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A existência de Deus é, pois, um fato adquirido, não somente
pela revelação, mas pela evidência material dos fatos. Os povos
selvagens não tiveram revelação e, não obstante, crêem,
instintivamente, não existência de um poder sobre-humano; vêem
coisas que estão acima do poder humano, e delas concluem que
provêm de um ser superior à Humanidade. Não são mais lógicos do
que aqueles que pretendem que elas se fizeram sozinhas?
A Gênese – Capítulo II – item 7.
Fé Em Deus
Antes de Jesus,
profetas e guerreiros asseveravam agir em nome da fé em Deus.
Moisés, conquanto
venerável pela fidelidade e pela justiça, não hesitava na
aplicação da ira, admitindo representá-lo.
Josué presumia
proclamar-lhe a grandeza com bandeiras sanguinolentas, ao
submeter populações inermes, além do Jordão.
David supunha
dignificá-lo, quando conquistou a montanha de Sião, à custa do
pranto das viúvas e dos órfãos.
Salomão acreditava
reverenciá-lo, ao consumir a existência de numerosos servidores,
amontoando madeiras e metais preciosos na construção do templo
famoso que lhe guardou a memória.
E todos nós, em
várias reencarnações, temos pretendido honorificar a fé em Deus,
fomentando guerras e espoliando os semelhantes, através das
crises de fanatismo e das orgias de ouro.
O Espiritismo,
porém, nos revela Jesus, abraçando o serviço espontâneo à
Humanidade, como sendo a tradução da própria fé.
Embora livre,
transfigurou-se em servidor da comunidade estendendo mais
imediata assistência aos que se colocavam na ultima plana da
escala social.
Sem nenhum
juramento que o obrigasse a tratar dos enfermos, amparou os
doentes com extrema solicitude.
Não envergava a
toga de juiz e patrocinou a causa dos deserdados.
Distante de
qualquer compromisso na paternidade física chamou a si as
criancinhas.
Fora de todos os
vínculos da política, ensinou o acatamento às autoridades
constituídas.
Profundamente
franco, era humilde em excesso com os ignorantes e com os
fracos, e, profundamente humilde, era franco, tanto quanto se
pode ser, com todos aqueles que conheciam as próprias
responsabilidades, à frente dos preceitos divinos, fugindo de
respeitá-los.
Passou no mundo,
abençoando e consolando, esclarecendo e servindo, mas preferiu
morrer a tisnar o mandato de amor e verdade que o jungia aos
desígnios do Eterno Pai.
Para nós, os
cristãos encarnados e desencarnados, seja na luz da Doutrina
Espírita ou ainda ausentes dela, é importante o exame periódico
dos nossos testemunhos pessoais de religião, na experiência
cotidiana, para sabermos o que vem a ser fé em Deus em nós e fé
em Deus no Mestre que declaramos honrar.
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