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Os fenômenos
espíritas modernos têm chamado a atenção sobre os fatos análogos
que ocorreram em todas as épocas, e jamais a história foi mais
compulsada sob esse aspecto, que nestes últimos tempos.
Da semelhança dos efeitos, conclui-se a unidade da
causa. Como para
todos os fatos extraordinários cuja razão é desconhecida, a
ignorância viu uma causa sobrenatural, e a superstição as
ampliou acrescentando-lhes crenças absurdas; daí uma multidão
de lendas que, para a maioria, são uma mistura de um pouco de
verdade e muito de falso.
As doutrinas
sobre o demônio, que prevaleceram por tempo tão longo, tinham
de tal modo exagerado o seu poder, que haviam por assim dizer,
feito esquecer Deus; foi por isso que se lhe fazia honra por
tudo que parecia sobrepujar a força humana; por toda a parte
aparecia a mão de Satã; as melhores coisas, as descobertas
mais úteis, sobretudo todas aquelas que podiam tirar o homem da
ignorância e alargar o círculo de suas idéias, muitas vezes,
foram olhadas como obras diabólicas.
Os fenômenos espíritas, mais multiplicados em nossos
dias, sobretudo melhor observados com a ajuda das luzes da razão
e dos dados da ciência, confirmaram, é verdade, a intervenção
de inteligências ocultas, mas agindo sempre nos limites das
leis da Natureza, e revelando, pela sua ação, uma nova força
e leis desconhecidas até agora.
A questão se reduz, pois, em saber de qual ordem são
essas inteligências.
Enquanto não
houve, sobre o mundo espiritual, senão noções incertas ou
sistemáticas, pôde-se enganar; mas hoje, quando observações rigorosas e estudos
experimentais lançaram luz sobre a natureza dos Espíritos, sua
origem e seu destino, seu papel no Universo e seu modo de ação,
a questão se resolve pelos fatos.
Agora, sabe-se que são as almas daqueles que viveram
sobre a Terra. Sabe-se
também que as diversas categorias de Espíritos, bons e maus, não
constituem seres de diferentes espécies, mas não marcam senão
diversos graus de adiantamento.
Segundo a classe que ocupam, em razão do seu
desenvolvimento intelectual e moral, aqueles que se manifestam,
se apresentam sob aspectos muito opostos, o que não os impede
de terem saído da grande família humana, tão bem quanto o
selvagem, o bárbaro e o homem civilizado.
Sobre este
ponto, como sobre muitos outros, a Igreja mantém suas velhas
crenças no que concerne aos demônios.
Ela disse: “Temos princípios que não variaram em
dezoito séculos e que são imutáveis.” Seu erro está precisamente em não levar em conta o
progresso das idéias, e crer Deus bastante pouco sábio para não
proporcionar a revelação ao desenvolvimento da inteligência,
para ter com os homens primitivos a mesma linguagem que com os
homens avançados. Se,
ao passo que a Humanidade avança, a religião se aferra aos
velhos hábitos, tanto em matéria espiritual quanto em matéria
científica, chegará um momento em que ela será invadida pela
incredulidade.
Eis como a
Igreja explica a intervenção exclusiva do demônio nas
manifestações modernas:
Em sua intervenção
exterior, os demônios não são menos atentos em dissimularem a
sua presença para afastarem as suspeitas. Sempre astutos e pérfidos,
atraem os homens para suas ciladas, antes de impor-lhe as
cadeias da opressão e da servidão; aqui despertam a curiosidade pelos fenômenos e os jogos
pueris; ali, ferem de admiração e subjugam pelo atrativo do
maravilhoso; se
o sobrenatural aparece, se sua força os desmascara, acalmam e
apaziguam as apreensões, solicitam confiança, provocam a
familiaridade; ora
se fazem passar por divindades e bons gênios, ora utilizam os
nomes e mesmo os traços dos mortos que deixaram uma memória
entre os vivos; por
meio dessas fraudes dignas da antiga serpente, falam e são
escutados; dogmatizam e são acreditados; misturam às suas
mentiras algumas verdades, e fazem aceitar o erro sob todas as
formas; é aí que desembocam as pretensas revelações de além-túmulo;
é para obter esse resultado que a madeira, a pedra, as
florestas e as nascentes, o santuário dos ídolos, o pé de
mesas, a mão de crianças, representam oráculos; é para isso
que a pitonisa profetiza em seu delírio, e que o ignorante, num
misterioso sono, torna-se, de repente, o doutor da Ciência.
Enganar e perverter, tal é, em toda parte e em todos os
tempos, o objetivo final dessas estranhas manifestações.
Os resultados
surpreendentes dessas observações ou desses atos, na maioria
bizarros e ridículos, não podendo proceder de sua virtude intrínseca,
nem da ordem estabelecida por Deus, não se pode esperá-los senão
do concurso de forças ocultas.
Tais são, notadamente, os fenômenos extraordinários
obtidos, em nossos dias, pelos procedimentos, em aparência
inofensivos, do magnetismo, e o órgão inteligente das mesas
falantes. Por meio
dessas operações da magia moderna, vemos se produzir, entre nós,
as evocações e os oráculos, as consultas, as curas e os
sortilégios que ilustraram os templos dos ídolos e os antros
das sibilas. Como
outrora, ordena-se à madeira e a madeira obedece;
interrogam-lhe, e ela responde em todas as línguas e sobre
todas as questões; encontra-se em presença de seres invisíveis
que usurpam o nome dos mortos, cujas pretensas revelações estão
marcadas com o selo da contradição e da mentira; formas leves
e sem consistência aparecem de repente, e se mostram dotadas de
uma força sobre humana.
Quais são os
agentes secretos desses fenômenos e os verdadeiros atores
dessas cenas inexplicáveis?
Os anjos não aceitariam esses papéis indignos, e não
se prestariam a todos os caprichos de uma vã curiosidade.
As almas dos mortos, que Deus proíbe consultar, moram
numa morada que lhes marcou a sua justiça, e não podem sem a
sua permissão, colocar-se às ordens dos vivos.
Os seres misteriosos que se entregam, assim, à primeira
chamada do herético e do ímpio, como do fiel do crime tão bem
quanto da inocência, não são nem os enviados de Deus, nem os
apóstolos da verdade e da salvação, mas os cúmplices do erro
e do inferno. Apesar
do cuidado que tomam, escondendo-se sob os nomes mais veneráveis,
eles se traem pelo nada de suas doutrinas, não menos que pela
baixeza de seus atos e a incoerência de suas palavras.
Esforçam-se por apagar do símbolo religioso os dogmas
do pecado original, da ressurreição dos corpos, da eternidade
das penas e toda revelação divina, a fim de tirar as leis à
sua verdadeira sanção, e abrir ao vicio todas as barreiras.
Se suas sugestões pudessem prevalecer, formariam uma
religião cômoda, para uso do socialismo e de todos aqueles que
importunam a noção do dever e da consciência.
A incredulidade de nosso século preparou-lhes o caminho.
Possam as sociedades cristãs, por um retorno sincero à
fé católica, escapar ao perigo dessa nova e terrível invasão
Citações extraídas da pastoral do Cardeal Gousset, cardeal
arcebispo de Reims. Em razão do mérito pessoal e da posição
do autor, podemos considerar como sendo a palavra da Igreja).
Toda essa
teoria repousa sobre o principio de que os anjos e os demônios
são seres distintos da alma dos homens, e que estas são o
produto de uma criação especial, inferior mesmo aos demônios,
em inteligência, em conhecimentos e faculdades de todas as espécies. Conclui-se pela intervenção exclusiva dos anjos maus nas
manifestações antigas e modernas, atribuídas aos Espíritos
dos mortos.
A
possibilidade, para as almas, de se comunicarem com os vivos é
uma questão de fato, um resultado da experiência e da observação
que não discutiremos aqui.
Mas admitamos, por hipótese, a doutrina acima, e vejamos
se ela mesma não se destrói por seus próprios argumentos.
Nas três
categorias de anjos, segundo a Igreja, uma se ocupa
exclusivamente do céu; uma outra do governo do Universo; a
terceira está encarregada da Terra, e nesta se encontram os
anjos guardiães encarregados da proteção de cada indivíduo.
Uma parte somente dos anjos dessa categoria tomou parte
na revolta e foi transformada em demônios.
Se Deus permitiu a esses últimos impelir os homens para
a sua perda, pelas sugestões de todos os gêneros, e o fato das
manifestações ostensivas, por que, se é soberanamente justo e
bom, lhes teria concedido o imenso poder de que gozam, deixado
uma liberdade da qual fazem tão pernicioso uso, sem permitir
aos bons anjos fazer-lhes um contrapeso com manifestações
semelhantes dirigidas para o bem?
Admitamos que Deus haja dado uma parte igual de poder aos
bons e aos maus, o que seria já um favor exorbitante em
proveito destes últimos, o homem pelo menos estaria livre para
escolher; mas dar-lhes o monopólio das tentações, com a
faculdade de simular o bem, de se equivocar para seduzir mais
seguramente, seria uma verdadeira armadilha estendida à sua
fraqueza, à sua inexperiência, à sua boa fé; dizemos mais:
seria abusar da confiança de Deus.
A razão recusa admitir uma tal parcialidade em proveito
do mal. Vejamos os
fatos.
Concede-se ao
demônio faculdades transcendentes; nada perderam de sua
natureza Angélica; têm o saber, a perspicácia, a previdência,
a clarividência dos anjos, e além disso a astúcia, a
esperteza e a manha no supremo grau.
Sua finalidade é desviar os homens do bem, e sobretudo
afastá-los de Deus para arrastá-los ao inferno, do qual são
os provedores e os recrutadores.
Compreende-se
que se dirijam àqueles que estão no bom caminho, e que são
desviados por eles se nisso persistem; compreende-se a sedução
e o simulacro do bem, a fim de atraí-los para as suas
armadilhas; mas o que é incompreensível é que se dirijam àqueles
que já lhes pertencem, corpo e alma, para conduzi-los a Deus e
ao bem; ora, quem está mais em suas garras que aquele que
renega e blasfema de Deus, que mergulha no vício e na desordem
das paixões? Já não
está no caminho do inferno?
Compreende-se que, seguro de sua presa, ele a estimule a
orar a Deus, a se submeter à sua vontade, a renunciar ao mal;
que exalte aos seus olhos as delicias da vida dos bons Espíritos,
e lhe pinte com horror a posição dos maus? Viu-se, um dia, um comerciante gabar, aos seus clientes, a
mercadoria do seu vizinho, às expensas da sua, e convidá-los a
irem para casa dele? Um
recrutador depreciar a vida militar, e louvar o repouso da vida
doméstica? Dizer
aos alistados que terão uma vida de cansaço e de privações;
que têm dez chances em uma de serem mortos, ou pelo menos de
terem os braços e as pernas, destruídos?
Está aí,
portanto, o papel estúpido que se faz o demônio desempenhar,
porque há um fato notório, é que, em conseqüência das
instruções emanadas do mundo invisível, vêem-se todos os
dias os incrédulos e os ateus reconduzidos a Deus e orarem com
fervor, o que nunca fizeram; pessoas viciadas trabalharem com
ardor pela sua melhora. Pretender que seja a obra das manhas do demônio, é dele
fazer um verdadeiro tolo. Ora,
como isso aqui não é uma suposição, mas um resultado da
experiência, e que contra um fato não há negação possível,
disso é preciso concluir ou que o demônio é um desastrado num
alto grau, que nem é tão temível, nem tão maligno quanto se
pretende e, por conseqüência, que não é muito a temer, uma
vez que trabalha contra seus interesses, ou bem que todas as
manifestações não são dele.
Eles fazem
aceitar o erro sob todas as formas; é para obter esse resultado
que a madeira, a pedra, as florestas, os mananciais, o santuário
de ídolos, o pé de mesas, a mão de crianças tornam-se oráculos.
Qual é, pois,
depois disso, o valor destas palavras do Evangelho:
“Derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos
e vossas filhas profetizarão; as pessoas jovens terão visões,
e os velhos terão sonhos;
naqueles dias derramarei do meu Espírito sobre meus
servos e sobre minhas servas, e eles profetizarão.”
(Atos dos Apóstolos, cap. II, vv. 17 e 18)
Não é predição da mediunidade dada a todo o mundo,
mesmo às crianças, e que se realiza em nossos dias?
Os Apóstolos lançaram anátema sobre essa faculdade?
Não; anunciaram-na como um favor de Deus, e não como
obra do demônio. Sabem
os teólogos de nossos dias, sobre esse ponto, mais que os Apóstolos?
Não deveriam ver o dedo de Deus no cumprimento dessas
palavras?
Por meio dessas
operações da magia moderna vemos se reproduzirem entre nós as
evocações e os oráculos, as consultas, as curas e os sortilégios
que ilustraram os templos dos ídolos e os antros das sibilas.
Onde se vê
operações de magia nas evocações espíritas?
Foi-se o tempo em que se podia crer em sua eficácia, mas
hoje elas são ridículas; ninguém crê nelas e o Espiritismo
as condena. À época
em que floresceu a magia, não havia senão uma idéia muito
imperfeita sobre a natureza dos Espíritos, que se olhava como
seres dotados de um poder sobre-humano; não eram chamados senão
para deles se obterem, fosse mesmo ao preço de sua alma, os
favores da sorte e da fortuna, a descoberta de tesouros, a
revelação do futuro, ou filtros.
A magia, com a ajuda dos seus sinais, fórmulas e operações
cabalísticas, era tida para fornecer pretensos segredos para
operar prodígios, obrigar os Espíritos a se colocarem às
ordens dos homens e satisfazerem-lhes os desejos. Hoje sabe-se que os Espíritos não são senão as almas dos
homens; não são chamados senão para receber os conselhos dos
bons, moralizar os imperfeitos, e para continuar as relações
com os seres que nos são caros.
Eis o que diz o Espiritismo a esse respeito.
-
Não há nenhum meio de obrigar um Espírito a vir,
apesar dele, se for vosso igual ou vosso superior, em
moralidade, porque não tendes nenhuma autoridade sobre ele; se
for vosso inferior, vós o podereis, se for para o seu bem,
porque então outros Espíritos vos secundam.
-
A mais essencial de todas as disposições para as evocações
é o recolhimento, quando se quer ter relações com Espíritos
sérios. Com a fé
e o desejo do bem, se é mais poderoso para evocar os Espíritos
superiores. Elevando
sua alma, por alguns instantes de recolhimento, no momento da
evocação, identifica-se com os bons Espíritos, e os dispõe a
virem. Nenhum objeto, medalha ou talismã, tem a propriedade de
atrair ou de afastar os Espíritos; a matéria não tem nenhuma
ação sobre eles. Jamais
um bom Espírito aconselha semelhantes absurdos.
A virtude dos talismãs jamais existiu senão na imaginação
de pessoas crédulas.
-
Não há formula sacramental para a evocação dos Espíritos.
Quem pretenda dar-lhe uma, pode ousadamente ser taxado de
charlatanice, porque para os Espíritos a forma não é nada.
Todavia, a evocação deve sempre ser feita em nome de
Deus.
-
Os Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres
ou fora de hora, são Espíritos que se divertem às custas
daqueles que os escutam. É
sempre inútil, e freqüentemente perigoso, ceder a tais sugestões;
inútil porque não se ganha absolutamente nada, que ser
mistificado; perigoso, não pelo mal que os Espíritos possam
fazer, mas pela influência que isso pode exercer sobre os cérebros
fracos.
-
Não há nem dias nem horas especialmente propícios para
as evocações; isso é completamente indiferente para os Espíritos,
como tudo o que é material, e seria uma superstição
crer nessa influência.
Os momentos mais favoráveis são aqueles em que o
evocador pode estar o menos distraído pelas suas ocupações
habituais; em que seu corpo e seu Espírito estão mais calmos.
-
A critica malevolente está mais para representar as
comunicações espíritas como cercadas de práticas ridículas
e supersticiosas da magia e da necromancia. Se aqueles que falam do Espiritismo sem conhecê-lo, se
tivessem dado ao trabalho de estudarem do que querem falar,
teriam poupado gastos de imaginação ou alegações que não
servem senão para provarem a sua ignorância ou a sua má
vontade. Para a
edificação de pessoas estranhas à ciência, diremos que não
há, para comunicar com os Espíritos, nem dias, nem horas, nem
lugares mais propícios uns que outros; que não é preciso,
para evocá-los, nem fórmulas, nem palavras sacramentais ou
cabalísticas; que não há necessidade de nenhuma preparação
nem de nenhuma iniciação; que o emprego de todo sinal ou
objeto material, seja para atraí-los, seja para afastá-los, não
tem efeito, e que o pensamento basta; enfim, que os médiuns
recebem as suas comunicações, sem saírem do estado normal, tão
simplesmente e tão naturalmente como se fossem ditadas por uma
pessoa viva. Só o
charlatanismo poderia afetar maneiras excêntricas e acrescentar
acessórios ridículos.
-
Em princípio, o futuro deve ser ocultado ao homem; não
é senão em casos raros e excepcionais que Deus permite a sua
revelação. Se o
homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não
agiria com a mesma liberdade, porque seria dominado pelo
pensamento que, se uma coisa deve chegar, não há com que dela
se preocupar, ou bem procuraria
entravá-la. Deus não
quis que assim fosse, a fim de que cada um concorresse para o
cumprimento das coisas, mesmo daquelas às quais gostaria de se
opor. Deus permite a revelação do futuro quando esse conhecimento
prévio deva facilitar o cumprimento de uma coisa, em lugar de
entravá-la, conduzindo a agir de outro modo ao que se teria
feito sem isso.
-
Os Espíritos não podem guiar nas pesquisas científicas
e nas descobertas. A ciência é a
obra do gênio; ela não deve ser adquirida senão pelo
trabalho, porque é só pelo trabalho que o homem avança em seu
caminho. Que mérito
haveria se não tivesse senão que interrogar os Espíritos para
tudo saber? Todo
imbecil poderia tornar-se sábio por esse preço.
Ocorre o mesmo com as invenções e as descoberta da indústria.
Quando o tempo de uma descoberta chegou, os Espíritos
encarregados de dirigir-lhe a marcha procuram o homem capaz de
conduzi-la a bom fim, e lhe inspiram as idéias necessárias, de
maneira a deixar-lhe todo o mérito, porque essas idéias, é
preciso que as elabore e as ponha em prática.
Assim ocorre com todos os grandes trabalhos da inteligência
humana. Os Espíritos
deixam cada homem em sua esfera; daquele que não é próprio
senão para cavar a terra, não farão depositário dos segredos
de Deus; mas eles saberão tirar da obscuridade o homem capaz de
secundar os seus desígnios.
Não vos deixeis, pois, arrastar pela curiosidade ou ambição,
para um caminho que não é objetivo do Espiritismo, e que
resultará para vós nas mais ridículas mistificações.
-
Os Espíritos não podem fazer descobrir os tesouros
ocultos. Os Espíritos
superiores não se ocupam dessas coisas; mas os Espíritos
zombeteiros indicam, freqüentemente, tesouros que não existem,
ou podem fazer procurar um num lugar, ao passo que está no
oposto; e isso tem a sua utilidade para mostrar que a verdadeira
fortuna está no trabalho.
Se a providência destina riquezas ocultas a alguém,
esse alguém as
encontrará naturalmente, de outro modo não.
-
O Espiritismo, esclarecendo-nos sobre as propriedades dos
fluidos que são os agentes e os meios de ação do mundo invisível,
e constituem uma das forças e um dos poderes da Natureza, nos dá
a chave de uma multidão de coisas sem explicação e inexplicáveis por todo outro meio, e que
puderam, nos tempos recuados, passar por prodígios. Ele revela, do mesmo modo que o magnetismo, uma lei, senão
desconhecida, pelo menos mal compreendida; ou, melhor dizendo,
conheciam-se os efeitos, porque se produziram em todos os
tempos, mas não se conhecia a lei, e foi essa ignorância da
lei quer engendrou a superstição.
Conhecida essa lei, o maravilhoso desapareceu, e os fenômenos
entraram na ordem das coisas naturais.
Eis porque os espíritas não fazem mais milagres fazendo
girar uma mesa ou um defunto escrever, que o médico fazendo
reviver um moribundo, ou um físico fazendo cair o raio.
Aquele que pretendesse, com a ajuda desta ciência, fazer
milagres, seria ou um ignorante da coisa, ou um enganador.
-
Certas pessoas fazem uma idéia muito falsa das evocações;
há as que crêem consistirem em fazer os mortos voltarem com o
aparato lúgubre do túmulo. Não é senão nos romances, nos contos fantásticos de
fantasmas e no teatro que se vêem os mortos descarnados saírem
de seus sepulcros, coberto de lençóis, fazendo estalar seus
ossos. O
Espiritismo, que jamais fez milagres, não tem feito mais aquele
que outros, e jamais fez reviver um corpo morto; quando um corpo
está na fossa, aí está bem definitivamente; mas o ser
espiritual, fluídico, inteligente, não está aí colocado com
o seu envoltório grosseiro; dele se separou no momento da
morte, e uma vez operada a separação, não tem mais nada de
comum com ele.
-
Estendemo-nos sobre essas citações para mostrar que os
princípios do Espiritismo não têm nenhuma
relação com a magia.
Assim, nada de Espíritos às ordens dos homens, nada de
meios de obrigá-los, nada de sinais ou fórmulas cabalísticas,
nada de descobertas de tesouros ou procedimentos para se
enriquecer, nada de milagres ou prodígios, nada de adivinhações
nem aparições fantásticas; nada, enfim, do que constitui o
objetivo e os elementos essenciais da magia; o Espiritismo não
somente nega todas essas
coisas, mas delas demonstra a impossibilidade e a ineficácia.
Não há, pois, nenhuma analogia entre o fim e os
meios da magia com os do Espiritismo; querer assimilá-los
não pode ser senão o fato da ignorância ou da má fé; e como
os princípios do Espiritismo não têm nada de secreto, e são
formulados em termos claros e sem equívocos, o erro não
poderia prevalecer. Quanto
aos fatos das curas, reconhecidas reais na pastoral supracitada,
o exemplo foi mal escolhido para afastar das relações com o
Espírito. É um
dos benefícios que tocam mais e cada um pode apreciar; poucas
pessoas estarão dispostas a renunciá-lo, sobretudo depois de
terem esgotado todos os outros meios, na crença de ser curada
pelo diabo; mais de um, ao contrário, dirá que, se o diabo o
curou, ele fez uma boa ação.
Quais são os
agentes secretos desses fenômenos e os verdadeiros autores
dessas cenas inexplicáveis? Os anjos não aceitariam esses papéis indignos, e não se
prestariam a todos os caprichos de uma vã curiosidade.
O autor quer
falar das manifestações físicas de Espíritos;
entre elas, há evidentemente as que seriam pouco dignas
de Espíritos superiores; e se, substituis a palavra anjos por
puros Espíritos ou Espíritos Superiores, tereis exatamente o
que diz o Espiritismo. Mas
não se poderiam colocar na mesma linha as comunicações
inteligentes pela escrita, pela palavra, pela audição ou todo
outro meio, que não são mais indignas de bons Espíritos e que
não o são na terra de homens os mais eminentes, nem as aparições,
as curas e uma multidão de outros que os livros sacros citam em
profusão como sendo o fato de anjos ou de santos.
Se, pois, os anjos e os santos produziram outrora fenômenos
semelhantes, por que não os produziriam hoje?
Por que os mesmos fatos seriam hoje a obra do demônio,
nas mãos de certas pessoas, ao passo que são reputados
milagres santos em outras?
Sustentar semelhante tese é abdicar de toda lógica.
O autor da
pastoral está em erro quando diz que esses fenômenos são
inexplicáveis. Ao
contrário, são hoje perfeitamente explicados, e é por isso
que não são vistos como maravilhosos e sobrenaturais; e não o
fossem ainda, não seria mais lógico atribuí-los ao diabo,
como não era outrora, dar-lhe a honra de todos os efeitos
naturais que não se compreendiam.
Por papéis
indignos é preciso entender os papéis ridículos e aqueles que
consistem em fazer o mal; mas não se pode assim qualificar o de
Espíritos que fazem o bem, e conduzem os homens a Deus e à
virtude. Ora, o
Espiritismo diz expressamente que os papéis indignos não são
atribuições de Espíritos superiores, assim como provam os
preceitos seguintes:
-
Reconhece-se a qualidade dos Espíritos pela sua
linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é
sempre digna e nobre, lógica, isenta de contradições; respira
a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura;
é concisa e sem palavras inúteis.
Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou orgulhosos, o
vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de
palavras. Todo
pensamento evidentemente falso, toda máxima contraria a sã
moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira,
trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência,
de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de
inferioridade num Espírito.
-
Os Espíritos superiores não se ocupam senão de
comunicações inteligentes, tendo em vista nossa instrução;
as manifestações físicas ou puramente materiais estão mais
especialmente nas atribuições de Espíritos inferiores,
vulgarmente designados sob o nome de Espíritos batedores; como
entre nós, os grandes esforços competem aos saltimbancos e não
aos sábios. Seria
absurdo pensar que os Espíritos, enquanto sejam pouco elevados,
divertem-se em se exibirem.
Qual é o homem
de boa fé que pode ver, nesses preceitos, um papel indigno
atribuído aos Espíritos elevados?
Não somente o Espiritismo não confunde os Espíritos,
mas, ao passo que se atribui aos demônios uma inteligência
igual à dos anjos, ele constata, pela observação dos fatos,
que os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes, que
seu horizonte moral é limitado, sua perspicácia restrita; que
têm das coisas uma idéia freqüentemente falsa e incompleta, e
são incapazes de resolverem certas questões, o que os
colocaria na impossibilidade de fazerem tudo o que se atribui
aos demônios.
As almas dos
mortos, que Deus proíbe consultar, moram em uma morada que lhes
marcou a sua justiça, e elas não podem, sem a sua permissão,
colocar-se às ordens dos vivos.
O Espiritismo
diz também que elas não podem vir sem a permissão de Deus,
mas é ainda bem mais rigoroso, porque diz que nenhum Espírito,
bom ou mau, pode vir sem essa permissão, ao passo que a Igreja
atribui aos demônios o poder de transpô-la.
Vai mais longe ainda, uma vez que disse que, mesmo com
essa permissão, quando vêm ao chamado dos vivos, não é para
se colocarem às suas ordens.
O Espírito
evocado vem voluntariamente ou é constrangido a isso? – Ele
obedece à vontade de Deus, quer dizer, à lei geral que rege o
Universo; julga se é útil vir, e está aí, ainda, para ele, o
seu livre arbítrio. O
Espírito superior vem sempre
quando é chamado para um fim útil; não se recusa a
responder senão nos meios de pessoas pouco sérias e que tratam
a coisa em brincadeira.
Pode o Espírito
evocado recusar-se a vir ao chamado que lhe é feito? –
Perfeitamente; onde estaria o seu livre arbítrio sem isso?
Credes que todos os seres do Universo estejam às vossas
ordens? E vós
mesmos, estais obrigados a responder a todos aqueles que
pronunciam vosso nome? Quando
digo que pode se recusar a isso, entendo quanto ao pedido do
evocador, porque um Espírito inferior pode ser constrangido a
vir por um Espírito Superior.
Os espíritas
estão de tal modo convencidos de que não têm poder direto
sobre os Espíritos, e nada podem obter sem a permissão de
Deus, que, quando chamam a um Espírito qualquer, dizem: “Peço
a Deus Todo-poderoso permitir a um bom Espírito se comunicar
comigo; pe,o também ao meu anjo guardião consentir em me
assistir e afastar os maus Espíritos”; ou então, quando se
trata de chamar um Espírito determinado: “Peço a Deus
Todo-poderoso permitir ao Espírito de um tal se comunicar
comigo”.
As acusações
lançadas pela Igreja contra a prática das evocações não
concernem, pois, ao Espiritismo, uma vez que se dirigem
principalmente sobre as operações da magia, com a qual não
tem nada em comum; ele condena nessas operações, o que ela
mesma condena; não faz os bons Espíritos desempenharem um
papel indigno deles, e, enfim, declara nada pedir e nada obter
sem a permissão de Deus.
Sem dúvida,
pode haver pessoas que abusam das evocações, que delas fazem
um jogo, que desviam seu objetivo providencial para que sirvam
aos seus interesses pessoais, que, por ignorância, leviandade,
orgulho ou cupidez, se afastam dos verdadeiros princípios da
Doutrina; mas o Espiritismo sério as reprova, como a verdadeira
religião reprova os falsos devotos e os excessos do fanatismo.
Não é, pois, nem lógico nem eqüitativo imputar ao
Espiritismo em geral os abusos que ele condena, ou as faltas
daqueles que não o compreendem.
Antes de formular uma acusação, é preciso ver se ela
assenta justo. Portanto,
diremos: A censura da Igreja cai sobre os embusteiros, os
exploradores, as práticas da magia e da feitiçaria; nisso ela
tem razão. Quando
a critica religiosa e cética filtra os abusos e estigmatiza o
charlatanismo, não faz melhor com isso que ressaltar a pureza
da sã doutrina, que ajuda, assim, a se desembaraçar das más
escórias; nisso facilita a nossa tarefa.
Seu erro está em confundir o bem e o mal, por ignorância
na maioria, por má-fé em alguns; mas, a distinção que ela não
faz, outros a fazem. Em
todos os casos, sua censura, à qual todo espírita sincero se
associa no limite do que se aplica ao mal, não pode atingir a
Doutrina.
Os seres
misteriosos que se entregam assim ao primeiro chamado do herético
e o ímpio como do fiel, do crime tão bem quanto da inocência,
não são nem os enviados de Deus, nem os apóstolos da verdade,
mas os cúmplices do erro e do inferno.
Assim, ao herético,
ao ímpio, ao criminoso, Deus não permite que os bons Espíritos
venham tirá-los do erro para salvá-los da perdição eterna!
Não lhe envia senão os subordinados do inferno para
enfiá-los mais no lamaçal!
Bem mais, não envia à inocência senão seres perversos
para pervertê-la! Não
se encontra, pois, entre os anjos, essas criaturas privilegiadas
de Deus, nenhum ser bastante compassivo para vir em socorro
dessas almas perdidas? Por
que as qualidades brilhantes de que são dotados, se não servem
senão para seus gozos pessoais?
São realmente bons se, mergulhados nas delícias de sua
contemplação, vêem essas almas no caminho do inferno, sem
virem dele desviá-las? Não
é a imagem do rico egoísta que, tendo tudo em profusão, sem
piedade, deixa o pobre morrer de fome à sua porta?
Não é o egoísmo erigido em virtude e colocado até aos
pés do Eterno?
Não vos
admireis que os bons Espíritos vão ao herético e ao ímpio;
esqueceis, pois, esta palavra do Cristo: “Não é aquele que
está bem que tem necessidade de médico.”
Não veríeis as coisas de um ponto mais elevado que os
Fariseus de seu tempo? E
vós mesmos, se fosseis chamados por um descrente, recusaríeis
ir a ele para colocá-lo no bom caminho?
Os bons Espíritos fazem, pois, o que faríeis; vão ao
ímpio fazê-lo ouvir boas palavras.
Em lugar de lançar anátema às comunicações de além-túmulo,
bendizei os caminhos do Senhor, e admirai o seu todo poder e a
sua bondade infinita.
Há, diz-se, os
anjos guardiões; mas, quando esses anjos de guarda não podem
se fazer ouvir pela voz misteriosa da consciência ou da inspiração,
por que não empregariam meios de ação mais diretos e mais
materiais, de natureza a ferirem os sentidos, uma vez que eles
existem? Deus
coloca, pois, esses meios, que são obra sua, uma vez que tudo
vem dele e que nada chega sem a sua permissão, à disposição
dos maus Espíritos, ao passo que recusa aos bons deles se
servirem? De onde
é preciso concluir que Deus dá aos demônios mais facilidades
para perder os homens, que as dá aos anjos guardiões para salvá-los.
Pois bem! O que
os anjos de guarda não podem fazer, segundo a Igreja, os demônios
o fazem por eles; com a ajuda dessas mesmas comunicações,
supostamente infernais, conduzem a Deus aqueles que o renegam, e
ao bem aqueles que estão mergulhados no mal; dão-nos o
estranho espetáculo de milhões de homens que crêem em Deus
pelo poder do diabo, então que a Igreja fora impotente para
convertê-los. Quantos
homens que não oraram jamais, oram hoje com fervor, graças às
instruções desses mesmos demônios!
Quantos deles não se vêem que, de orgulhosos, egoístas
e debochados, se tornaram humildes, caridosos e menos sensuais!
E se diz que é a obra dos demônios!
Se assim for, é preciso convir que os demônios
prestaram um maior serviço e os assistiu melhor que os anjos.
É preciso ter uma bem pobre opinião do julgamento dos
homens deste século, para crer que possam aceitar cegamente
tais idéias. Uma
religião que faz a sua pedra angular de semelhante doutrina,
que se declara solapada em sua base, tirando-se
seus demônios, seu inferno, suas penas eternas e seu
Deus sem piedade, é uma religião que se suicida.
Deus, diz-se,
que enviou seu Cristo para salvar os homens, não provou seu
amor por suas criaturas, e as deixou sem proteção?
Sem nenhuma dúvida, o Cristo é o divino Messias,
enviado para ensinar as verdades aos homens e mostrar-lhes o bom
caminho; mas, somente depois dele, contai o número daqueles que
puderam ouvir a sua palavra de verdade, quantos morreram e
quantos morrerão sem conhecê-la, e, entre os que a conhecem,
quantos há que a colocam em prática! Por que Deus, em sua solicitude para a salvação de seus
filhos, não lhes enviaria outros mensageiros, vindos sobre toda
a Terra, penetrando nos mais humildes redutos, entre os grandes
e os pequenos, entre os sábios e os ignorantes, entre os incrédulos
como entre os crentes, ensinar a verdade àqueles que não a
conhecem, fazê-la compreender àqueles que não a compreendem,
suprir, pelo seu ensinamento, direto e múltiplo, à insuficiência
da propagação do Evangelho, e apressar, assim, o advento do
reino de Deus? E
quando esses mensageiros chegarem em massas inumeráveis,
abrindo os olhos aos cegos, convertendo os ímpios, curando os
doentes, consolando os aflitos, a exemplo de Jesus, vós os
repelireis, repudiareis o bem que fazem, dizendo que são os demônios?
Tal é também a linguagem dos Fariseus com relação a
Jesus, porque eles também diziam que fazia o bem pelo poder do
diabo. O que ele
lhes respondeu? “Reconhecereis
a árvore pelo seu fruto; uma árvore má não pode dar bons
frutos.”
Mas, para eles,
os frutos produzidos por Jesus eram maus, porque vinham destruir
os abusos e proclamar a liberdade que devia arruinar a sua
autoridade; se viesse para lisonjear o seu orgulho, sancionar as
suas prevaricações e sustentar o seu poder, aos seus olhos,
seria o Messias esperado pelos Judeus.
Ele era só, pobre e fraco, fizeram-no perecer e creram
matar a sua palavra; mas a sua palavra era divina e lhe
sobreviveu. Entretanto,
ela se propagou com lentidão e, depois de dezoito séculos,
apenas é conhecida da décima parte do gênero humano, e cismas
numerosos explodiram no seio dos seus próprios discípulos. Foi então que Deus, em sua misericórdia, enviou os Espíritos
para confirmá-la, colocá-la ao alcance de todos, e difundi-la
por toda a Terra. Mas
os Espíritos não estão encarnados em um único homem, cuja
voz seria limitada; são inumeráveis, vão por toda a parte e não
se pode prendê-los, eis por que os seus ensinamentos se
difundem com a rapidez do raio;
falam ao coração e à razão, eis por que são
compreendidos pelos mais humildes.
Não é indigno
de celestes mensageiros, dizei-vos, transmitirem as suas instruções
por um meio assim vulgar que o das mesas falantes?
Não é ultrajá-los supor que se divertem com
trivialidades e deixam a sua brilhante morada para se porem à
disposição de qualquer um?
Jesus não
deixou a morada de seu Pai para nascer num estábulo?
Onde vistes, aliás, que o Espiritismo atribua coisas
triviais aos Espíritos superiores?
Ele disse, ao contrário, que as coisas vulgares são o
produto de Espíritos vulgares.
Mas, mesmo pela sua vulgaridade, com isso não feriam senão
mais as imaginações; serviram para provar a existência do
mundo espiritual e mostrar que esse mundo é diferente do que se
julgava. Era o
inicio; era simples como tudo que começa, mas a árvore saída
de um pequeno grão não estende menos, mais tarde, ao longe a
sua folhagem. Quem
creria que de miserável manjedoura de Belém, sairia um dia a
palavra que deveria agitar o mundo?
Sim,
o Cristo é o Messias divino; sim, a sua palavra é a da
verdade; sim, a religião fundada sobre essa palavra será
inabalável, mas com a condição de seguir e praticar os seus
sublimes ensinamentos e não fazer do Deus justo e bom que nos
ensina a conhecer, um Deus parcial, vingativo e sem piedade.
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