O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Práticas Estranhas

Autor:
Waldo Vieira (médium)
André Luiz (espírito)

Fonte:
Livro: Opinião Espírita

DOUTRINA

      

Allan Kardec – “O Livro dos Médiuns” – Capítulo XXXI, item XXI,
Meus amigos quereis formar uma reunião espírita, e eu vos aprovo, porque os Espíritos não podem ver com prazer os médiuns que ficam no isolamento. Deus não lhes deu essa sublime faculdade só para eles, mas para o bem geral. Comunicando-se com outros, têm mil ocasiões de se esclarecerem sobre o mérito das comunicações que recebem, ao passo que, sozinhos, estão bem mais sob o império dos Espíritos mentirosos, encantados por não terem nenhum controle. Eis aí para vós, e se não estais dominados pelo orgulho, compreendê-lo-eis e aproveitareis. Eis agora para os outros.

Tendes bem em conta do que deve ser uma reunião espírita? Não; porque, no vosso zelo, credes que o que há de melhor a fazer é reunir o maior número de pessoas, a fim de convencê-los. Desiludi-vos; quanto menos fordes, mais obtereis. É sobretudo pelo ascendente moral que exercerdes, que conduzireis a vós os incrédulos, bem mais do que pelos fenômenos que obtiverdes; se não atraís senão pelos fenômenos, virão vos ver por curiosidade, e encontrareis curiosos que não vos acreditarão e que rirão de vós; se não se encontram entre vós senão pessoas dignas de estima, talvez não crerão em vós imediatamente, mas se vos respeitarão, e o respeito inspira sempre a confiança. Estais convencidos de que o Espiritismo deve trazer uma reforma moral; que a vossa reunião seja, pois, a primeira a dar o exemplo das virtudes cristãs, porque nestes tempos de egoísmo, é nas sociedades espíritas que a verdadeira caridade deve encontrar refúgio. Tal deve ser, meus amigos, uma reunião de verdadeiros espíritas. De uma outra vez, dar-vos-ei outros conselhos.
Fénelon.

 

Práticas Estranhas

Muitos companheiros, sob a alegação de que todas as religiões são boas e respeitáveis, julgam que as tarefas espíritas nada perdem por aceitar a enxertia de práticas estranhas à simplicidade que lhes vige na base, lisonjeando indebitamente situações e personalidades humanas, supostas capazes de beneficiar as construções doutrinárias do Espiritismo.

No entanto, examinemos, sem parcialidade, a expressão contraditória de semelhante atitude, analisando-a, na lógica da vida.

Criaturas de todas as plagas do Universo são filhas do Criador e chegarão, um dia, à perfeição integral. Mas, no passo evolutivo em que nos achamos não nos é lícito estar com todas, conquanto respeitemos a todas, de vez que inúmeras se encontram em experiências diametralmente opostas aos objetivos que nos propomos alcançar.

Não existem caminhos que não sejam viáveis e todos podem conduzir a determinado ponto do mundo. Contudo, somente os viajores irresponsáveis escolherão perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no dédalo de aventuras marginais, ao longo da estrada justa.

Indiscriminadamente, os produtos expostos num mercado são úteis. Mas, sob a desculpa do acatamento que se deve a todos, não nos cabe comer de tudo, sem a mínima noção de higiene e sem qualquer consideração para com a própria saúde.

Águas de qualquer procedência liquidam a sede. No entanto, com a desculpa de que todas são valiosas, não é aconselhável se beba qualquer uma, sem qualquer preocupação de limpeza, a menos que a pessoa esteja nas vascas da sofreguidão, ameaçada de morte pelo deserto.

Sabemos que a legislação humana obtida à custa de sofrimento estabelece a segregação dos irmãos delinqüentes para o trabalho reeducativo; sustenta a policia rodoviária para garantir a ordem da passagem correta; mantém fiscalização adequada para o devido asseio nos recursos destinados à alimentação pública e cria agentes de filtragem para que as fontes não se façam veículos de endemias e outras calamidades que arrasariam populações indefesas.

Reflitamos nisso e compreenderemos que assegurar a simplicidade dos princípios espíritas, nas casas doutrinárias, para que as suas atividades atinjam a meta da libertação espiritual da Humanidade não é fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma, porquanto, agir de outro modo seria o mesmo que devolver um mapa luminoso ao labirinto das sombras, após séculos de esforço e sacrifício para obtê-lo, como se também, a pretexto de fraternidade, fôssemos obrigados a desertar do lar para residir nas penitenciárias; a deixar o caminho certo para seguir pelo cipoal; a largar o prato saudável para ingerir a refeição deteriorada e desprezar a água potável para líquidos de salubridade suspeita.

Em Doutrina Espírita, pois, seja compreensível afirmar que é certo respeitar tudo e beneficiar sem complicar a cada um de nossos irmãos, onde quer que se encontrem, mas não podemos aceitar tudo e nem abraçar tudo, a fim de podermos estar certos.