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A confiança na vida futura não exclui as apreensões da passagem
desta para a outra vida. Muitas pessoas não temem a morte por si
mesma; o que teme é o momento da transição. Sofre-se ou não se
sofre na travessia? Aí está o que as inquieta; e a coisa vale
tanto mais apenas porque ninguém dela pode escapar. Pode-se
dispensar de uma viagem terrestre; mas aqui, ricos como pobres
devem transpor o limiar e, se for doloroso, nem a classe nem a
fortuna podem abrandar-lhe a amargura.
O Céu E O Inferno - Segunda Parte - Capítulo 1, item 1. A
Passagem.
Perante a Desencarnação
Resignar-se ante a
desencarnação inesperada do parente ou do amigo, vendo nisso a
manifestação da Sábia Vontade que nos comanda os destinos. Maior
resignação, maior prova de confiança e entendimento.
Dispensar
aparatos, pompas e encenações nos funerais de pessoas pelas
quais se responsabilize, abolir o uso de velas e coroas, crepes
e imagens, e conferir ao cadáver o tempo preciso de preparação
para o enterramento ou a cremação. Nem todo Espírito se desliga
prontamente do corpo.
Emitir para os
companheiros desencarnados, sem exceção, pensamentos de
respeito, paz e carinho, seja qual for a sua condição. A
caridade é dever para todo clima.
Proceder
corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno
da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé
do corpo inerte. O companheiro recém-desencarnado pede, sem
palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a
refazer-se.
Desterrar de si
quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários
impróprios nos enterros a que comparecer. A solenidade mortuária
é ato de respeito e dignidade humana.
Transformar o
culto da saudade, comumente expresso no oferecimento de coroas e
flores, em donativos às instituições assistenciais, sem espírito
sectário, fazendo o mesmo nas comemorações e homenagens a
desencarnados, sejam elas pessoais ou gerais. A saudade somente
constrói quando associada ao labor do bem.
Ajuizar
detidamente as questões referentes a testamentos, resoluções e
votos, antes da desencarnação, para não experimentar choques
prováveis, ante inesperadas incompreensões de parentes e
companheiros. O corpo que morre não se refaz.
Aproveitar a
oportunidade do sepultamento para orar, ou discorrer sem
afetação, quando chamado a isso, sobre a imortalidade da alma e
sobre o valor da existência humana. A morte exprime realidade
quase totalmente incompreendida na Terra.
“Em verdade, em
verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca
verá a morte”. Jesus. (João, 8:5l.)
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