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Pode-se considerar o Espiritismo uma revelação? Neste caso,
qual é o seu caráter? Sobre o que está fundada a sua
autenticidade? A quem e de que modo foi feita? A Doutrina
Espírita é uma revelação, no sentido teológico da palavra, quer
dizer, é, em todos os pontos, o produto de um ensinamento oculto
vindo do Alto? É absoluta ou suscetível de modificações?
Trazendo aos homens a verdade pronta, a revelação não teria por
efeito impedi-los de fazerem uso de suas faculdades, uma vez que
lhes pouparia o trabalho da pesquisa? Qual pode ser a autoridade
do ensinamento dos Espíritos, se eles não são infalíveis e
superiores à Humanidade? Qual a utilidade da moral que pregam,
se essa moral não é outra senão a do Cristo, que se conhece?
Quais são as verdades novas que nos trazem? Tem o homem
necessidade de uma revelação e não pode encontrar, em si mesmo e
em sua consciência, tudo que lhe é necessário para se conduzir?
Tais são as questões sobre as quais importa nos fixemos.
A Gênese - Caracteres da Revelação Espírita - Capítulo Primeiro,
item 1.
O Novo
Espiritualismo
O Espiritismo ou a Terceira Revelação
O Espiritualismo
sempre esteve presente nas elucubrações do homem. Desde tempos
imemoriais se encontram os vestígios da revelação do Mundo
Espiritual, em contínuo intercâmbio, mediante o qual o homem
hauria luzes e esperanças para enfrentar os problemas existentes
e as naturais hostilidades do meio em que estava colocado para
progredir...
As grandes
Civilizações da antiguidade oriental, graças ao elevado e
contínuo conúbio com as forças vivas da Natureza - os
sobreviventes do túmulo -, edificaram os seus fabulosos
monumentos e construíram as linhas básicas da cultura e da ética
em que estribaram os próprios postulados.
Penetrando a mente
ávida de conhecimento pela senda dos “Mistérios”, conceberam,
através da vigorosa interferência dos desencarnados que eram
tidos como deuses, fadas, anjos tutelares e gênios, as doutrinas
secretas, de que nos fala o esoterismo oriental, verdadeiro
repositório de espiritualidade e beleza, qual fonte generosa a
fluir cristalina e confortante.
A evolução da
Humanidade tem sido vagarosa: conquista a conquista,
pacientemente.
No princípio, no
silêncio das criptas, dos santuários, no altar da Natureza, o
homem realiza os seus mais eloqüentes descobrimentos.
Sob os espessos
véus dos cerimoniais extravagantes florescem as doutrinas
secretas apresentando, todavia, odor de alta espiritualidade. Na
Índia, é o Bramanismo; No Egito, o Hermetismo; em Israel, a
Cabala; na Grécia e em Roma, o Politeísmo... Observando a
realidade exterior, todos os ocultistas penetravam o mistério da
realidade interior da natureza e do homem, colhendo as valiosas
informações que contem o gérmen da vida abundante, eterna. A
alma, embora a vida dual na Terra e fora dela, é a detentora da
sabedoria.
Nascem, então,
nessas pesquisas, as Ciências dos Números, conhecidas como
Matemáticas Sagradas, a Teogonia, a Cosmogonia, a Astrologia, a
Magia...
O iniciado tem em
toda parte o seu Deus Único, que chama, na Índia, Brama; no
Egito, Osíris; no Olimpo grego, Júpiter, como Soberano sobre
todos os deuses, embora o aparente politeísmo.
Dessas fontes saem
os grandes fundadores de Religiões: Krishna, Buda, Zoroastro e
Hermes, Moisés e Jesus... Aí, também, surgem os pais do
pensamento filosófico: Sócrates, Platão, Aristóteles,
Pitágoras...
A religião
verdadeira, porém, pairava acima das fórmulas e dos cerimoniais.
Os ensinos foram reunidos nos Vedas, no Zenda-Avesta, no Livro
dos Mortos, na Bíblia...
A Idade Média
guardaria, ainda, fortes reminiscências dos cultos antigos e a
Maçonaria ressuscitou a iniciação essênia para preparar o
discípulo e ajudá-lo a galgar os degraus superiores.
Através da boca
dos seus sensitivos, em matizes diferentes, falaram os imortais.
Utilizando-se dos
richis e hierofantes, dos profetas e sibilas, pítons e
sacerdotes, patriarcas e oráculos, apresentaram-se os Espíritos
vitoriosos ao túmulo, revestidos das paixões que os afligiam,
como da excelsitude em que se elevaram exigindo e ensinando
doutrinas ora estranhas, absurdas e chocantes, ora sutis e
nobres, desvelando a procedência de cada um, na simbologia da
dualidade conflitante em a natureza humana: o mal e o bem.
Povos e nações antigos sempre tomavam suas decisões diante dos
Auríspices e interpretes dos sinais com que esperavam encontrar
a resposta dos deuses às suas solicitações e problemas. Através
de práticas esdrúxulas e sacrifícios bárbaros, pensavam aplacar
a violência dos seus numes, conseguindo propiciamento a suas
ambições e ânsias expansionistas.
Através do estudo
das conjunções astrológicas, estabeleciam-se prognósticos de
glórias e desgraças, tentando-se ler nos céus o destino dos
homens e das civilizações.
Lentamente a
revelação incessante impôs as suas soberanas leis e, ao oceano
politeísta, sobrepôs-se a grandiosidade de um Deus único, sem
nome, em cada lugar caracterizado especificamente como o
Absoluto, que paira acima e alem de todas as concepções e
entendimentos.
Na Índia, no
Egito, na Babilônia, na Assíria, na Pérsia, em Israel,
sobrenadaram, no báratro das informações confusas, as
excelências espirituais constituindo verdadeiras glórias do
pensamento religioso e filosófico, que sustentou os seus povos,
até que se alteraram os rumos das suas realizações, sucumbindo
num ciclo e desaparecendo, a fim de ressurgirem noutras
nacionalidades e raças, na imensa viagem para a redenção...
Profetas de
variada nomenclatura vaticinaram os fastos do porvir, produziram
fenômenos de relevância com que se impuseram ao respeito do
tempo e das comunidades em que viviam, exteriorizando as
legítimas realidades da vida espiritual, em realizações épicas,
religiosas, sociais e éticas, inesquecíveis.
Dentre os
primeiros, os grandes iniciados. Moisés foi o escolhido para o
cometimento incomparável de conduzir o povo hebreu à liberdade
física, e acenar-lhe a perfeita liberdade espiritual, mediante a
incondicional adesão à verdade contida no Decálogo de que fora
excelente instrumento do Mundo Transcendental.
A primeira grande
revelação, todavia, não encontrou no seu tempo a mentalidade
própria, em considerando os séculos de escravidão e
degenerescência moral do povo ao qual se destinava de início,
vindo a tornar-se um rude veículo de flagício e perseguição, por
meio do qual se programou a constituição política, histórica e
religiosa de Israel, em detrimento da finalidade essencial que
era preparar nas mentes e nos corações a hora sublime do
Messias.
Anunciado pelos
grandes médiuns que O precederam e descrito pelos organizadores
da Terra, Seu advento foi revelado e saudado por anjos e
sacerdotes fiéis que O identificaram.
Ele chega e
assinala a Era Nova com os marcos inconfundíveis da superior
presença.
Com Jesus mudam-se
as conjunturas do pensamento vigente. O amor de que se faz
mensageiro é a aliança que o Pai mantém com os filhos, não
obstante o demorado recalcitrar destes.
Não derroca o
estabelecido, não se rebela contra a austera severidade dos
códigos legais, submetendo-se até ao sacrifício, mesmo
injustiçado, a fim de ensinar que a subida ao monte da vitória
libertadora pertence a cada um após decisão irrefragável.
Prevendo, no
entanto, que os homens do Seu tempo e, quiçá, do futuro, não
resguardariam Seus ensinos indenes da interferência das suas
paixões e mazelas, prometeu O Consolador que recordaria Suas
palavras, adicionaria capítulos novos e nunca deixaria as
criaturas...
A segunda grande
revelação para a Humanidade, a do Cristo, simbolizada no amor,
logo se entorpeceu e se descaracterizou através do suceder dos
evos após a partida d´Ele.
Lentamente foi
recebendo a introdução e a enxertia das vãs preocupações e
transitórias aspirações humanas. Algum tempo depois, ei-la
crivada de adulterações e modismos adaptáveis às conveniências
de classes e greis, deixando à margem a transparência dos
ensinos primitivos, perdidos na exegese e na teologia com o que
se procurava obscurecer a mensagem sublime.
No entanto, a
Previdência Divina, sem cessar, prosseguiu mandando à Terra
Espíritos missionários nos diversos campos do conhecimento e da
religião, a fim de que não ficasse esquecida a palavra do
Excelso Cantor...
Em 834, o papa
Damaso inspiradamente confiara a São Jerônimo a tarefa especial
de fazer uma tradução, para o latim, do Antigo e do Novo
Testamento. A missão se revestia de quase insuperáveis
obstáculos, considerando-se o número e variedade de textos.
Conduzido por vigilantes obreiros desencarnados, o excelente
trabalhador se desincumbe do compromisso, reconhecendo, no
entanto, as dificuldades e os possíveis enganos cometidos.
Todavia, o suceder dos tempos faria que se alterassem, ora no
Concílio de Trento, ora por Sixto V, em 1590, posteriormente por
Clemente VIII, em que hoje se estruturam as modernas traduções.
Não obstante,
continua a perpassar no texto do Evangelho a sutil e elevada
presença de Jesus, Seus feitos e ditos, Sua vida incomparável.
A mensagem
original ressalta, poderosa, de todo o texto em alto brado de
amor e de advertência ao homem desatento da atualidade.
As alterações não
conseguem ofuscar o brilho da verdade.
- “Declaro que se
estes (os discípulos) se calarem as pedras clamarão” - afirmara
Jesus no monte das Oliveiras, redargüindo aos fariseus que
solicitaram fossem silenciados os estudantes trabalhadores da
Boa Nova nascente.
Quando as
conveniências asfixiaram o vero ideal do sacrifício e da
abnegação, da renúncia e da caridade, as pedras das sepulturas
puseram-se a clamar em altas vozes, libertando os que eram
considerados mortos e ali jaziam, tidos por adormecidos em longo
letargo.
Inutilmente os
homens, ávidos e zelosos das suas paixões, tentaram silenciar
novamente essas vozes, ceifando as vidas por cujas bocas falavam
e, ao fazê-lo, engrossavam mais a legião dos reveladores.
Nesse momento,
quando a cultura começava a libertar o homem da ignorância, o
Prof. Rivail foi convocado ao exame das informações mediúnicas
que adornavam os salões do mundo, mergulhando a alma de escol no
infinito oceano das instruções espirituais, que abandonavam a
frivolidade para tornar-se roteiro e guia para a Humanidade.
Com esse trabalho
impar, surgiu o Espiritismo, ao ser apresentada a Era Nova em
delineamento, conforme lhe fora revelada pelas “Vozes dos Céus”.
Allan Kardec fez-se o mensageiro da Terceira grande Revelação,
aquela que abalaria os alicerces do mundo, exatamente quando as
criaturas já se encontravam em condições intelectuais e
emocionais de compreender a sua gloriosa destinação.
Armado com os
instrumentos das pesquisas, mediante os quais reconhece a
própria pequenez e se faz humilde, o homem pode, agora,
comprovar a imortalidade da alma, elucidar os enigmas do micro,
como do macrocosmo, preparando-se para os grandes saltos da
evolução.
O Espiritismo veio
para ficar. Sua meta é o homem, e guiá-lo com segurança é o seu
fanal.
Já não sobrevivem
a ignorância, a superstição, o obscurantismo em domínio
absoluto. Embora teimem em permanecer algumas trevas, as
poderosas luzes do Mundo Espiritual vencem as masmorras
sepulcrais e alcançam a Humanidade, prenunciando o ditoso dia
nascente como bênção para o futuro.
Nenhum enigma para
o pensamento resiste à presença da Doutrina Reveladora. Quem é o
homem? Donde vem? Por que sofre? Para onde vai? Como seguir? -
eis as antigas interrogações ora elucidadas pelo novo
Espiritualismo com Jesus -, cujas bases se assentam nas
luminosas palavras do Evangelho em dimensão de eternidade, além
do tempo e do espaço: o Espiritismo ou Terceira Revelação.
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