas, das drogas, de palavrões e
gírias chulas. Todo pai consciente tem o dever de alertar a
criança quanto ao prejuízo que esses vícios causam à saúde
física e mental, constituindo-se em obstáculos à realização
pessoal e à felicidade das pessoas.
Respeitar as coisas públicas:
o vandalismo é um dos hábitos mais nocivos à vida social, comum
em nosso tempo. Quando se destrói um bem público, está se
destruindo o que é de todos. Os vândalos se formam no período de
infância. Pais e professores precisam desenvolver grande esforço
para ensinar aos jovens o respeito às coisas públicas e o amor à
sua pátria. As praças públicas, as ruas, calçadas e telefones
públicos são bens que proporcionam comodidade e lazer a todos.
Ninguém tem o direito de destruí-los em nome de falsas
liberdades.
Lembrete:
pais, evitem discussões e brigas na presença de seus filhos.
Isto fará com que eles percam o respeito moral que naturalmente
possuem por vocês. É importante lembrar que, muito mais do que
nas palavras, o ensinamento deve ser pautado no bom exemplo.
DEVERES DA CRIANÇA
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Amar a Deus e procurar obedecer
as suas leis morais;
-
Amar e respeitar seus pais,
irmãos, parentes e amigos;
-
Amar a pátria onde vive e
respeitar suas leis civis;
-
Freqüentar a escola e estudar
para um dia ser útil aos outros;
-
Conservar as suas coisas
pessoais.
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