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1. Igualdade natural. - 2.
Desigualdade das aptidões. - 3. Desigualdades Sociais. -
4. Desigualdade das Riquezas. - 5. As Provas de Riqueza e de Miséria. - 6.
Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher. 7. Igualdade Perante o Túmulo.
Igualdade
Natural
803. Perante Deus,
são iguais todos os homens?
“Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez Suas leis para
todos. Dizeis freqüentemente: “O Sol luz para todos” e enunciais
assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.”
Todos os homens
estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem
igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo
do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu
superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte:
todos, aos Seus olhos, são iguais.
Desigualdade
das Aptidões
804. Por que não
outorgou Deus as mesmas aptidões a todos os homens?
“Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive
há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou
menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na
diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com
que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se
aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que lhes dá
aptidões diversas.
Necessária é a
variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer
para a execução dos desígnios da Providência, no limite do
desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um
não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a
desempenhar. Demais, sendo solidários entre si todos os mundos,
necessário se torna que
os habitantes dos mundos superiores, que, na sua maioria, foram
criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o
exemplo.” (361)
805. Passando de
um mundo superior a outro inferior, conserva o Espírito,
integralmente, às faculdades adquiridas?
“Sim, já temos dito que o Espírito que progrediu não retrocede.
Poderá escolher, no estado de Espírito livre, um invólucro mais
grosseiro, ou posição mais precária do que as que já teve, porém
tudo isso para lhe servir de ensinamento e ajudá-lo a
progredir.” (180)
Assim, a
diversidade das aptidões entre os homens não deriva da natureza
íntima da sua criação, mas do grau de aperfeiçoamento a que
tenham chegado os Espíritos encarnados neles. Deus, portanto,
não criou faculdades desiguais; permitiu, porém, que os
Espíritos em graus diversos de desenvolvimento estivessem em
contacto, para que os mais adiantados pudessem auxiliar o
progresso dos mais atrasados e também para que os homens,
necessitando uns dos outros, compreendessem a lei de caridade
que os deve unir.
Desigualdades
Sociais
806. É lei da
Natureza a desigualdade das condições sociais?
“Não; é obra do homem e não de Deus.”
a) - Algum dia
essa desigualdade desaparecerá?
“Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia da dia
ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o
orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do
merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos
filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou
menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não
depende da posição social.”
807. Que se deve
pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais,
para, em proveito próprio, oprimir os fracos?
“Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos:
renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que
tiverem feito sofrer aos outros.” (684)
Desigualdade
das Riquezas
808. A
desigualdade das riquezas não se originará da das faculdades, em
virtude da qual uns dispõem de mais meios de adquirir bens do
que outros?
“Sim e não. Da velhacaria e do roubo, que dizeis?”
a) - Mas, a
riqueza herdada, essa não é fruto de paixões más.
“Que sabes a esse respeito? Busca a fonte de tal riqueza e verás
que nem sempre é pura. Sabes, porventura, se não se originou de
uma espoliação ou de uma injustiça? Mesmo, porém, sem falar da
origem, que pode ser má, acreditas que a cobiça da riqueza,
ainda quando bem adquirida, os desejos secretos de possuí-la o
mais depressa possível, sejam sentimentos louváveis? Isso o que
Deus julga e eu te asseguro que o Seu juízo é mais severo que o
dos homens.”
809. Aos que, mais
tarde, herdam uma riqueza inicialmente mal adquirida, alguma
responsabilidade cabe por esse fato?
“É fora de dúvida que não são responsáveis pelo mal que outros
hajam feito, sobretudo se o ignoram, como é possível que
aconteça. Mas, fica sabendo que, muitas vezes, a riqueza só vem
ter às mãos de um homem, para lhe proporcionar ensejo de reparar
uma injustiça. Feliz dele, se assim o compreende! Se a fizer em
nome daquele que cometeu a injustiça, a ambos será a reparação
levada em conta, porquanto, não raro, é este último quem a
provoca.”
810. Sem quebra da
legalidade, quem quer que seja pode dispor de seus bens de modo
mais ou menos eqüitativo. Aquele que assim proceder será
responsável, depois da morte, pelas disposições que haja tomado?
“Toda ação produz seus frutos; doces são os das boas ações,
amargos sempre os das outras. Sempre, entendei-o bem.”
811. Será possível
e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?
“Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das
faculdades e dos caracteres.”
a) - Há, no
entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da
sociedade. Que pensais a respeito?
“São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja.
Não compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto
prazo desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é
a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.”
812. Por não ser
possível a igualdade das riquezas, o mesmo se dará com o
bem-estar?
“Não, mas o bem-estar é relativo e todos poderiam dele gozar, se
se entendessem convenientemente, porque o verdadeiro bem-estar
consiste em cada um empregar o seu tempo como lhe apraza e não
na execução de trabalhos pelos quais nenhum gosto sente. Como
cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria
por fazer. Em tudo existe o equilíbrio; o homem é quem o
perturba.”
a) - Será possível
que todos se entendam?
“Os homens se entenderão quando praticarem a lei de justiça.”
813. Há pessoas
que, por culpa sua, caem na miséria. Nenhuma responsabilidade
caberá disso à sociedade?
“Mas, certamente. Já dissemos que a sociedade é muitas vezes a
principal culpada de semelhante coisa. Demais, não tem ela que
velar pela educação moral dos seus membros? Quase sempre, é a má
educação que lhes falseia o critério, ao invés de sufocar-lhes
as tendências perniciosas.” (685)
As Provas de
Riqueza e de Miséria
814. Por que Deus
a uns concedeu as riquezas e o poder, e a outros, a miséria?
“Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como
sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos,
que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.”
815. Qual das duas
provas é mais terrível para o homem, a da desgraça ou a da
riqueza?
“São-no tanto uma quanto outra. A miséria provoca as queixas
contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.”
816. Estando o
rico sujeito a maiores tentações, também não dispõe, por outro
lado, de mais meios de fazer o bem?
“Mas, é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta,
orgulhoso e insaciável.
Com a riqueza,
suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante
para si unicamente.”
A alta posição do
homem neste mundo e o ter autoridade sobre os seus semelhantes
são provas tão grandes e tão escorregadias como a desgraça,
porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações
tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que
dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela
resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu
poder.
A riqueza e o
poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e
nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus
disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo
por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.”
(266)
Igualdade dos
Direitos do Homem e da Mulher
817. São iguais
perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?
“Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a
faculdade de progredir?”
818. Donde provém
a inferioridade moral da mulher em certos países?
“Do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. É
resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a
fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz
o direito.”
819. Com que fim
mais fraca fisicamente do que o homem é a mulher?
“Para lhe determinar funções especiais. Ao homem, por ser o mais
forte, os trabalhos rudes; à mulher, os trabalhos leves; a ambos
o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma
vida cheia de amargor.”
820. A fraqueza
física da mulher não a coloca naturalmente sob a dependência do
homem?
“Deus a uns deu a força, para protegerem o fraco e não para o
escravizarem.”
Deus apropriou a
organização de cada ser às funções que lhe cumpre desempenhar.
Tendo dado à mulher menor força física, deu-lhe ao mesmo tempo
maior sensibilidade, em relação com a delicadeza das funções
maternais e com a fraqueza dos seres confiados aos seus
cuidados.
821. As funções a
que a mulher é destinada pela Natureza terão importância tão
grande quanto as deferidas ao homem?
“Sim, maior até. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.”
822. Sendo iguais
perante a lei de Deus, devem os homens ser iguais também perante
as leis humanas?
“O primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o
que não quereríeis que vos fizessem.”
a) - Assim sendo,
uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a
igualdade dos direitos do homem e da mulher?
“Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um
esteja no lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e
do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei
humana, para ser eqüitativa, deve consagrar a igualdade dos
direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro
concedido é contrário à justiça. A emancipação da mulher
acompanha o progresso da civilização. Sua escravização marcha de
par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na
organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e
noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem,
por conseguinte, gozar dos mesmos direitos.”
Igualdade
Perante o Túmulo
823. Donde nasce o
desejo que o homem sente de perpetuar sua memória por meio de
monumentos fúnebres?
“Último ato de orgulho.”
a) - Mas a
suntuosidade dos monumentos fúnebres não é antes devida, as mais
das vezes, aos parentes do defunto, que lhe querem honrar a
memória, do que ao próprio defunto?
“Orgulho dos parentes, desejosos de se glorificarem a si mesmos.
Oh! Sim, nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas
demonstrações. Elas são feitas por amor-próprio e para o mundo,
bem como por ostentação de riqueza. Supões, porventura, que a
lembrança de um ser querido dure menos no coração do pobre, que
não lhe pode colocar sobre o túmulo senão uma singela flor?
Supões que o mármore salva do esquecimento aquele que na Terra
foi inútil?”
824. Reprovais
então, de modo absoluto, a pompa dos funerais?
“Não; quando se tenha em vista honrar a memória de um homem de
bem, é justo e de bom exemplo.”
O túmulo é o ponto
de reunião de todos os homens. Aí terminam inelutavelmente todas
as distinções humanas. Em vão tenta o rico perpetuar a sua
memória, mandando erigir faustosos monumentos. O tempo os
destruirá, como lhe consumirá o corpo. Assim o quer a Natureza.
Menos perecível do que o seu túmulo será a lembrança de suas
ações boas e más. A pompa dos funerais não o limpará das suas
torpezas, nem o fará subir um degrau que seja na hierarquia
espiritual. (320 e seguintes)
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