O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Espíritos Perturbados

Autor:
Chico Xavier (médium)
Emmanuel (espírito)

Fonte:
Livro: Seara dos Médiuns

DOUTRINA

      

- Os Espíritos podem descrever a natureza dos seus sofrimentos ou da sua infelicidade?
- Perfeitamente, e essas espécies de revelações são um grande ensinamento para vós, porque vos iniciam na verdadeira natureza das penas e das recompensas futuras; destruindo as idéias falsas que tendes a esse respeito, tendem a reavivar a fé, e vossa confiança na bondade de Deus. Os bons Espíritos ficam felizes em vos descreverem a felicidade dos eleitos; os maus podem ser constrangidos a descreverem seus sofrimentos, a fim de provocar o arrependimento neles; nisso encontram mesmo, algumas vezes, uma espécie de alívio: é a infelicidade que exala seu lamento na esperança da compaixão.

Não olvideis que o objetivo essencial, exclusivo, do Espiritismo, é vosso adiantamento, e é para alcançá-lo que é permitido aos Espíritos vos iniciar quanto à vida futura, vos oferecendo exemplos que podeis aproveitar. Quanto mais vos identificardes com o mundo que vos espera, menos lastimareis aquele em que estais agora. Esse é, em suma, o objetivo atual da revelação. (O Livro dos Médiuns – Questão 292 – item 22)

 

Espíritos Perturbados

É possível conhecê-los de perto.

Surgem, quase sempre, na categoria de loucos e desmemoriados, entre a negação e a revolta.

São criaturas desencarnadas, Espíritos que perderam o corpo físico e, porque se detiveram deliberadamente na ignorância ou na crueldade, não encontram agora senão as próprias recordações para viver e conviver.

Encerravam-se na avareza e prosseguem na clausura da sovinice.

Abandonavam-se à viciação e transformam-se em vampiros, à procura de quem lhes aceite as sugestões infelizes.

Abraçavam a delinqüência e sofrem o látego do remorso, nos recessos da própria alma.

Confiavam-se à preguiça e carreiam a dor do arrependimento.

Zombavam das horas e não sabem o que fazer para que as horas não zombem deles.

São tantas as aflições que descobrem nas paisagens atormentadas da mente iludida, que são eles – homens e mulheres que escarneceram da vida – os verdadeiros autores de todas as concepções de inferno, além da morte, que hão aparecido no mundo, desde a aurora da razão no campo da Humanidade.

Antigamente, a abordagem de semelhantes companheiros era obscura e quase que impraticável.

Hoje, porém, com a mediunidade esclarecida, é fácil aliviá-los e socorrê-los.

Podes, assim, vê-los e ouvi-los, nos círculos medianímicos, registrando-lhes as narrativas inquietantes e as palavras amargosas; no entanto, ajuda-os com respeito e carinho, como quem socorre amigos extraviados.

Não te gabes, porém, de doutriná-los e corrigi-los, porque a Divina Bondade nos permite atendê-los, buscando, com isto, corrigir-nos e doutrinar-nos na Terra e além da Terra, a fim de que saibamos evitar todo erro, enquanto desfrutamos o favor do bom tempo.