O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
O Bem e o Mal

Autor:
Divaldo Franco (médium)
Joanna de Angelis (espírito)

Fonte:
Livro: O Ser Consciente

DOUTRINA

   
   

O Bem e o Mal - Origem do Bem e do Mal

Devendo o homem progredir, os males aos quais está exposto, são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades, físicas e morais, iniciando-o na pesquisa dos meios para deles subtrair-se. Se não tivesse nada a temer, nenhuma necessidade o levaria à procura dos meios, seu espírito se entorpeceria na inatividade; não inventaria nada e não descobriria nada. A dor é o aguilhão que impele o homem para a frente, no caminho do progresso.

Mas os mais numerosos males são aqueles que o homem cria para si mesmo, pelos seus próprios vícios, aqueles que provêm de seu orgulho, de seu egoísmo, de sua ambição, de sua cupidez, de seus excessos em todas as coisas; aí está a causa das guerras e das calamidades que elas arrastam, dissensões, injustiças, opressão do fraco pelo forte, enfim, a maioria das doenças.
Gênese - Capítulo III, itens 5 e 6.


O Bem e o Mal

Questão de alta complexidade para a criatura humana, o dualismo do bem e do mal encontra-se ínsito na sua psicologia interior, confundindo-a e perturbando-lhe, não raro, o discernimento.

Com características metafísicas, na sua formulação abstrata, essa dualidade concretiza-se nos atos do ser, gerando fenômenos relevantes de consciência, que contribuem para o equilíbrio ou a desordem psíquica, de acordo com as suas respectivas manifestações.

Em todos os períodos da cultura ancestral encontramos o esforço da religião e do pensamento tentando estabelecer os paradigmas em que se apóiam um e outro, para melhor explicá-los.

Ontem, era uma abstração meramente filosófica ou religiosa, passando, mais tarde, a fazer parte da ética, no capítulo da moral, avançando historicamente até interessar à sociologia, ao comportamentalismo, à psicologia.

O código de Hamurabi, inscrito em uma estela de diorito, já definia as ações louváveis e as reprocháveis, simbolizando o bem e o mal, com as respectivas conseqüências legais no comportamento humano em relação à criatura em si mesma, à sociedade e ao seu próximo.

Entre medos e partos - os antigos persas - o livro sagrado Zend-Avesta separava a mesma dualidade nas personificações de Ormuzd - ou representação do bem - e Ariman - ou personificação do mal -, em cuja luta o último seria submetido e por conseqüência eliminado.

A Bíblia, por sua vez, representa o bem nas deidades angélicas e o mal, nas demoníacas, ambas, no entanto, sob o controle de Deus, contra Quem se rebelará Lúcifer que, expulso do paraíso, tornou-se-Lhe o adversário temerário...

A Metafísica Tradicional analisando a Criação, estabeleceu os dois princípios, do bem e do mal, que se vinculam ao conciliador, no vértice superior do simbólico triangulo isósceles.

Logo depois, a interpretação chinesa apresentou-os nas duas admiráveis forças cósmicas: o Yang - masculino, positivo, seco, bom - e o Yin - feminino, úmido, negativo, frio -, que se conciliam sob o comando da suprema perfeição ao confundirem-se, gerando a harmonia.

Inspirada no hinduismo, a Trilogia da Criação apresenta Brama como Plenipotente, o Princípio Supremo, e as duas forças antagônicas, Vishnu, o Conservador, ou princípio construtor e Shiva, o Destruidor, ou princípio aniquilador dos seres, em perene luta até a supremacia do edificador...

Das concepções pretéritas à realidade presente, filosoficamente o bem é tudo quanto fomenta a beleza, o ético, a vida, consoante a moral e o mal vem a ser aquilo que se opõe ao edificante, ao harmônico, ao bem.

Sociologicamente o bem contribui para o progresso, e todas as realizações que promovem o ser, o grupo social e o ambiente expressam-lhe a grandeza, a ação concreta que resulta da capacidade seletiva de valores éticos para a harmonia e a felicidade.

Como efeito, o mal decorre de todo e qualquer fenômeno que se opõe ou conspira contra esse contributo superior.

A Psicologia não podia ficar indiferente a essa dualidade que existe no ser humano, remanescendo como as suas aspirações de crescimento e elevação, do nobre e equilibrado, do saudável e propiciador de paz.

Ao mesmo tempo, o ativismo dos instintos agressivos propele-o para a violência - quando deseja possuir -, para o vilipêndio - quando se sente diminuído -, para o grotesco e vulgar - quando derrapa ao menosprezo de si mesmo...

Desenvolvendo, no entanto, a consciência que sai do torpor de nível de sono sem sonhos, imediatamente começa a perceber os valores que compensam e os que conflitam o comportamento psicológico, impulsionando-o, embora lentamente, para a adoção de cultura mental e física, idealista e comportamental do bem, tornando-se instrumento útil no grupo social, que se promove e eleva-o a estágio superior, permitindo-lhe aspirar sempre mais e melhor.

Esse discernimento, que resulta da consciência em libertação dos condicionamentos escravizadores, amplia a capacidade para identificar o bem e o mal, predispondo-o à eleição do primeiro em detrimento do outro.

Se, por acaso, incorre em equívocos de seleção e tomba nas malhas do mal, mesmo que sob as circunstâncias perturbadoras do ódio, do medo, da angústia, da volúpia, da desordem interior, ao descobrir-se em falta, faz o quadro de consciência de culpa e sofre as patologias afligentes, que se lhe tornam mecanismos reparadores.

Afirma-se, porém, que a linha divisória entre o bem e o mal é tão fluida e oscilante que, não raro, o bem de hoje torna-se mal de amanhã e vice-versa, numa dialética sofista, que se poderia considerar anárquica...

Certamente, muitos códigos e leis, de acordo com as conveniências de grupos e castas, de partidos e raças, de religiões e credos, por questões imediatistas, tentam tornar legais comportamentos que não são morais e reciprocamente, justificando-se atitudes vulgares e tentando liberar-se comportamentos alienados, condutas extravagantes e arbitrárias.

O Decálogo moisaico, no entanto, sintetiza os códigos moral e legal, portanto, o que é bom e o que é mal, havendo facultado Jesus afirmar em grandiosa proposta toda a complexidade desse fenômeno dual: - Não fazer a outrem o que não deseja que ele lhe faça.

Porque ainda injustos os homens, as leis que elaboram possuem os seus parcialismos, defecções, devendo ser respeitadas, sem que a algumas delas se atribuam reais valores morais, significativos e definidores do bem e do mal.

O bem e o mal estão inscritos na consciência humana, em a natureza, na sua harmoniosa organização que deu origem à vida e a fomenta.

Tudo quanto contribui para a paz íntima da criatura humana, seu desenvolvimento intelecto-moral, é-lhe o bem que deve cultivar e desenvolver, irradiando-o como bênção que provém de Deus.

... E esse mal, aliás transitório, temporal, que o propele às ações ignóbeis, aos sofrimentos, é remanescente atávico do seu processo de evolução, que será ultrapassado à medida que amadureça psicologicamente, e se lhe desenvolvam os padrões de sensibilidade e consciência para adquirir a integração no Cosmo, liberado das injunções dolorosas, inferiores.

           

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