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Pela
sua natureza, e em seu estado normal, o perispírito é invisível,
e tem isso em comum com uma multidão de fluidos que sabemos
existir, e que, entretanto, jamais vimos; mas ele pode também,
do mesmo modo que certos fluidos, sofrer modificações que o
tornam perceptível à visão, seja por uma espécie de condensação,
seja por uma mudança na disposição molecular; pode mesmo
adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas
pode instantaneamente retomar seu estado etéreo e invisível.
Pode-se dar conta desse efeito pelo do vapor que pode
passar da invisibilidade ao estado brumoso, depois liquido,
depois sólido, e vice-versa.
Esses
diferentes estados do perispírito são o resultado da vontade
do Espírito, e não de uma causa física exterior, como o gás.
Quando um Espírito aparece, é que ele coloca o seu perispírito
no estado necessário para torná-lo visível.
Mas a sua vontade nem sempre basta: é necessário, para
que essa modificação do perispírito possa se operar, um
concurso de circunstâncias independentes dele; é necessário,
por outro lado, que o Espírito tenha a permissão de se fazer
ver por tal pessoa, o que nem sempre lhe é concedido, ou não o
é senão em certas circunstâncias, por motivos que não
podemos apreciar. (Ver “O Livro dos Médiuns”)
Uma
outra propriedade do perispírito e que se prende à sua
natureza etérea, é a penetrabilidade.
Nenhuma matéria lhe é obstáculo; ele as atravessa
todas, como a luz atravessa os corpos transparentes.
É por isso que não há clausura que possa se opor à
entrada dos Espíritos; eles vão visitar o prisioneiro em seu cárcere
tão facilmente quanto o homem que está no meio dos campos.
As
manifestações visuais mais comuns ocorrem no sono, pelos
sonhos: são as visões. As
aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, e
é então que se
goza da plenitude e da inteira liberdade de suas faculdades.
Elas se apresentam, geralmente,
sob uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vagas e
indecisas: freqüentemente, à primeira vista, de um clarão
esbranquiçado, cujos contornos se desenham pouco a pouco.
De outras vezes, as formas são nitidamente acentuadas e
se lhe distinguem os menores traços do rosto, a ponto de se
poder fazer uma descrição muito precisa.
Os passos, o aspecto, são semelhantes ao que era o Espírito
quando vivo.
Podendo
tomar todas as aparências, o Espírito se apresenta sob aquela
que pode melhor fazê-lo reconhecer, e se tal é o seu desejo.
Também, se bem que, como Espírito, ele não tenha
nenhuma enfermidade corpórea, se mostrará estropiado, coxo,
ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para constatar a
sua identidade. Ocorre
o mesmo com a roupa; a dos Espíritos, que nada conservaram das
quedas terrestres, se compõe, o mais ordinariamente, de uma
roupagem de longos franzidos flutuantes, com uma cabeleira
ondulante e graciosa.
Freqüentemente,
os Espíritos se apresentam com os atributos característicos de
sua elevação, como uma auréola, asas para aqueles que se
podem considerar como anjos, um aspecto luminoso resplandecente,
ao passo que outros têm aqueles que lembram as suas ocupações
terrestres; assim, um guerreiro poderá aparecer com a sua
armadura, um sábio com os livros, um assassino com um punhal,
etc. Os Espíritos
superiores têm um rosto belo, nobre e sereno; os mais
inferiores têm alguma coisa de feroz e de bestial, e alguns
trazem ainda as marcas de crimes que cometeram, ou suplícios
que suportaram; para eles, essa aparência é uma realidade;
quer dizer que se crêem ser tal como parecem; é para eles um
castigo.
O
Espírito que quer ou pode aparecer, algumas vezes, reveste uma
forma mais limpa ainda, tendo todas as aparências de um corpo sólido,
a ponto de produzir uma ilusão completa, e de fazer crer que se
está diante de um ser corpóreo.
Em
alguns casos, e sob o império de certas circunstâncias, a
tangibilidade pode se tornar real, quer dizer, que se pode
tocar, apalpar, sentir a mesma resistência, o mesmo calor que
da parte de um corpo vivo, o que não impede de se desvanecer
com a rapidez do raio. Poder-se-ia,
pois, estar em presença de um Espírito, com quem se trocariam
as palavras e os atos da vida, crendo ter relações com um
simples mortal e sem desconfiar que era um Espírito.
Qualquer
que seja o aspecto sob o qual um Espírito se apresente, mesmo
sob a forma tangível, ele pode, no mesmo instante, não ser visível
senão somente para alguns; numa assembléia poderia, pois, não
se mostrar senão a um ou vários membros; de duas pessoas,
colocadas uma ao lado da outra, uma pode vê-lo e tocá-lo, a
outra nada vê e nada sente.
O
fenômeno da aparição a uma única pessoa, entre várias que
se acham juntas, se explica pela necessidade, para que se
produza, de uma combinação entre o fluido perispiritual do Espírito
e o da pessoa; é necessário, para isso, que haja entre esses
fluidos uma espécie de afinidade que favoreça a combinação;
se o Espírito não encontra a aptidão orgânica necessária, o
fenômeno da aparição não pode se reproduzir; se a aptidão
existe, o Espírito está livre para aproveitá-la ou não; de
onde resulta que, se duas pessoas igualmente dotadas sob esse
aspecto, se encontrem juntas, o Espírito pode operar a combinação
fluídica com aquela das duas, a quem quer se mostrar; não o
fazendo com a outra, esta não o verá.
Assim, ocorreria com dois indivíduos, cada um tendo um véu
sobre os olhos, se um terceiro indivíduo quer se mostrar a um
dos dois somente, ele não levantará senão um véu; mas àquele
que fosse cego, seria em vão que levantaria o véu, a faculdade
de ver não lhe seria dada por isso.
As
aparições tangíveis são muito raras, mas as aparições
vaporosas são freqüentes; elas o são sobretudo no momento da
morte; o Espírito desligado parece apressar-se em ir rever os
seus parentes e seus amigos, como para adverti-los que vem de
deixar a Terra, e dizer-lhes que ele vive sempre.
Que cada um recolha as suas lembranças, e ver-se-á
quantos fatos autênticos desse gênero, dos quais não se dava
conta, ocorreram não só à noite, mas em pleno dia e no mais
completo estado de vigília.
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