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Para o criminoso,
a visão incessante das suas vítimas e das circunstâncias do
crime é um brutal suplício.
(Allan Kardec – “O Céu e o Inferno” – 1ª. Parte, capítulo VII,
item 24)
Perdoados, mas não
Limpos.
Em nossas faltas,
na maioria das vezes somos imediatamente perdoados, mas não
limpos.
Fomos perdoados
pelo fel da maledicência, mas a sombra que tencionávamos
esparzir na estrada alheia permanece dentro de nós por agoniado
constrangimento.
Fomos perdoados
pela brasa da calúnia, mas o fogo que arremessamos à cabeça do
próximo passa a incendiar-nos o coração.
Fomos perdoados
pelo corte da ofensa, mas a pedra atirada aos irmãos do caminho
volta, incontinente, a lanhar-nos o próprio ser.
Fomos perdoados
pela falha de vigilância, mas o prejuízo em nossos vizinhos
cobre-nos de vergonha.
Fomos perdoados
pela manifestação de fraqueza, mas o desastre que provocamos é
dor moral que nos segue os dias.
Fomos perdoados
por todos aqueles a quem ferimos, no delírio da violência, mas,
onde estivermos, é preciso extinguir os monstros do remorso que
os nossos pensamentos articulam, desarvorados.
Chagas que abrimos
na alma de alguém pode ser luz e renovação nesse mesmo alguém,
mas será sempre chaga de aflição a pesar-nos na vida.
Injúria aos
semelhantes é azorrague mental que nos chicoteia.
A serpente carrega
consigo o veneno que veicula.
O escorpião guarda
em si próprio a carga venenosa que ele mesmo carrega.
Ridicularizados,
atacados, perseguidos ou dilacerados, evitemos o mal, mesmo
quando o mal assuma a feição de defesa, porque todo o mal que
fizermos aos outros é mal a nós mesmos.
Quase sempre
aqueles que passaram pelos golpes de nossa irreflexão já nos
perdoaram, incondicionalmente, fulgindo nos planos superiores;
no entanto, pela lei de correspondência, ruminamos, por tempo
indeterminado, os quadros sinistros que nós mesmos criamos.
Cada consciência
vive e evolve entre os seus próprios reflexos.
É por isso que
Allan Kardec afirmou, convincente, que, depois da morte, até que
se redima no campo individual, “para o criminoso a presença
incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é suplício
cruel”.
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