O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Na Luz do Trabalho

Autor:
Chico Xavier (médium)
Emmanuel (espírito)

Fonte:
Livro: Opinião Espírita

DOUTRINA

   

Quando os Espíritos adquiriram, sobre um mundo, a soma do progresso que o estado desse Mundo comporta, deixam-no para se encarnarem num outro mais avançado, onde adquirem novos conhecimentos, e assim por diante até que, não lhes sendo mais útil a encarnação num corpo material, onde progridem ainda num outro sentido e por outros meios. Chegados ao ponto culminante do progresso, gozam da suprema felicidade; admitidos nos conselhos do Todo-Poderoso, têm seu pensamento, tornam-se seus mensageiros, seus ministros diretos para o governo dos mundos, tendo sob suas ordens os Espíritos em diferentes graus de adiantamento.

Assim, todos os Espíritos, encarnados ou desencarnados, em qualquer grau da hierarquia a que pertençam, desde o menor ao maior, têm as suas atribuições no grande mecanismo do Universo; todos são úteis ao conjunto, ao mesmo tempo em que são úteis a si mesmos; aos menos avançados, como a de simples operários, incumbe uma tarefa material, de inicio inconsciente, depois gradativamente inteligente. Por toda a parte, a atividade no mundo espiritual, em nenhuma parte a ociosidade inútil.

A coletividade dos Espíritos, de alguma sorte, é a alma do Universo; é o elemento espiritual que age em tudo e por toda a parte, sob o impulso do pensamento divino. Sem esse elemento, não há senão a matéria inerte, sem objetivo, sem inteligência, sem outro motor que as forças materiais que deixam uma multidão de problemas insolúveis; pela ação do elemento espiritual individualizado, tudo tem um objetivo, uma razão de ser, tudo se explica; eis porque, sem a espiritualidade, tropeça-se com dificuldades insuperáveis.

“A Gênese” - Capitulo XI, item 28).

 

Na Luz do Trabalho

Beneficência é também agradecer o trabalho alheio e caminhar construindo.

Quando transites na estrada, lança um pensamento de gratidão aos que se feriram nas lajes para que a tivesses; fartando-te à mesa, lembra as dilacerações do lavrador que tratou a semente para que o pão te regalasse; no lar, recorda os que te levantaram o agasalho doméstico, muitas vezes, à custa da própria vida; no simples copo de água que te aplaque a sede, podes meditar nos braços que se conjugaram, em múltiplas tarefas, a fim de que a recolhesses, pura, no filtro...

Em toda parte, inclina-se a vida, à frente de nós, amparando-nos, atenta, de modo a que aprendamos dela o dom de servir.

Não há fruto que apareça maduro.

Humilde molho de maravalhas que te garanta o lume, exigiu a laboriosa atividade da Criação.

Tudo que existe de útil reclamou humildade, disciplina, constância, paciência.

A Sabedoria Divina tudo dispôs para que os grandes e os pequenos se entrelacem, na sustentação do bem eterno, conservando cada qual em seu nível de distinção.

O sol alimenta o verme. O verme aduba a terra.

A planta nutre o sábio. O sábio ergue a escola.

Por mais brilhe a estrela no firmamento, a estrela não faz o papel da flor que perfuma e o oceano imponente não substitui o regato, que canta ignorado nas entranhas da gleba, para que o vale se coroe de verdura.

Tudo se esforça, junto de nós, para que a alegria nos sobeje, além do necessário.

Se já atingiste o discernimento iluminado pela convicção da imortalidade, possuis bastante acústica no raciocínio para assinalar o apelo constante da vida: trabalha, trabalha!...

Se já sabes que outros mundos se erguem a este mundo por degraus de evolução, não desconheces que o teu merecimento, aqui ou além, será medido por tuas obras.

Não te dês, assim, ao logro do desânimo e nem te confies ao perigoso luxo do tédio.

Reflitamos nas forças do Universo, que nos servem infatigavelmente sem perguntar, e para que a beneficência se nos alteie, genuína, do coração, trabalhemos e trabalhemos.