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O Livro dos
Espíritos – Questão 945
- Que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?
- Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes
seria uma carga!
Doenças-Fantasmas
Somos defrontados
com freqüência por aflitivo problema cuja solução reside em nós.
A ele debitamos
longas fileiras de irmãos nossos que não apenas infelicitam o
lar onde são chamados à sustentação do equilíbrio, mas
igualmente enxameiam nos consultórios médicos e nas casas de
saúde, tomando o lugar de necessitados autênticos.
Referimo-nos às
criaturas menos vigilantes, sempre inclinadas ao exagero de
quaisquer sintomas ou impressões e que se tornam doentes
imaginários, vítimas que se fazem de si mesmas nos domínios das
moléstias-fantasmas.
Experimentam, às
vezes, leve intoxicação, superável sem maiores esforços, e,
dramatizando em demasia pequeninos desajustes orgânicos,
encharcam-se de drogas, respeitáveis quando necessárias, mas que
funcionam à maneira de cargas elétricas inoportunas, sempre que
impropriamente aplicadas.
Atingido esse
ponto, semelhantes devotos da fantasia e do medo destrutivo,
caem fisicamente em processos de desgaste, cujas conseqüências
ninguém pode prever, ou entram, modo imperceptível para eles,
nas calamidades sutis da obsessão oculta, pélas quais
desencarnados menos felizes lhes dilapidam as forças.
Depois disso,
instalada a alteração do corpo ou da mente, é natural que o
desequilíbrio real apareça e se consolide, trazendo até mesmo a
desencarnação precoce, em agravo de responsabilidade daqueles
que se entibiam diante da vida, sem coragem de trabalhar, sofrer
e lutar.
Precatemo-nos
contra esse perigo absolutamente dispensável.
Se uma dor
aparece, auscultemos nossa conduta, verificando se não demos
causa à benéfica advertência da Natureza.
Se surge a
depressão nervosa, examinemos o teor das emoções a que estejamos
entregando as energias do pensamento, de modo a saber se o
cansaço não se resume a um aviso salutar da própria alma, para
que venhamos a clarear a existência e o rumo.
Antes de lançar
qualquer pedido angustiado de socorro, aprendamos a socorrer-nos
através da auto-análise, criteriosa e consciente.
Ainda que não seja
por nós, façamos isso pelos outros, aqueles outros que nos amam
e que perdem, inconsequentemente, recurso e tempo valiosos,
sofrendo em vão com a leviandade e a fraqueza de que fornecemos
testemunho.
Nós que nos
esmeramos no trabalho desobsessivo, em Doutrina Espírita,
consagremos a possível atenção a esse assunto, combatendo as
doenças-fantasmas que são capazes de transformar-nos em focos de
padecimentos injustificáveis a que nos conduzimos por fatores
lamentáveis de auto-obsessão.
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