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Allan Kardec – “O
Livro dos Espíritos”, Questão 781.
- É dado ao homem o poder de deter a marcha do progresso?
- Não, mas o de o entravar algumas vezes.
- Que pensar dos
homens que tentam deter a marcha do progresso e de fazer a
Humanidade retrogradar?
- Pobres seres que Deus castigará. Eles serão transportados
pelas torrentes que querem deter.
(O progresso,
sendo uma condição da natureza humana, não está ao alcance de
ninguém a ele se opor. É uma força viva que as más leis podem
retardar, mas não sufocar. Quando essas leis se lhe tornam
incompatíveis, ele as afasta com todos aqueles que tentam
mantê-las, e assim o será até que o homem tenha colocado suas
leis em conformidade com a justiça divina, que quer o bem para
todos, e não leis feitas para o forte, em prejuízo do fraco).
Perseguidos
Batido no ideal de
bem fazer, desculpa e avança à frente.
Açoitado no
coração, enxuga as lágrimas e segue adiante.
A indulgência é a
vitória da vítima e o olvido de todo mal é a resposta do justo.
Acúleos despontam
no corpo da haste verde, mas a rosa, em silêncio, floresce,
triunfante, por cima deles, enviando perfume ao céu.
Sombras da noite
envolvem a paisagem terrestre na escuridão do nadir; todavia, o
Sol, sem palavras, expulsa as trevas, cada manhã, recuperando-a
para a alegria da luz.
Lembra-te dos
perseguidos sem causa, que se refugiaram na paz da consciência,
em todas as épocas.
Sócrates bebe a
cicuta que lhe impõem à boca; entretanto, ergue-se à culminância
da filosofia.
Estevão morre sob
pedradas, abrindo caminho a três séculos de flagelação contra o
Cristianismo nascente; contudo, faz-se o padrão do heroísmo e da
resistência dos mártires que transformam o mundo.
Gutenberg é
processado como devedor relapso, mas cria a imprensa, desfazendo
o nevoeiro medieval.
Jan Huss é
queimado vivo, mas imprime novos rumos à fé.
Colombo expira
abandonado numa enxerga em Valladolid; no entanto, levanta-se,
para sempre, na memória da América.
Galileu, preso e
humilhado, desvenda ao homem nova contemplação do Universo.
Lutero,
vilipendiado, ressuscita as letras do Evangelho.
Giordano Bruno,
atravessando pavoroso suplício, traça mais altos rumos ao
pensamento.
Lincoln tomba
assassinado, mas extingue o cativeiro no clima de sua pátria.
Pasteur é
ironizado pela maioria de seus contemporâneos; no entanto,
renova os métodos da ciência e converte-se em benfeitor de todos
os povos.
E, ainda ontem,
Gandhi cai sob golpe homicida, mas consagra o princípio de
não-violência.
Entre os
perseguidores, contam-se os obsidiados, os intemperantes, os
depravados, os infelizes, os caluniadores, os calculistas e os
criminosos, que descem pelas torrentes do remorso para a
necessária refundição mental nos alambiques do tempo, mas, entre
os perseguidos sem razão, enumeram-se quase todos aqueles que
lançam nova luz sobre as rotas da vida.
É por isso que
Jesus, o Divino Governador da Terra, preferiu alinhar-se entre
os escarnecidos e injuriados, aceitando a morte na cruz, de
maneira a estender a glória do amor puro e a força do perdão,
para que se aprimore a Humanidade inteira.
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