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Quando os
Espíritos adquiriram, sobre um mundo, a soma do progresso que o
estado desse Mundo comporta, deixam-no para se encarnarem num
outro mais avançado, onde adquirem novos conhecimentos, e assim
por diante até que, não lhes sendo mais útil a encarnação num
corpo material, onde progridem ainda num outro sentido e por
outros meios. Chegados ao ponto culminante do progresso, gozam
da suprema felicidade; admitidos nos conselhos do Todo-Poderoso,
têm seu pensamento, tornam-se seus mensageiros, seus ministros
diretos para o governo dos mundos, tendo sob suas ordens os
Espíritos em diferentes graus de adiantamento.
Assim, todos os
Espíritos, encarnados ou desencarnados, em qualquer grau da
hierarquia a que pertençam, desde o menor ao maior, têm as suas
atribuições no grande mecanismo do Universo; todos são úteis ao
conjunto, ao mesmo tempo em que são úteis a si mesmos; aos menos
avançados, como a de simples operários, incumbe uma tarefa
material, de inicio inconsciente, depois gradativamente
inteligente. Por toda a parte, a atividade no mundo espiritual,
em nenhuma parte a ociosidade inútil.
A coletividade dos
Espíritos, de alguma sorte, é a alma do Universo; é o elemento
espiritual que age em tudo e por toda a parte, sob o impulso do
pensamento divino. Sem esse elemento, não há senão a matéria
inerte, sem objetivo, sem inteligência, sem outro motor que as
forças materiais que deixam uma multidão de problemas
insolúveis; pela ação do elemento espiritual individualizado,
tudo tem um objetivo, uma razão de ser, tudo se explica; eis
porque, sem a espiritualidade, tropeça-se com dificuldades
insuperáveis.
“A Gênese” -
Capitulo XI, item 28).
Na Luz do Trabalho
Beneficência é
também agradecer o trabalho alheio e caminhar construindo.
Quando transites
na estrada, lança um pensamento de gratidão aos que se feriram
nas lajes para que a tivesses; fartando-te à mesa, lembra as
dilacerações do lavrador que tratou a semente para que o pão te
regalasse; no lar, recorda os que te levantaram o agasalho
doméstico, muitas vezes, à custa da própria vida; no simples
copo de água que te aplaque a sede, podes meditar nos braços que
se conjugaram, em múltiplas tarefas, a fim de que a recolhesses,
pura, no filtro...
Em toda parte,
inclina-se a vida, à frente de nós, amparando-nos, atenta, de
modo a que aprendamos dela o dom de servir.
Não há fruto que
apareça maduro.
Humilde molho de
maravalhas que te garanta o lume, exigiu a laboriosa atividade da
Criação.
Tudo que existe de
útil reclamou humildade, disciplina, constância, paciência.
A Sabedoria Divina
tudo dispôs para que os grandes e os pequenos se entrelacem, na
sustentação do bem eterno, conservando cada qual em seu nível de
distinção.
O sol alimenta o
verme. O verme aduba a terra.
A planta nutre o
sábio. O sábio ergue a escola.
Por mais brilhe a
estrela no firmamento, a estrela não faz o papel da flor que
perfuma e o oceano imponente não substitui o regato, que canta
ignorado nas entranhas da gleba, para que o vale se coroe de
verdura.
Tudo se esforça,
junto de nós, para que a alegria nos sobeje, além do necessário.
Se já atingiste o
discernimento iluminado pela convicção da imortalidade, possuis
bastante acústica no raciocínio para assinalar o apelo constante
da vida: trabalha, trabalha!...
Se já sabes que
outros mundos se erguem a este mundo por degraus de evolução,
não desconheces que o teu merecimento, aqui ou além, será medido
por tuas obras.
Não te dês, assim,
ao logro do desânimo e nem te confies ao perigoso luxo do tédio.
Reflitamos nas
forças do Universo, que nos servem infatigavelmente sem
perguntar, e para que a beneficência se nos alteie, genuína, do
coração, trabalhemos e trabalhemos.
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