|
- O desenvolvimento da mediunidade está em razão do
desenvolvimento moral do médium?
- Não; a faculdade, propriamente dita, relaciona-se com o
organismo; é independente do moral; não ocorre o mesmo com seu
uso, que pode ser mais ou menos bom, segundo as qualidades do
médium.
O Livro dos Médiuns - Questão 226
Fenômenos
Mediúnicos - Educação da Mediunidade
Sendo a educação a
grande modeladora do caráter, o seu campo de ação alcança as
aptidões psíquicas do homem, contribuindo eficazmente para o seu
desenvolvimento.
A mediunidade,
considerada como faculdade da alma, a manifestar-se por meio dos
implementos orgânicos, é maleável ao comportamento do homem
graças às vinculações que facilmente mantém com as Entidades
desencarnadas que a utilizam. Sincronizando as ondas mentais
conforme a sua intensidade vibratória, que decorre da qualidade
e teor do pensamento, ao médium se faz indispensável grande
esforço educativo, a fim de habituar-se às expressões de
enobrecimento, nas quais haurirá forças e renovação íntima para
o controle adequado e utilização dos recursos psíquicos.
Nesse campo
impõe-se-lhe um cuidadoso estudo da própria personalidade, a fim
de identificar as deficiências morais e corrigi-las, equilibrar
as oscilações da emotividade, policiando o temperamento.
Outrossim, o exercício das atitudes comedidas se lhe faz
imprescindível para os resultados superiores que persegue na
vivência das funções paranormais.
Igual às outras
faculdades psíquicas, o comportamento moral do individuo é de
relevantes conseqüências para a mediunidade. Em decorrência,
torna-se de inapreciável significação o exame dessa complexa
faculdade cujo mecanismo se instala nas tecelagens sutis da
alma, que a comanda mesmo quando inconscientemente.
Percebidos os
sintomas que a caracterizam e que nem sempre são constituídos
por perturbações morais, psíquicas e, muito menos como os
convencionou a simplicidade popular em forma de “azares da
sorte”, merece compreensão e exame da aptidão com uma
conveniente tomada de posição, que decorre do estudo consciente
das possibilidades para aplicá-las de forma rentável na economia
do amor e do bem geral a que deve ser dedicada.
A ignorância em
torno dessa faculdade importante da alma tem confundido as suas
expressões como os fenômenos da chamada “miséria psicológica”,
fazendo que as suas causas sejam responsáveis pelos insucessos
humanos, os humanos tormentos e as dificuldades de vária ordem
que afligem o homem. Anuncia-se, mesmo, diante de qualquer
ocorrência infeliz, que as matrizes do incômodo estão na
mediunidade de que se é portador e não se lhe dão os devidos
cuidados. Não há procedência, no entanto, afirmação desse porte.
Sem dúvida, relegada ao abandono, produz perturbações,
considerando-se o comportamento moral do médium. A conduta boa
ou má faz atrais para o homem afeiçoes e desafetos que lhe
partilham as forças físicas, não obstante se encontrem na Esfera
Espiritual. Em considerando a qualidade das aspirações desses
comensais, que se lhe vinculam, absorve as vibrações peculiares,
do que resultam os estados de inquietação e conflitos. Não é,
portanto, a mediunidade que responde por tais efeitos e sim a
conduta moral do individuo.
O descaso e o
desrespeito à mediunidade, todavia, promovem situações e
dependências malsãs que resultam do seu uso inadequado pelos
Espíritos enfermos, maldosos, perturbados e perturbadores...
Além do dever
imediato de moralizar-se para assumir o controle das suas forças
medianímicas, o sensitivo deve instruir-se nos postulados
espíritas, a fim de conhecer as ocorrências que lhe dizem
respeito, a adestrar-se na convivência dos Espíritos, saber
conhece-los, identificar as “leis dos fluidos”, selecionar os
seus dos pensamentos que lhe são inspirados, discernir quando a
mensagem procede de si mesmo e quando flui através dele,
provinda de outras mentes... Igualmente cabe-lhe conhecer as
revelações sobre o Mundo Espiritual, despido do fantástico e do
sobrenatural, do qual a vida na Terra é símile imperfeito,
preparando-se, outrossim, para enfrentar as vicissitudes e
vadear-lhe as águas, quando ocorrer a desencarnação.
A mediunidade não
tem qualquer implicação com a religião, conduta, filosofia,
crença... A direção que se lhe dá é que a torna portadora de
bênçãos ou desditas para o seu responsável.
Com a Doutrina
Espírita, porém, aprende-se a transformá-la em verdadeira ponte
de luz, que faculta o acesso às regiões felizes onde vivem os
bem-aventurados pelas conquistas vitoriosamente empreendidas.
Embora vivendo no
turbilhão da vida hodierna, o médium não pode prescindir do
hábito da oração, aliás, ninguém consegue plainar acima das
vicissitudes infelizes sem o beneficio da prece, que luariza a
alma por dentro, acalmando-a, inspirando-a, ao mesmo tempo
favorecendo-a com as forças para os vôos decisivos, na conquista
dos altos píncaros... Paralelamente, a vida interior de
reflexões favorece o registro das mensagens que lhe são
transmitidas, aprendendo a fazer silêncio íntimo com que se
capacita para a empresa.
Muito importante
em qualquer tipo de mediunidade, intelectiva ou de efeitos
físicos, o comportamento e o burilamento do medianeiro.
Às vezes, pesso9as
mal adestradas e portadoras de significativas falhas morais
fazem-se portadoras de mensagens de Benfeitores nobres, numa
demonstração de que o caráter moral do instrumento é de
secundária importância para o mister... Isto, porém, é conclusão
apressada. Os Espíritos Superiores, ao aconselharem, esperam que
as suas instruções beneficiem primeiramente aos próprios médiuns
que as veiculam, insistindo no esforço que estes devem
despender, a fim de se transformarem, o que, não ocorrendo,
aqueles Instrutores se sentem impedidos de continuar o tentame,
por falta de identidade psíquica, porque os instrumentos se
situam em distinta faixa de sintonia. Jamais, porém, abandonam
os seus beneficiários, sendo, aliás, por estes abandonados, em
razão de os mesmos não se interessarem por ascender e segui-los,
preferindo as expressões grosseiras das sensações violentas com
as quais se identificam e em que se encharcam...
- “Quem quiser vir
a mim - declarou com ênfase Jesus Cristo - tome a sua cruz e
siga-me”. O convite não deixa margem a qualquer tipo de
interpretação dúbia, não faculta acomodação de qualquer espécie.
Seu apelo, quanto tem de conciso é também incisivo.
A cruz são os
problemas a equacionar bem, que todos possuem, e o tempo de
fazê-lo é hoje, a hora presente. A outra determinação no convite
é a opção do querer, porquanto, sem essa definição de
profundidade os tentames não vão além da superficialidade.
A mediunidade
espírita colocada a serviço de Jesus é abençoada cruz a ser
conduzida com elevação. Assim, a sua técnica de educação se
assenta na prática da caridade nos múltiplos aspectos em que se
apresenta. Nunca se restringe ou recua, estando de braços
abertos em atitude fraterna para a todos receber, afagar e
ajudar. Fomentando o progresso do homem e da Terra, não desanima
quando os impedimentos parecem impossíveis de transpostos,
porquanto o seu ministério não é precipitado, embora a urgência
de que se reveste.
As realizações
mediúnicas são todas pacíficas, portadoras de cor e otimismo,
mensageiras da alegria e da imortalidade, nos se compadecendo
com o erro, o delito, não obstante objetivem levantar o homem
que caiu nas hábeis urdiduras infelizes e que deve ser daí
arrancado a preço de paciência, de perseverança e de abnegação.
Tornado-se dócil
às vozes dos Espíritos Guias, o médium adquire a confiança dos
seus Mentores e experimenta amiúde a sua boa influência, que se
lhe torna uma necessidade, cuja falta o aflige e o impele a
novamente lograr.
Bem conduzido, o
fenômeno mediúnico se incorpora à natureza do medianeiro que,
disciplinado, mediante austeras exigências a que se impõe e
nunca aos outros, deixa de ser um homem fenômeno para que se
ressalte o fenômeno da sua transformação moral e crescimento
espiritual.
As extravagâncias
a que o médium não se permite poupam-lhe as forças, que
transforma em mecanismos poderosos e agentes especiais de
realizações operosas para a tarefa que desenvolve a benefício
próprio, redundando em benefícios gerais.
Toda vez que
alguém se ergue, com eles se levantam os membros caídos da
humanidade desfalecida.
Descuidada, a
faculdade medianímica se converte em poço de aflições,
considerando a qualidade dos seus usuários que, portadores dos
desequilíbrios de todo porte, lhe enxovalham as fontes generosas
turbando-lhe a água lustral, que passa a veicular miasmas
pestilenciais, venenosos. A primeira vítima, porém, é o próprio
médium invigilante, que conecta com as mentes viciosas e
malévolas da Erraticidade inferior, que se locupletam na
manutenção dos equívocos em que se demoram, desnaturando as
finalidades da vida e padecendo-lhe as conseqüências.
Têm inicio ou se
reatam liames de obsessões cruéis, mediante os quais o encarnado
se desalinha, saindo da diretriz mediana do equilíbrio para as
distonias várias, em que se barafunda, em processo soez de
complexa recomposição.
Noutras vezes a
distonia toma curso sutil, engendrando fascinações perigosas e
empurrando o incauto para o campo das revelações sem
procedência, em que as expressões da imaginação doentia tomam
corpo, assumindo posições de missionários soberbos ou de
apóstolos intolerantes, cujos vaticínios são calamitosos a
apavorantes.
O exercício
edificante da mediunidade em processo de educação, de disciplina
é simples, embora não seja fácil. Simples porque o mecanismo das
leis de amor que pulsam no homem faz que ele a coloque a serviço
da caridade, desinteressadamente; que se ofereça, através de um
programa bem delineado, ao labor da solidariedade e da
misericórdia fraternal; que se esclareça e aprenda a manejar os
recursos de que se torna portador; que se beneficie das forças
que coloca ao alcance do seu próximo; que ele se liberte da
constrição asfixiante das imperfeições, superando-se e
renovando-se na busca de Deus...
Não é fácil, se
forem consideradas as posições que conspiram contra a sua
finalidade, posições em que o ser se demora milenarmente,
dominado pelo egoísmo e pelo orgulho, sujeito à clava dos
prazeres fortes e tóxicos a que se acostumou e aos quais não se
resolve abandonar.
Condicionado à
aquisição dos valores perecíveis, os que garantem a posição
social e facultam as permissividades, torna-se difícil trocá-los
por aqueloutros de natureza diversa, que não se arrolam em
contas bancárias nem podem ser cadastrados por Entidades
contábeis, no entanto, são de caráter essencial para a paz
duradoura e o otimismo permanente, como exteriorização da saúde
mental e moral do homem.
O médium seguro,
conforme Allan Kardec denominou o bom médium, revela-se através
das atitudes sensatas de cidadão que é, convidado à convivência
social. O seu equilíbrio no comportamento, nas diversas
situações em que se vê envolvido, fala do seu estado íntimo, da
qualidade dos seus pendores, consequentemente das companhias
espirituais que lhe são afins.
Comedido, faz-se
discreto; digno, torna-se credor de confiança; jovial, esparze
alegria sem a necessidade do anedotário chulo; responsável,
evita a carranca, que nada acrescenta aos valores internos de
que é portador; paciente, sabe que os acontecimentos, hoje não
sucedidos, se realizarão no momento próprio; humilde,
exterioriza-se conforme é, sem as aparências que lhe realcem a
virtude, que se compraz quando ignorada; generoso, não alardeia
as manifestações da bondade natural; amigo, dispensa encômios e
as bajulações de maneira espontânea.
A procedência das
mensagens espirituais que filtra se revela no conteúdo de que se
revestem, objetivando sempre a reforma do ser para melhor e o
socorro anônimo que espalha.
O fenômeno
mediúnico está presente em todos os tempos da Humanidade quanto
a mediunidade faz parte das múltiplas faculdades da alma
encarnada, sempre detectada através da História.
O Espiritismo,
porém, deu-lhe direção, dignificando-a, estabelecendo as leis
que devem reger o fenômeno e orientando os requisitos educativos
para a disciplina e a boa condução dos médiuns.
Do informe
espiritual puro e simples, elevado, arbitrário e desconexo,
através de homens apaixonados, temperamentais ou não, débeis,
nobres e dúbios, a Doutrina Espírita ergueu toda uma metodologia
eficiente para a experimentação mediúnica superior e o seu
exercício com finalidade enobrecedora.
A importância da
mediunidade depende da qualidade do próprio médium que lhe dá
autenticidade e graças a cuja vida, sem as oscilações
prejudiciais, os fenômenos se produzem dentro de um ritmo e de
uma harmonia que condizem com a excelência das suas fontes de
origem.
Educar-se
incessantemente é dever a que o médium se deve comprometer
intimamente, afim de não estacionar e, aprimorando-se, lograr as
relevantes finalidades que a Doutrina Espírita propõe para a
mediunidade com Jesus.
|