O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Em Louvor da Caridade

Autor:
Divaldo Franco (médium)
Joanna de Angelis (espírito)

Fonte:
Livro: Lampadário Espírita

DOUTRINA

   
   
Necessidade da caridade segundo São Paulo. “Ainda que eu fale todas as línguas dos homens, e mesmo a língua dos anjos, se eu não tiver caridade, sou apenas como o bronze que soa ou o címbalo que retine; e se eu tivesse o dom da profecia, e penetrasse em todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas, e ainda que eu tivesse toda a fé possível, até a de transportar montanhas, se eu não tiver caridade, nada sou. E, quando eu houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres, e entregado meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, isso de nada me servirá. A caridade é paciente, é terna e beneficente; a caridade não é invejosa, não é temerária nem precipitada; não se enche de orgulho, não é desdenhosa, não procura seus próprios interesses, não se vangloria nem se irrita com nada, não faz más suposições, não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade; ela tudo suporta, tudo crê, tudo espera e tudo sofre. Agora estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem, mas entre elas a principal é a caridade”. (Paulo, 1ª. Epistola aos Coríntios, cap. XIII: 1 a 7 e 13).

Paulo compreendeu tão profundamente esta grande verdade, que disse: “Ainda que eu tivesse a linguagem dos anjos, ainda que eu tivesse o dom da profecia, e que eu penetrasse todos os mistérios; e ainda que eu tivesse toda a fé possível, até a de transportar montanhas, se eu não tiver caridade nada sou. Entre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a principal é a caridade”. Dessa forma ele coloca, sem equívoco, a caridade acima da própria fé, porque a caridade está ao alcance de todas as pessoas, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre, e porque é independente de toda crença popular. Paulo faz mais: define a verdadeira caridade; mostra-a não somente na prática da beneficência, mas na reunião de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.
O Evangelho Segundo O Espiritismo - Capítulo XV, itens 6 e 7.


Em Louvor da Caridade

A caridade - alma da vida - é a mais alta conquista que o homem poderá lobrigar. Mais nobre do que a generosidade e a filantropia é o coroamento de ambas, quando o espírito valoroso, em labor incessante, consegue atingi-la.

Tem inicio em singelos atos de bondade e se desdobra em lances de renúncia que assinalam a magnitude do caráter humano.

Não apenas virtude teologal, é resultado do exercício do amor em jornadas de sublimação pessoal, intransferível.

Antítese do egoísmo - esse câncer responsável pela derrocada da sociedade - é o estímulo vivo da fraternidade, que ligará homens e nações numa só família, qual imenso “rebanho sob o comando de um único pastor”.

A caridade dá-se - o egoísmo toma.
A caridade se sacrifica - o egoísmo sacrifica.
A caridade dirige - o egoísmo domina.
A caridade expõe o amor - o egoísmo impõe o jugo.
A caridade é vida - o egoísmo é passo para a morte...

Educado o homem moderno dentro de vigorosos conceitos da filosofia utilitarista, nem sempre tem visão para alcançar o fulgor resplandecente da vera caridade.

Quando afortunado pelas concessões do poder econômico, compraz-se na filantropia e nela se detém, sem o valor de avançar, intimorato, até banhar-se na sua luz, que é claridade luarizante a permear por dentro.

Ante os padrões vigentes que estabelecem metas materialistas para a compulsão orgânica que a sepultura desconsidera, perde-se o homem nos tormentos da posse, quando, impregnado pela excelsa mensageira, poderia fruir a paz que é clímax da felicidade que todos almejamos.

Entre Jesus e Pilatos, muitos homens preferem o beleguim de César ao Enviado de Deus.

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André Carnegie. Que experimentou uma infância assinalada por pertinaz pobreza, chegou a ser cognominado o “rei do ferro”, tornando-se filantropo de nomeada, como benfeitor de diversas ciências, artes e associações de relevantes serviços sociais...

João D. Rockefeller, após triunfar no mundo das altas finanças, denominado o “rei do petróleo”, aplicou somas expressivas em fundações que lhe perpetuam a memória, esparzindo esperanças e bênçãos, tendo, inclusive, fundado o Instituto para pesquisas médicas em Nova Iorque, que lhe guarda o nome...

No entanto, Vicente de Paulo, sem posses nem lauréis, deixou-se arrebatar pela Caridade e, seguindo as pegadas de Jesus, demora-se modelar no coração de milhares de criaturas que lhe devolvem e mantém a tarefa santificante, espalhada hoje, por grande parte do mundo.

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Não te reserves, pois, à falsa idéia de praticar a caridade somente ao engodo das realizações filantrópicas, quando disponhas de posses.

Inicia o seu exercício hoje, aqui e agora.

Não somente através do que possas oferecer em moedas ou através do que as moedas possam oferecer.

Lembra-te da caridade espiritual da compaixão, do silêncio ante a ofensa, da palavra gentil, do gesto de simpatia, do pensamento nobre, da vibração de cordialidade, da desculpa espontânea, do perdão íntimo e incondicional, da luz da oração acesa no recôndito do ser em beneficio próprio.

Fixa a mente nos objetivos do ensino evangélico e dá inicio imediato à renovação espiritual, pacificando-te, e fácil te será “vestir os nus, alimentar os esfaimados, medicar os enfermos, dessedentar os aflitos e socorrer os agoniados” a que sempre se referiu Jesus, e a Caridade, a virtude dos anjos, refletirá luminescências através de ti, fazendo-te ditoso, por fim, vencedor das próprias imperfeições, realizado nos objetivos essenciais a que te propões na presente existência.

           

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