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- Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe
seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?
- Não; Deus não o permitiria.
O Livro dos Espíritos - Questão 551.
Males Encomendados
Há pessoas que
reclamam do chamado “malfeito”.
Por ignorado
motivo haveria alguém interessado em sua desdita. Estariam sendo
exercitados sortilégios para a evocação de entidades das
sombras, com o propósito de causar-lhes embaraços variados,
relacionados com família, negócios, saúde...
A experiência
demonstra que isso pode acontecer. Há Espíritos que se
especializam em influenciar as criaturas humanas,
atormentando-as, atuando “por encomenda”.
Se você, leitor
amigo, traz indeléveis temores relacionados com essa presença,
saiba que não está sozinho. Multidões tremem quando essa
possibilidade é mencionada para explicar a origem de seus
problemas.
Mas considere algo
fundamental:
Os agentes das
sombras não têm o poder de criar o mal. Apenas o alimentam.
Isso significa que
ninguém pode ser atingido pelo mal senão por intermédio do mal
que há em si mesmo.
Jamais seremos
induzidos à violência se conquistamos a mansuetude.
Nem ao vício, se
legitimamente virtuosos.
Nem ao roubo, se
não houver espaço para a cobiça em nosso universo interior.
*
Respeitável chefe
de família assume estranho comportamento.
Demora-se fora do
lar, alegando compromissos profissionais. Torna-se monossilábico
e distante. Situa-se inquieto e agressivo.
- Nessa história
tem mulher - comentam familiares e amigos.
Observação
acertada.
Envolveu-se com
uma jovem bela e volúvel que o seduziu. Pretende afastá-lo do
lar. Não mede esforços para isso. Chegou a contratar um
“despachante do além”, um médium habituado a evocar Espíritos
para empreitadas menos dignas. Foi acertado que o alvo seria
“amarrado” num enleio passional.
Iniciativas dessa
natureza estão presentes no dia-a-dia de muitas pessoas. A
irresponsabilidade sustentada pelo egoísmo tem alcance
ilimitado. Quem cultiva a paixão por si mesmo não mede as
conseqüências de seus desmandos, dos prejuízos que causa a
outras pessoas. Interessa-lhe simplesmente a satisfação de seus
caprichos.
A jovem não está
nem um pouco preocupada com o fato de que, atingindo seu
objetivo, destruirá um casamento, traumatizando crianças e
infelicitando uma esposa.
Pensa nela mesma,
na satisfação e nos benefícios que possa colher naquela relação
indigna.
- Que se dane o
resto! - proclama indiferente.
*
O chefe de família
foi envolvido, mas nem a jovem, nem o médium, nem o Espírito
evocado exerceram influência irresistível.
Ele não agiu por
compulsão. Simplesmente lhe sugeriram a ligação, criando em sua
tela mental imagens licenciosas que acolheu sem constrangimento.
Resumindo:
Não criaram o
adultério. Apenas exploraram sua tendência à infidelidade.
Imaginemos alguém
à beira de um precipício. Nenhum Espírito vai jogá-lo no abismo.
Mas poderá sugerir:
- Salte! Veja como
é bom! Você experimentará a sensação de voar! Um prazer
indescritível!
Muitos, aceitando
convites assim, mergulham em paixões e viciações.
Experimentam,
efemeramente, prazeres e alegrias, nos domínios das sensações.
Invariavelmente, entretanto, “esborracham-se” no fundo do
abismo, comprometidos em renitentes perturbações e angústias que
lhes amarguram a existência.
*
Jesus nos legou a
fórmula perfeita para evitar o envolvimento com o mal:
- “Vigiai e orai,
para que não entreis em tentação”.
É preciso
exercitar perene vigilância, não do próximo, mas de nós mesmos.
Vigiar nossos impulsos, as idéias que surgem em nossa mente,
nossos desejos, tendo por parâmetro a moral evangélica que nos
oferece o roteiro ideal para uma existência equilibrada e feliz.
O que cogitamos é
compatível com o Evangelho?
Se a resposta for
negativa, detenhamo-nos imediatamente em oração, rogando a Deus
forças para resistir à tentação.
E Deus, que criou
o Bem, nos ajudará para que ninguém, aqui ou no além, induza-nos
a fazer o que não deve ser feito.
*
Há outro ângulo
importante no exemplo citado: A esposa.
Não foi ela
agredida em sua sensibilidade? Não estará sujeita a uma série de
problemas físicos e psíquicos, em face da injúria de que foi
vítima?
Não poderíamos
dizer que lhe fizeram muito mal?
Aparentemente,
sim.
Sob a ótica
espiritual, onde está a realidade, podemos considerar que há
sempre um componente cármico em nossas dores.
O que nos parece
um grande mal pode ser apenas o resgate de débitos relacionados
com o passado.
Quem sabe terá ela
própria destruído lares alheios, em existências anteriores?
Ninguém sofre
injustamente.
Mal legítimo, por
isso, é o que fazemos de errado, contrariando as leis divinas,
com o que contraímos pesados débitos.
O que fazem contra
nós, impondo-nos sofrimentos, converte-se em credito no resgate
de nossas dívidas, se bem administrado.
*
Normalmente, numa
situação dessa natureza, a esposa deixa-se dominar pelo ódio.
Pensa em matar o marido. Matar a intrusa. Matar-se. Exige
satisfações. Briga. Exaspera-se. Arma escândalo.
Sobretudo,
sente-se profundamente infeliz. Entra em estado de angústia e
ansiedade. Desorienta-se. Fica doente.
Reação muito
humana, mas nela está a origem de seus desajustes. Faltou-lhe a
mesma iniciativa que teria preservado o marido:
Consultar o
Evangelho.
O que recomenda
Jesus ante os males que nos façam?
Todos sabemos.
Está contido em pequeno verbo de grandioso alcance:
Perdoar.
*
O perdão legítimo
é filho da compreensão. Fundamental à esposa:
Compreender que a
jovem leviana que feriu de morte seu casamento agiu sob a
inspiração da imaturidade, envolvida pelas sombras.
Compreender, como
dizia sabiamente antiga lidadora espírita, que para preservar a
própria integridade é preciso, em situações assim, ver no
cônjuge um filho transviado, vitimado pelas próprias fraquezas.
Compreender que se
não relevamos e seguimos adiante, atinge-nos em plenitude o mal
que nos endereçam, como fogo a propagar-se em tecido encharcado
de gasolina.
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