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Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos
Espíritos, por isso mesmo, é médium. Esta faculdade é inerente
ao homem e, por conseqüência, não é privilégio exclusivo; também
são poucos nos quais não se encontrem alguns rudimentos dela.
Pode-se, pois, dizer que todo mundo é, mais ou menos, médium.
Todavia, usualmente, esta qualificação não se aplica senão
àqueles nos quais a faculdade medianímica está nitidamente
caracterizada, e se traduz por efeitos patentes de uma certa
intensidade, o que depende, pois, de um organismo mais ou menos
sensível. De outra parte, deve-se anotar que esta faculdade não
se revela em todos do mesmo modo; os médiuns têm, geralmente,
uma aptidão para tal ou tal ordem de fenômenos, o que lhes
resulta tantas variedades quantas sejam as espécies de
manifestações. As principais são: os médiuns de efeitos físicos,
os médiuns sensitivos ou impressionáveis, audientes, falantes,
videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou
psicógrafos.
O Livro dos Médiuns - Questão 159
Medo e Mediunidade
- Gosto das
reuniões espíritas, contudo, tenho medo de comparecer...
- Sinto a
mediunidade, mas temo...
- Creio
racionalmente no Mundo dos Espíritos, entretanto, não posso nem
pensar seja possível que um espírito me apareça...
Se surgem
comumente confissões quais essas, é preciso anotar que elas
exprimem apenas reduzido número daquelas criaturas que dizem com
franqueza o que pensam.
Quantos médiuns se
afastam em silêncio da ação edificante a que foram chamados e só
os Amigos da Espiritualidade lhes testemunham o medo
inconfessável, a se lhes enrodilhar nos corações por visco
entorpecente!
Sim! Um dos muitos
tipos de medianeiros frustrados no intercâmbio espiritual e que
escapam até agora de toda classificação é o médium medroso.
As pessoas
impressionáveis quase sempre revelam espontâneas
suscetibilidades incluindo naturalmente o medo por um dos
agentes essenciais da sensibilização mediúnica. Complexadas por
algum fato ou conversa ouvida, leitura ou referência que lhes
vincaram a emotividade, alimentam terror pânico e difuso ante o
exercício das faculdades psíquicas, sem qualquer razão de ser.
Certifiquemo-nos
de que o medo é uma espécie de baraço invisível, frenando
inutilmente legiões de trabalhadores valorosos à margem do
serviço. Fobia, - muitas vezes derivada de atitudes infantis -,
é necessário saibamos curá-la, pela medicação do amor fraternal
e do esclarecimento lógico, sem perder de vista que a ocorrência
mediúnica é manifestação de espírito para espírito igual aos
sucessos corriqueiros da vida terrestre.
Médiuns, se o medo
é o teu problema individual, no que respeita à prática
medianímica, situa na construção da fé raciocinada a melhoria a
que aspiras!
A coerência com os
princípios que esposamos ensina-nos que a criatura de fé
verdadeira nada teme, senão a si própria, atenta que vive às
fraquezas pessoais. Em razão disso, é correto receares
simplesmente a ti mesmo, em todos os sentimentos que ainda não
conseguiste disciplinar.
Se não te
amedrontas face à condição de interprete para a troca verbal
entre as criaturas que versam idiomas diferentes por que temer a
posição de instrumento entre pessoas domiciliadas em esferas
diferentes, carecidas de cooperação mediúnica?
Por que motivo te
assustares diante dos desencarnados que são, na essência,
personalidades iguais a ti mesmo?
Espíritos
benevolentes e esclarecidos são mentores preciosos que merecem
apreço e espíritos doentes ou infelizes não devem ser temidos,
por necessitados de mais amor.
Medo é
inexperiência.
Corrige-te,
através do labor mediúnico, raciocinado com o Evangelho Vivo e
perseverando na tarefa de fraternidade.
Na edificação
doutrinária, onde se objetiva o intercambio puro com as Esferas
Superiores, todos os companheiros se esforçam na garantia dos
bons pensamentos e assistência espiritual se levanta de preces
sinceras sendo, portanto, num templo espírita, o local em que a
pessoa humana cousa alguma deve temer, por encontrar aí as
fontes de seu próprio consolo e sustentação.
Não te admitas
incapaz de dominar o medo perante as efusões do reino da alma.
Reage contra qualquer receio infundado, mantendo-te na
tranqüilidade da confiança, no desassombro da fé, na leitura
edificante e na meditação construtiva e, ao fazeres a tua parte
na supressão de semelhante fantasma íntimo, reconhecerás que os
benfeitores da Vida Maior te farão descobrir na lavra mediúnica
o áureo caminho da verdade e o portal sublime do amor.
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