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O Céu E O Inferno
– 1ª. Parte, cap. III, item 13
As atribuições
dos Espíritos são proporcionais ao seu adiantamento, às luzes
que possuem, às suas capacidades, à sua experiência e ao grau de
confiança que inspiram ao soberano Mestre. Aí, nada de
privilégio, nada de favores que não são o preço do mérito: tudo
é medido ao peso da estrita justiça. As missões, as mais
importantes, não são confiadas senão àqueles que Deus sabe
apropriados a cumpri-las, e incapazes de nelas falirem ou de
comprometê-las. Enquanto que, sob o próprio olhar de Deus, os
mais dignos compõem o conselho supremo, aos chefes superiores é
atribuída a direção de turbilhões planetários; a outros é
conferida a dos mundos especiais. Vêm, em seguida, na ordem do
adiantamento e da subordinação hierárquica, as atribuições mais
restritas daqueles que são prepostos na marcha dos povos, na
proteção das famílias e dos indivíduos, no impulso a cada ramo
do progresso, nas diversas operações na Natureza, até nos mais
ínfimos detalhes da criação. Neste vasto e harmonioso conjunto,
há ocupações para todas as capacidades, todas as aptidões, todas
as boas vontades; ocupações aceitas com alegria, solicitadas com
ardor, porque são um meio de adiantamento para os Espíritos que
aspiram a se elevarem.
Compromissos em
Nós
Considerando as
elevadas missões dos Espíritos que se agigantaram nos louros da
virtude, reflitamos nos compromissos anônimos que rogamos, com
ardor, em nós e por nós.
Encontraste o
marido ideal e a abastança doméstica; no entanto, recebeste no
próprio sangue o filho retardado que te corta o coração por
difícil problema.
Um dia,
compreenderás que, noutras épocas, foi ele o companheiro que
induziste à loucura.
Dispões de títulos
respeitáveis para luzir nos encargos mais nobres e padeces uma
esposa mentalmente fixada na fronteira do hospício.
Um dia,
compreenderás que, em estradas distantes, foi ela a parceira
menos feliz, em cujos pés colocaste lama escorregadia, para que
resvalasse, desamparada, na esquina do sofrimento.
Tens dinheiro e
instrução, mas carregas um pai irascível e intransigente, que
mais se assemelha a um tigre de sentinela.
Um dia,
compreenderás que ele vive assim por defeitos da educação que
lhe impuse4ste em outra existência.
Percebes a
grandeza da obra de que te responsabilizas, sem achar
colaborador que te dê mão no trabalho, arrostando, sozinho, a
obrigação de fazer.
Um dia,
compreenderás que te valias, ontem, da confiança alheia para
tiranizar os que mais te amavam, e lutas, hoje, desentendido,
para te libertares da violência.
Possuis
conhecimentos admiráveis e legiões de amigos que tudo fazem por
ajudar-te; contudo, amargas penosa anormalidade orgânica, à
maneira de espinho oculto.
Um dia,
compreenderás que a mutilação e a deformidade, a inibição e a
moléstia constituem remédios nos pontos fracos da própria alma.
Desfrutas
mediunidade notável e não consegues outro mister que não seja o
consolo e o apaziguamento na própria casa.
Um dia,
compreenderás que carecias de longo tempo, desempenhando a
função de bússola viva para alguns poucos viajantes do mundo,
arrojados por ti mesmo nas trevas das grandes provas.
Acalentas projetos
superiores, exaltando anseios de ascensão e sonhos de arte; no
entanto, gastas o próprio corpo, dobrando a cerviz sobre o
tanque ou lavando pratos e caçarolas.
Um dia,
compreenderás que para sermos livres é preciso escravizar-nos,
por algum tempo, ao pé daqueles que, por algum tempo, nos foram
também escravos.
Bendize as dores
desconhecidas que te pungem, silenciosas!
Agradece as
ocupações ignoradas que pediste alegremente, na Vida Espiritual,
e que, muita vez, exerces chorando na vida física.
Se ninguém, na
Terra, te anota o serviço obscuro, recorda que Deus te vê! Se
todos te desprezam, à face das tuas atividades supostas
insignificantes e humildes, ainda mesmo por entre lágrimas,
regozija-te nelas, aguardando o futuro.
Ninguém consegue
realmente ser grande, quando não aprendeu a ser pequenino.
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