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1. A Reencarnação.
- 2. Justiça da Reencarnação. - 3. Encarnação nos Diferentes
Mundos. - 4. Transmigração Progressiva. - 5. Sorte das Crianças
Após a Morte. - 6. Sexos nos Espíritos. - 7. Parentesco,
Filiação, - 8. Parecenças Físicas e Morais. - 9. Idéias Inatas.
A Reencarnação
166. Como pode a
alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea,
acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”
a) - Como realiza
essa nova existência? Será pela sua transformação como
Espírito?
“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma
transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida
corporal.”
b) - A alma passa
então por muitas existências corporais?
“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o
contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles
próprios se encontram. Esse o desejo deles.”
c) - Parece
resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado um
corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. E
assim que se deve entender? “Evidentemente.”
167. Qual o fim
objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto,
onde a justiça?”
168. É limitado o
número das existências corporais, ou o Espírito reencarna
perpetuamente?
“A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na
senda do progresso. Desde que se ache limpo de todas as
impurezas, não tem mais necessidade das provas da vida
corporal.”
169. É invariável
o número das encarnações para todos os Espíritos?
“Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra.
Todavia, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas,
porquanto o progresso é quase infinito.”
170. O que fica
sendo o Espírito depois da sua última encarnação?
“Espírito bem-aventurado; puro Espírito.”
Justiça da
Reencarnação
171. Em que se
funda o dogma da reencarnação?
“Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente
repetimos: o bom pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta
para o arrependimento. Não te diz a razão que seria injusto
privar para sempre da felicidade eterna todos aqueles de quem
não dependeu o melhorarem-se? Não são filhos de Deus todos os
homens? Só entre os egoístas se encontram a iniqüidade, o ódio
implacável e os castigos sem remissão.”
Todos os Espíritos
tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de
alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal.
Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências,
o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.
Não obraria Deus
com eqüidade, nem de acordo com a Sua bondade, se condenasse
para sempre os que talvez hajam encontrado, oriundos do próprio
meio onde foram colocados e alheios à vontade que os animava,
obstáculos ao seu melhoramento. Se a sorte do homem se fixasse
irrevogavelmente depois da morte, não seria uma única a balança
em que Deus pesa as ações de todas as criaturas e não haveria
imparcialidade no tratamento que a todas dispensa.
A doutrina da
reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito
muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia
que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham
em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e
firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de
resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la
indica e os Espíritos a ensinam.
O homem, que tem
consciência da sua inferioridade, haure consoladora esperança na
doutrina da reencarnação. Se crê na justiça de Deus, não pode
contar que venha a achar-se, para sempre, em pé de igualdade com
os que mais fizeram do que ele. Sustém-no, porém, e lhe reanima
a coragem a idéia de que aquela inferioridade não o deserda
eternamente do supremo bem e que, mediante novos esforços, dado
lhe será conquistá-lo.
Quem é que, ao
cabo da sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma
experiência de que já não mais pode tirar proveito? Entretanto,
essa experiência tardia não fica perdida; o Espírito a utilizará
em nova existência.
Encarnação nos
Diferentes Mundos
172. As nossas
diversas existências corporais se verificam todas na Terra?
“Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não
são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais
e das mais distantes da perfeição.”
173. A cada nova
existência corporal a alma passa de um mundo para o outro, ou
pode ter muitas no mesmo globo?
“Pode viver muitas vezes no mesmo globo, se não se adiantou
bastante para passar a um mundo superior.”
a) - Podemos então
reaparecer muitas vezes na Terra?
“Certamente.”
b) - Podemos
voltar a este, depois de termos vivido em outros mundos?
“Sem dúvida. É possível que já tenhais vivido algures e na
Terra.”
174. - Tornar a
viver na Terra constitui uma necessidade?
“Não; mas, se não progredistes, podereis ir para outro mundo que
não valha mais do que a Terra e que talvez até seja pior do que
ela.”
175. Haverá alguma
vantagem em voltar-se a habitar a Terra?
“Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão, caso
em que se progride aí como em qualquer planeta.”
a) - Não se seria
mais feliz permanecendo na condição de Espírito?
“Não, não; estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para
Deus.”
176. Depois de
haverem encarnado noutros mundos, podem os Espíritos encarnar
neste, sem que jamais aí tenham estado?
“Sim, do mesmo modo que vós em outros. Todos os mundos são
solidários: o que não se faz num faz-se noutro.”
a) - Assim, homens
há que estão na Terra pela primeira vez?
“Muitos, e em graus diversos de adiantamento.”
b) - Pode-se
reconhecer, por um indício qualquer, que um Espírito está pela
primeira vez na Terra?
“Nenhuma utilidade teria isso.”
177. Para chegar à
perfeição e à suprema felicidade, destino final de todos os
homens, tem o Espírito que passa pela fieira de todos os mundos
existentes no Universo?
“Não, porquanto muitos são os mundos correspondentes a cada grau
da respectiva escala e o Espírito, saindo de um deles, nenhuma
coisa nova aprenderia nos outros do mesmo grau.”
a) - Como se
explica então a pluralidade de suas existências em um mesmo
globo?
“De cada vez poderá ocupar posição diferente das anteriores e
nessas diversas posições se lhe deparam outras tantas ocasiões
de adquirir experiência.”
178. Podem os
Espíritos encarnar em um mundo relativamente inferior a outro
onde já viveram?
“Sim, quando em missão, com o objetivo de auxiliarem o
progresso, caso em que aceitam alegres as tribulações de tal
existência, por lhes proporcionar meio de se adiantarem.”
a) - Mas, não pode
dar-se também por expiação? Não pode Deus degredar para mundos
inferiores Espíritos rebeldes?
“Os Espíritos podem conservar-se estacionários, mas não
retrogradam. Em caso de estacionamento, a punição deles consiste
em não avançarem, em recomeçarem, no meio conveniente à sua
natureza, as existências mal empregadas.”
b) - Quais os que
têm de recomeçar a mesma existência?
“Os que faliram em suas missões ou em suas provas.”
179. Os seres que
habitam cada mundo hão todos alcançado o mesmo nível de
perfeição?
“Não; dá-se em cada um o que ocorre na Terra: uns Espíritos são
mais adiantados do que outros.”
180. Passando
deste planeta para outro, conserva o Espírito a inteligência que
aqui tinha?
“Sem dúvida; a inteligência não se perde. Pode, porém, acontecer
que ele não disponha dos mesmos meios para manifestá-la,
dependendo isto da sua superioridade e das condições do corpo
que tomar.” (Veja-se: “Influência do organismo”. cap. VII, para
2ª.)
181. Os seres que
habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?
“É fora de dúvida que têm corpos, porque o Espírito precisa
estar revestido de matéria para atuar sobre a matéria. Esse
envoltório, porém, é mais ou menos material, conforme o grau de
pureza a que chegaram os Espíritos. É isso o que assinala a
diferença entre os mundos que temos de percorrer, porquanto
muitas moradas há na casa de nosso Pai, sendo, conseguintemente,
de muitos graus essas moradas. Alguns o sabem e desse fato têm
consciência na Terra; com outros, no entanto, o mesmo não se
dá.”
182. É-nos
possível conhecer exatamente o estado físico e moral dos
diferentes mundos?
“Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de
adiantamento em que vos achais. Quer dizer que não devemos
revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em estado
de compreendê-las e semelhante revelação os perturbaria.”
À medida que o
Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima
igualmente da natureza espírita. Torna-se-lhe menos densa a
matéria, deixa de rastejar penosamente pela superfície do solo,
menos grosseiras se lhe fazem as necessidades físicas, não mais
sendo preciso que os seres vivos se destruam mutuamente para se
nutrirem. O Espírito se acha mais livre e tem, das coisas
longínquas, percepções que desconhecemos. Vê com os olhos do
corpo o que só pelo pensamento entrevemos.
Da purificação do
Espírito decorre o aperfeiçoamento moral, para os seres que eles
constituem, quando encarnados. As paixões animais se enfraquecem
e o egoísmo cede lugar ao sentimento da fraternidade. Assim é
que, nos mundos superiores ao nosso, se desconhecem as guerras,
carecendo de objeto os ódios e as discórdias, porque ninguém
pensa em causar dano ao seu semelhante. A intuição que seus
habitantes têm do futuro, a segurança que uma consciência isenta
de remorsos lhes dá, fazem que a morte nenhuma apreensão lhes
cause. Encaram-na de frente, sem temor, como simples
transformação.
A duração da vida,
nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de
superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente
racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às
vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito,
menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência,
que desse modo abrevia os sofrimentos.
183. Indo de um
mundo para outro, o Espírito passa por nova infância?
“Em toda parte a infância é uma transição necessária, mas não é,
em toda parte, tão obtusa como no vosso mundo.”
184. Tem o
Espírito a faculdade de escolher o mundo onde passe a habitar?
“Nem sempre. Pode pedir que lhe seja permitido ir para este ou
aquele e pode obtê-lo, se o merecer, porquanto a acessibilidade
dos mundos, para os Espíritos, depende do grau da elevação
destes.”
a) - Se o Espírito
nada pedir, que é o que determina o mundo em que ele
reencarnará?
“O grau da sua elevação.”
185. O estado
físico e moral dos seres vivos é perpetuamente o mesmo em cada
minuto?
“Não; os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos
começaram, como o vosso, por um estado inferior e a própria
Terra sofrerá idêntica transformação.
Tornar-se-á um
paraíso, quando os homens se houverem tornado bons.”
É assim que as raças, que hoje povoam a Terra, desaparecerão um
dia, substituídas por seres cada vez mais perfeitos, pois que
essas novas raças transformadas sucederão às atuais, como estas
sucederam a outras ainda mais grosseiras.
186. Haverá mundos
onde o Espírito, deixando de revestir corpos materiais, só tenha
por envoltório o perispírito?
“Há e mesmo esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é
como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.”
a) - Parece
resultar daí que, entre o estado correspondente às últimas
encarnações e o de Espírito puro, não há linha divisória
perfeitamente demarcada; não?
“Semelhante demarcação não existe. A diferença entre ume outro
estado se vai apagando pouco a pouco e acaba por ser
imperceptível, tal qual se dá com a noite às primeiras
claridades do alvorecer.”
187. A substância
do perispírito é a mesma em todos os mundos?
“Não; é mais ou menos etérea. Passando de um mundo a outro, o
Espírito se reveste da matéria própria desse outro, operando-se,
porém, essa mudança com a rapidez do relâmpago.”
188. Os Espíritos
puros habitam mundos especiais, ou se acham no espaço universal,
sem estarem mais ligados a um mundo do que a outros?
“Habitam certos mundos, mas não lhes ficam presos, como os
homens à Terra; podem, melhor do que os outros, estar em toda
parte.” (1)
Transmigrações
Progressivas
189. Desde o
início de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas
faculdades?
“Não, pois que para o Espírito, como para o homem, também há
infância. Em sua origem, a vida do Espírito é apenas instintiva.
Ele mal tem consciência de si mesmo e de seus atos. A
inteligência só pouco a pouco se desenvolve.”
190. Qual o estado
da alma na sua primeira encarnação?
“O da infância na vida corporal. A inteligência apenas
desabrocha: a alma se ensaia para a vida.”
191. As dos nossos selvagens são almas no estado de infância?
“De infância relativa, pois já são almas desenvolvidas, visto
que já nutrem paixões.”
a) - Então, as
paixões são um sinal de desenvolvimento?
“De desenvolvimento, sim; de perfeição, porém, não. São sinal de
atividade e de consciência do eu, porquanto, na alma primitiva,
a inteligência e a vida se acham no estado de gérmen.”
(1)
Segundo os Espíritos, de todos os mundos que compõe o nosso
sistema
planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física
e moralmente. Marte lhe estaria ainda abaixo, sendo-lhe Júpiter
superior de muito, a todos os respeitos. O Sol não seria mundo
habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de
reunião dos Espíritos superiores, os quais de lá irradiam seus
pensamentos para os outros mundos, que eles dirigem por
intermédio de Espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes
por meio do fluido universal. Considerado do ponto de vista da
sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade.
Todos os sóis como que estariam em situação análoga.
O volume de
cada um e a distância a que esteja do Sol nenhuma relação
necessária guardam com o grau do seu adiantamento, pois que, do
contrário, Vênus deveria ser tida por mais adiantada do que a
Terra e Saturno menos do que Júpiter.
Muitos
Espíritos, que na Terra animaram personalidades conhecidas,
disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais
próximos da perfeição, e há causado espanto que, nesse globo tão
adiantado, estivessem homens a que a opinião geral aqui não
atribuía tanta elevação. Nisso nada há de surpreendente, desde
que se atenda a que, possivelmente, certos Espíritos, habitantes
daquele planeta, foram mandados à Terra para desempenharem aí
certa missão que, aos nossos olhos, os não colocava na primeira
plana. Em segundo lugar, deve-se atender a que, entre a
existência que tiveram na Terra e a que passaram a ter em
Júpiter, podem eles ter tido outras intermédias, em que se
melhoraram. Finalmente, cumpre se considere que, naquele mundo,
como no nosso, múltiplos são os graus de desenvolvimento e que,
entre esses graus, pode medear lá a distância que vai, entre
nós, do selvagem ao homem civilizado. Assim, do fato de um
Espírito habitar Júpiter não se segue que esteja no nível dos
seres mais adiantados, do mesmo modo que ninguém pode
considerar-se na categoria de um sábio do Instituto, só porque
reside em Paris.
As condições de
longevidade não são, tampouco, em qualquer parte, as mesmas que
na Terra e as idades não se podem comparar. Evocado, um Espírito
que desencarnara havia alguns anos, disse que, desde seis meses
antes, estava encarnado em mundo cujo nome nos é desconhecido.
Interrogado sobre a idade que tinha nesse mundo, disse: “Não
posso avaliá-la, porque não contamos o tempo como contais.
Depois, os modos de existência não são idênticos. Nós, lá, nos
desenvolvemos muito mais rapidamente. Entretanto, se bem não
haja mais de seis dos vossos meses que lá estou, posso dizer
que, quanto à inteligência, tenho trinta anos da idade que tive
na Terra.”
Muitas
respostas análogas foram dadas por outros Espíritos e o fato
nada apresenta de inverossímil. Não vemos que, na Terra, uma
imensidade de animais em poucos meses adquire o desenvolvimento
normal? Por que não se poderia dar o mesmo com o homem noutras
esferas? Notemos, além disso, que o desenvolvimento que o homem
alcança na Terra aos trinta anos talvez não passe de uma espécie
de infância, comparado com o que lhe cumpre atingir. Bem curto
de vista se revela quem nos toma em tudo por protótipos da
criação, assim como é rebaixar a Divindade o imaginar-se que,
fora o homem, nada mais seja possível a Deus.
A vida do Espírito, em seu conjunto, apresenta as mesmas fases
que observamos na vida corporal. Ele passa gradualmente do
estado de embrião ao de infância, para chegar, percorrendo
sucessivos períodos, ao de adulto, que é o da perfeição, com a
diferença de que para o Espírito não há declínio, nem
decrepitude, como na vida corporal; que a sua vida, que teve
começo, não terá fim; que imenso tempo lhe é necessário, do
nosso ponto vista, para passar da infância espírita ao completo
desenvolvimento; e que o seu progresso se realiza, não num único
mundo, mas vivendo ele em mundos diversos. A vida do Espírito,
pois, se compõe de um série de existências corpóreas, cada uma
das quais representa para ele uma ocasião de progredir, do mesmo
modo que cada existência corporal se compõe de uma série de
dias, em cada um dos quais o homem obtém um acréscimo de
experiência e de instrução. Mas, assim como, na vida do homem,
há dias que nenhum fruto produzem, na do Espírito há existências
corporais de que nenhum resultado colhe, porque não as soube
aproveitar.
192. Pode alguém,
por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus
da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem
passar por outros graus intermédios?
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição.
Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis.
Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza
terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. Dá-se com o
Espírito o que se verifica com a criança que, por mais precoce
que seja, tem de passar pela juventude, antes de chegar à idade
da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde,
tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre
progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num
sentido, importa se adiante no outro, para atingir o extremo
superior da escala. Contudo, quanto mais o homem se adiantar na
sua vida atual, tanto menos longas e penosas lhe serão as provas
que se seguirem.”
a) - Pode ao menos
o homem, na vida presente, preparar com segurança, para si, uma
existência futura menos prenhe de amarguras?
“Sem dúvida. Pode reduzir a extensão e as dificuldades do
caminho. Só o descuidoso permanece sempre no mesmo ponto.”
193. Pode um
homem, nas suas novas existências, descer mais baixo do que
esteja na atual?
“Com relação à posição social, sim; como Espírito, não.”
194. É possível
que, em nova encarnação, a alma de um homem de bem anime o corpo
de um celerado?
“Não, visto que não pode degenerar.”
a) - A alma de um
homem perverso pode tornar-se a de um homem de bem?
“Sim, se se arrependeu. Isso constitui então uma recompensa.”
A marcha dos
Espíritos é progressiva, jamais retrograda. Eles se elevam
gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que
ascenderam.
Em suas diferentes
existências corporais, podem descer como homens, não como
Espíritos. Assim, a alma de um potentado da Terra pode mais
tarde animar o mais humilde obreiro e vice-versa, por isso que,
entre os homens, as categorias estão freqüentemente, na razão
inversa da elevação das qualidades morais. Herodes era rei e
Jesus, carpinteiro.
195. A
possibilidade de se melhorarem noutra existência não será de
molde a fazer que certas pessoas perseverem no mau caminho,
dominadas pela idéia de que poderão corrigir-se mais tarde?
“Aquele que assim pensa em nada crê e a idéia de um castigo
eterno não o refrearia mais do que qualquer outra, porque sua
razão a repele, e semelhante idéia induz à incredulidade a
respeito de tudo. Se unicamente meios racionais se tivessem
empregado para guiar os homens, não haveria tantos cépticos. De
fato, um Espírito imperfeito poderá, durante a vida corporal,
pensar como dizes; mas, liberto que se veja da matéria, pensará
de outro modo, pois logo verificará que fez cálculo errado e,
então, sentimento oposto a esse trará ele para a sua nova
existência. É assim que se efetua o progresso e essa a razão por
que, na Terra os homens são desigualmente adiantados. Uns já
dispõe de experiência que a outros falta, mas que adquirirão
pouco a pouco. Deles depende o acelerar-se-lhes o progresso ou
retardar-se indefinidamente.”
O homem, que ocupa
uma posição má, deseja trocá-la o mais depressa possível.
Aquele, que se acha persuadido de que as tribulações da vida
terrena são conseqüência de suas imperfeições, procurará
garantir para si uma nova existência menos penosa e esta idéia o
desviará mais depressa da senda do mal do que a do fogo eterno,
em que não acredita.
196. Não podendo
os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações
da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma
espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos
os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição?
“Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessa provas, evitando
o mal e
praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo
tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas
encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para
que tendem.”
a) - É o corpo que
influi sobre o Espírito para que este se melhore, ou o Espírito
que influi sobre o corpo?
“Teu Espírito é tudo; teu corpo é simples veste que apodrece:
eis tudo.”
O suco da vide nos
oferece um símile material dos diferentes graus da depuração da
alma. Ele contém o licor que se chama espírito ou álcool, mas
enfraquecido por uma imensidade de matérias estranhas, que lhe
alteram a essência. Esta só chega à pureza absoluta depois de
múltiplas destilações, em cada uma das quais se despoja de
algumas impurezas. O corpo é o alambique em que a alma tem que
entrar para se purificar. Às matérias estranhas se assemelha o
perispírito, que também se depura, à medida que o Espírito se
aproxima da perfeição.
Sorte das Crianças
Depois da Morte
197. Poderá ser
tão adiantado quanto o de um adulto o Espírito de uma criança
que morreu em tenra idade?
“Algumas vezes o é muito mais, porquanto pode dar-se que muito
mais já tenha vivido e adquirido maior soma de experiência,
sobretudo se progrediu.”
a) - Pode então o
Espírito de uma criança ser mais adiantado que o de seu pai?
“Isso é muito freqüente. Não o vedes vós mesmos tão amiudadas
vezes na Terra?”
198. Não tendo
podido praticar o mal, o Espírito de uma criança que morreu em
tenra idade pertence a alguma das categorias superiores?
“Se não fez o mal, igualmente não fez o bem e Deus não o isenta
das provas que tenha de padecer. Se for um Espírito puro, não o
é pelo fato de ter animado apenas uma criança, mas porque já
progredira até a pureza.”
199. Por que tão
freqüentemente a vida se interrompe na infância?
“A curta duração da vida da criança pode representar, para o
Espírito que a animava, o complemento de existência
precedentemente interrompida antes do momento em que devera
terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou
expiação para os pais.”
a) - Que sucede ao
Espírito de uma criança que morre pequenina?
“Recomeça outra existência.”
Se uma única
existência tivesse o homem e se, extinguindo-se-lhe ela, sua
sorte ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de
metade do gênero humano, da que morre na infância, para gozar,
sem esforços, da felicidade eterna e com que direito se acharia
isenta das condições, às vezes tão duras, a que se vê submetida
a outra metade?
Semelhante ordem
de coisas não corresponderia à justiça de Deus. Com a
reencarnação, a igualdade é real para todos. O futuro a todos
toca sem exceção e sem favor para quem quer que seja. Os
retardatários só de si mesmos se podem queixar. Forçoso é que o
homem tenha o merecimento de seus atos, como tem deles a
responsabilidade.
Aliás, não é
racional considerar-se a infância como um estado normal de
inocência.
Não se vêem
crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que ainda
nenhuma influência pode ter tido a educação? Alguns não há que
parecem trazer do berço a astúcia, a felonia, a perfídia, até
pendor para o roubo e para o assassínio, não obstante os bons
exemplos que de todos os lados se lhes dão? A lei civil as
absorve de seus crimes, porque, diz ela, obraram sem
discernimento. Tem razão a lei, porque, de fato, elas obram mais
por instinto do que intencionalmente. Donde, porém, provirão
instintos tão diversos em crianças da mesma idade, educadas em
condições idênticas e sujeitas às mesmas influências? Donde a
precoce perversidade, senão da inferioridade do Espírito, uma
vez que a educação em nada contribuiu para isso? As que se
revelam viciosas, é porque seus Espíritos muito pouco hão
progredido. Sofrem então, por efeito dessa falta de progresso,
as conseqüências , não dos atos que praticam na infância, mas
dos de suas existências anteriores. Assim é que a lei é uma só
para todos e que todos são atingidos pela justiça de Deus.
Sexo nos Espíritos
200. Têm sexos os
Espíritos
“Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da
organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na
concordância dos sentimentos.”
201. Em nossa
existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem
animar o de uma mulher e vice-versa?
“Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as
mulheres.”
202. Quando
errante, que prefere o Espírito; encarnar no corpo de um homem,
ou no de uma mulher?
“Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas
por que haja de passar.”
Os Espíritos
encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo.
Visto que lhes
cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social,
lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso,
ensejo de ganharem experiência.
Aquele que só como
homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.
Parentesco,
Filiação
203. Transmitem os
pais aos filhos uma parcela de suas almas, ou se limitam a lhes
dar a vida animal a que, mais tarde, outra alma vem adicionar a
vida moral?
“Dão-lhes apenas a vida animal, pois que a alma é indivisível.
Um pai obtuso pode ter filhos inteligentes e vice-versa.”
204. Uma vez que
temos tido muitas existências, a nossa parentela vai além da que
a existência atual nos criou?
“Não pode ser de outra maneira. A sucessão das existências
corporais estabelece entre os Espíritos ligações que remontam às
vossas existências anteriores. Daí, muitas vezes, a simpatia que
vem a existir entre vós e certos Espíritos que vos parecem
estranhos.”
205. A algumas
pessoas a doutrina da reencarnação se afigura destruidora dos
laços de família, com o fazê-los anteriores à existência atual.
“Ela os distende;
não os destrói. Fundando-se o parentesco em afeições anteriores,
menos precários são os laços existentes entre os membros de uma
mesma família. Essa doutrina amplia os deveres da fraternidade,
porquanto, no vosso vizinho, ou no vosso servo, pode achar-se um
Espírito a quem tenhais estado presos pelos laços da
consangüinidade.”
a) - Ela, no
entanto, diminui a importância que alguns dão à genealogia,
visto que qualquer pode ter tido por pai um Espírito que haja
pertencido a outra raça, ou que haja vivido em condição muito
diversa.
“É exato; mas essa
importância assenta no orgulho. Os títulos, a categoria social,
a riqueza, eis o que esses tais veneram nos seus antepassados.
Um, que coraria de contar, como ascendente, honrado sapateiro,
orgulhar-se-ia de descender de um gentil-homem devasso. Digam,
porém, o que disserem, ou façam o que fizerem, não obstarão a
que as coisas sejam como são, que não foi consultando-lhes a
vaidade que Deus formulou as leis da Natureza.”
206. Do fato de
não haver filiação entre os Espíritos dos descendentes de
qualquer família, seguir-se-á que o culto dos avoengos seja
ridículo?
“De modo nenhum. Todo homem deve considerar-se ditoso por
pertencer a uma família em que encarnaram Espíritos elevados. Se
bem os Espíritos não procedam uns dos outros, nem por isso menos
afeição consagram aos que lhes estão ligados pelos elos da
família, dado que muitas vezes são atraídos para tal ou qual
família pela simpatia, ou pelos laços que anteriormente se
estabeleceram. Mas, ficai certos de que os vossos antepassados
não se honram com o culto que lhes tributais por orgulho. Em vós
não se refletem os méritos de que eles gozem, senão na medida
dos esforços que empregais por seguir os bons exemplos que vos
deram. Somente nestas condições lhes é grata e até mesmo útil a
lembrança que deles guardais.”
Parecenças Físicas
e Morais
207.
Freqüentemente, os pais transmitem aos filhos a parecença
física. Transmitirão também alguma parecença moral?
“Não, que diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros.
O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito.
Entre os descendentes das raças apenas há consangüinidade.”
a) - Donde se
originam as parecenças morais que costuma haver entre pais e
filhos?
“É que uns e outros são Espíritos simpáticos, que reciprocamente
se atraíram pela analogia dos pendores.”
208. Nenhuma
influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do
nascimento deste?
“Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já
dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns
dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão
desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso
uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu
desempenho.”
209. Por que é que
de pais bons e virtuosos nascem filhos de natureza perversa?
Por outra: por que é que as boas qualidades dos pais nem sempre
atraem, por simpatia, um bom Espírito para lhes animar o filho?
“Não é raro que um mau Espírito peça lhe sejam dados bons pais,
na esperança de que seus conselhos o encaminhem por melhor senda
e muitas vezes Deus lhe concede o que deseja.”
210. Pelos seus pensamentos e preces podem, os pais atrair para
o corpo, em formação, do filho um bom Espírito, de preferência a
um inferior?
“Não, mas podem melhorar o Espírito do filho que lhes nasceu e
está confiado. Esse o dever deles. Os maus filhos são uma
provação para os pais.”
211. Donde deriva
a semelhança de caráter que muitas vezes existe entre dois
irmãos, mormente se gêmeos?
“São Espíritos simpáticos que se aproximam por analogia de
sentimentos e se sentem felizes por estar juntos.”
212. Há dois
Espíritos, ou, por outra, duas almas, nas criança cujos corpos
nascem ligados, tendo comuns alguns órgãos?
“Sim, mas a semelhança entre elas é tal que faz vos pareçam, em
muitos casos, uma só.”
213. Pois que nos
gêmeos os Espíritos encarnam por simpatia, donde provém a
aversão que às vezes se nota entre eles?
“Não é de regra que sejam simpáticos os Espíritos dos gêmeos.
Acontece também que Espíritos maus entendam de lutar juntos no
palco da vida.”
214. Que se deve
pensar dessas histórias de crianças que lutam no seio materno?
“Lendas! Para significarem quão inveterado era o ódio que
reciprocamente se votavam, figuram-no a se fazer sentir antes do
nascimento delas. Em geral, não levais muito em conta as imagens
poéticas.”
215. Que é o que
dá origem ao caráter distintivo que se nota em cada povo?
“Também os Espíritos se grupam em famílias, formando-as pela
analogia de seus pendores mais ou menos puros, conforme a
elevação que tenham alcançado. Pois bem! um povo é uma grande
família formada pela reunião de Espíritos simpáticos. Na
tendência que apresentam os membros dessas famílias, para se
unirem, é que está a origem da semelhança que, existindo entre
os indivíduos, constitui o caráter distintivo de cada povo.
Julgas que Espíritos bons e humanitários procurem, para nele
encarnar, um povo rude e grosseiro?
Não. Os Espíritos simpatizam com as coletividades, como
simpatizam com os indivíduos. Naquelas em cujo seio se
encontrem, eles se acham no meio que lhes é próprio.”
216. Em suas novas
existências conservará o Espírito traços do caráter moral de
suas existências anteriores?
“Isso pode dar-se. Mas, melhorando-se, ele muda. Pode também
acontecer que sua posição social venha a ser outra. Se de senhor
passa a escravo, inteiramente diversos serão os seus gostos e
dificilmente o reconheceríeis. Sendo o Espírito sempre o mesmo
nas diversas encarnações, podem existir certas analogias entre
as suas manifestações, se bem que modificadas pelos hábitos da
posição que ocupe, até que um aperfeiçoamento notável lhe haja
mudado completamente o caráter, porquanto, de orgulhoso e mau,
pode tornar-se humilde e bondoso, se se arrependeu.”
217. E do caráter
físico de suas existências pretéritas conserva o Espírito traços
nas suas existências posteriores?
“O novo corpo que ele toma nenhuma relação tem com o que foi
anteriormente destruído. Entretanto, o Espírito se reflete no
corpo. Sem dúvida que este é unicamente matéria, porém, nada
obstante, se modela pelas capacidades do Espírito, que lhe
imprime certo cunho, sobretudo ao rosto, pelo que é verdadeiro
dizer-se que os olhos são o espelho da alma, isto é, que o
semblante do indivíduo lhe reflete de modo particular a alma.
Assim é que uma
pessoa excessivamente feia, quando nela habita um Espírito bom,
criterioso, humanitário, tem qualquer coisa que agrada, ao passo
que há rostos belíssimos que nenhuma impressão te causam, que
até chegam a inspirar-te repulsão. Poderias supor que somente
corpos bem moldados servem de envoltório aos mais perfeitos
Espíritos, quando o certo é que todos os dias deparas com homens
de bem, sob um exterior disforme. Sem que haja pronunciada
parecença, a semelhança dos gostos e das inclinações pode,
portanto, dar lugar ao que se chama “um ar de família.”
Nenhuma relação
essencial guardando o corpo que a alma toma numa encarnação com
o de que se revestiu em encarnação anterior, visto que aquele
lhe pode vir de procedência muito diversa da deste, fora absurdo
pretender-se que, numa série de existências, haja uma semelhança
que é inteiramente fortuita. Todavia, as qualidades do Espírito
freqüentemente modificam os órgãos que lhe servem para as
manifestações e lhe imprimem ao semblante físico e até ao
conjunto de suas maneiras um cunho especial.
É assim que, sob
um envoltório corporal da mais humilde aparência, se pode
deparar a expressão da grandeza e da dignidade, enquanto sob um
envoltório de aspecto senhoril se percebe freqüentemente a da
baixeza e da ignomínia. Não é pouco freqüente observar-se que
certas pessoas, elevando-se da mais ínfima posição, tomam sem
esforços os hábitos e as maneiras da alta sociedade. Parece que
elas aí vêm a achar-se de novo no seu elemento.
Outras,
contrariamente, apesar do nascimento e da educação, se mostram
sempre deslocadas em tal meio. De que modo se há de explicar
esse fato, senão como reflexo daquilo que o Espírito foi antes?
Idéias Inatas
218. Encarnado,
conserva o Espírito algum vestígio das percepções que teve e dos
conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores?
“Guarda vaga lembrança, que lhe dá o que se chama idéias
inatas.”
a) - Não é, então,
quimérica a teoria das idéias inatas?
“Não; os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se
perdem. Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes.
Durante a encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente;
porém, a intuição que deles conserva lhe auxilia o progresso. Se
não fosse assim, teria que recomeçar constantemente. Em cada
nova existência, o ponto de partida, para o Espírito, é o em
que, na existência precedente, ele ficou.”
b) - Grande
conexão deve haver entre duas existências consecutivas?
“Nem sempre tão grande quanto talvez o suponhas, dado que bem
diferentes são, muitas vezes, as posições do Espírito nas duas e
que, no intervalo de uma e outra, pode ele ter progredido.”
(216)
219. Qual a origem
das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo
prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das
línguas, do cálculo, etc.?
“Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas de que
ela não tem consciência. Donde queres que venham tais
conhecimentos? O corpo muda, o Espírito, porém, não muda, embora
troque de roupagem.”
220. Pode o
Espírito, mudando de corpo, perder algumas faculdades
intelectuais, deixar de ter, por exemplo, o gosto das artes?
“Sim, desde que conspurcou a sua inteligência ou a utilizou mal.
Depois, uma faculdade qualquer pode permanecer adormecida
durante uma existência, por querer o Espírito exercitar outra,
que nenhuma relação tem com aquela. Essa, então, fica em estado
latente, para reaparecer mais tarde.”
221. Dever-se-ão
atribuir a uma lembrança retrospectiva o sentimento instintivo
que o homem, mesmo quando selvagem, possui da existência de Deus
e o pressentimento da vida futura?
“É uma lembrança que ele conserva do que sabia como Espírito
antes de encarnar.
Mas, o orgulho
amiudadamente abafa esse sentimento.”
a) - Serão devidas
a essa mesma lembrança certas crenças relativas à Doutrina
Espírita, que se observam em todos os povos?
“Esta doutrina é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que
em toda parte a encontramos, o que constitui prova de que é
verdadeira. Conservando a intuição do seu estado de Espírito, o
Espírito encarnado tem, instintivamente, consciência do mundo
invisível, mas os preconceitos bastas vezes falseiam essa idéia
e a ignorância lhe mistura a superstição.”
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