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1. Conhecimento do
princípio das coisas. - 2. Espírito e matéria. - 3. Propriedades
da matéria. - 4. Espaço universal.
Conhecimento do
Princípio das Coisas
17. É dado ao homem conhecer o princípio das coisas?
“Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste
mundo.”
18. Penetrará o
homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas?
“O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura; mas,
para compreender certas coisas, são-lhe precisas faculdades que
ainda não possui.”
19. Não pode o
homem, pelas investigações científicas, penetrar alguns dos
segredos da Natureza?
“A Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as
coisas; ele, porém, não pode ultrapassar os limites que Deus
estabeleceu.”
Quanto mais
consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior
admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador.
Entretanto, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria
inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre
sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos errou tomou por
verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras
tantas decepções para o seu orgulho.
20. Dado é ao
homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência,
comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao
testemunho dos sentidos?
“Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à ciência
não é dado apreender.”
Por essas
comunicações é que o homem adquire, dentro de certos limites, o
conhecimento do seu passado e do seu futuro.
Espírito e
Matéria
21. A matéria
existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por Ele
em dado momento?
“Só Deus o sabe. Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve
indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade nunca esteve
inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de Sua
ação, podereis concebê-Lo ocioso, um momento que seja?”
22. Define-se
geralmente a matéria como sendo - o que tem extensão, o que é
capaz de nos impressionar os sentidos, o que é impenetrável. São
exatas estas definições?
“Do vosso ponto de vista, elas o são, porque não falais senão do
que conheceis. Mas a matéria existe em estados que ignorais.
Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão
vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós,
porém, não o seria.”
a) - Que definição podeis dar da matéria?
“A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de
que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua
ação.”
Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o agente, o
intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o
Espírito.
23. Que é o
Espírito?
“O princípio inteligente do Universo.”
a) - Qual a natureza íntima do Espírito?
“Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para
vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é
alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não
existe.”
24. Espírito é
sinônimo de inteligência?
“A inteligência é um atributo essencial do Espírito. Uma e
outro, porém, se
confundem num princípio comum, de sorte que, para vós, são a
mesma coisa.”
25. O Espírito
independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as
cores o são da luz e o som o é do ar?
“São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da
matéria é necessária para intelectualizar a matéria.”
a) - Essa união é igualmente necessária para a manifestação do
Espírito?
(Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência,
abstração feita das individualidades que por esse nome se
designam.)
“É necessária a vós outros, porque não tendes organização apta a
perceber o Espírito sem a matéria. A isto não são apropriados os
vossos sentidos.”
26. Poder-se-á
conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?
“Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento.”
27. Há então dois
elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?
“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas.
Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que
existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem
que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de
intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita,
por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação
sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito
classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste
por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse
positivamente matéria, razão não haveria para que também o
Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a
matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas
inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de
produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis
uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou
elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o
princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de
divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe
dá.”
a) - Esse fluido será o que designamos pelo nome de
eletricidade?
“Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que
chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do
fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria
mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar
independente.”
28. Pois que o
Espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos
sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais as designações
de - matéria inerte e matéria inteligente?
“As palavras pouco nos importam. Compete-vos a vós formular a
vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas
controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes
acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa
linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos.”
Um fato patente
domina todas as hipóteses: vemos matéria destituída de
inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da
matéria. A origem e a conexão destas duas coisas nos são
desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos
de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência
própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo,
conforme à opinião de alguns, uma emanação da Divindade,
ignoramos.
Elas se nos
mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os
dois princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo
isso uma inteligência que domina todas as outras, que as
governa, que se distingue delas por atributos essenciais. A essa
inteligência suprema é que chamamos Deus.
Propriedades da
Matéria
29. A
ponderabilidade é um atributo essencial da matéria?
“Da matéria como a entendeis, sim; não, porém, da matéria
considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que
constitui esse fluido vos é imponderável. Nem por isso,
entretanto, deixa de ser o princípio da vossa matéria pesada.”
A gravidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de
atração dos mundos, não há peso, do mesmo modo que não há alto
nem baixo.
30. A matéria é
formada de um só ou de muitos elementos?
“De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples
não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria
primitiva.”
31. Donde se
originam as diversas propriedades da matéria?
“São modificações que as moléculas elementares sofrem, por
efeito da sua união, em certas circunstâncias.”
32. De acordo com
o que vindes de dizer, os sabores, os odores, as cores, o som,
as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de
modificações de uma única substância primitiva?
“Sem dúvida e que só existem devido à disposição dos órgãos
destinados a percebê-las.”
A demonstração deste princípio se encontra no fato de que nem
todos percebemos as qualidades dos corpos do mesmo modo:
enquanto que uma coisa agrada ao gosto de um, para o de outro é
detestável; o que uns vêem azul, outros vêem vermelho; o que
para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar.
33. A mesma
matéria elementar é suscetível de experimentar todas as
modificações e de adquirir todas as propriedades?
“Sim e é isso o que se deve entender, quando dizemos que tudo
está em tudo!” (1)
(1) Este princípio
explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores e que
consiste em dar-se, pela ação da vontade, a uma substância
qualquer, à água, por exemplo, propriedades muito diversas: um
gosto determinado e até as qualidades ativas de outras
substâncias. Desde que não há mais de um elemento primitivo e
que as propriedades dos diferentes corpos são apenas
modificações desse elemento. o que se segue é que a mais
inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais
deletéria. Assim, a água, que se compõe de uma parte de oxigênio
e de duas de hidrogênio, se torna corrosiva, duplicando-se a
proporção do oxigênio. Transformação análoga, se pode produzir
por meio de ação magnética dirigida pela vontade.
O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos
que consideramos simples são meras modificações de uma
substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda nos
achamos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria
primária, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e
podemos, sem maiores conseqüências, tê-los como tais, até nova
ordem.
a) - Não parece que esta teoria dá razão aos que não admitem na
matéria senão duas propriedades essenciais: a força e o
movimento, entendendo que todas as demais propriedades não
passam de efeitos secundários, que variam conforme à intensidade
da força e à direção do movimento?
“É acertada essa opinião. Falta somente acrescentar: e conforme
à disposição das moléculas, como o mostra, por exemplo, um corpo
opaco, que pode tornar-se transparente e vice-versa.”
34. As moléculas
têm forma determinada?
“Certamente, as moléculas têm uma forma, porém não sois capazes
de apreciá-la.”
a) - Essa forma é constante ou variável?
“Constante a das moléculas elementares primitivas; variável a
das moléculas secundárias, que mais não são do que
aglomerações das primeiras. porque, o que chamais molécula longe
ainda está da molécula elementar.”
Espaço
Universal
35. O Espaço
universal é infinito ou limitado?
“Infinito. Supõe-no limitado: que haverá para lá de seus
limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a
razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o
infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que
vos achais que podereis compreendê-lo.”
Supondo-se um limite ao Espaço, por mais distante que a
imaginação o coloque, a razão diz que além desse limite alguma
coisa há e assim, gradativamente, até ao infinito, porquanto,
embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria
Espaço.
36. O vácuo
absoluto existe em alguma parte no Espaço universal?
“Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por
matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”
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