O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Transfiguração. Invisibilidade

Autor:
Allan Kardec

Fonte:
Obras Póstumas

DOUTRINA

     

O perispírito das pessoas vivas goza das mesmas propriedades que o dos Espíritos.  Como isso foi dito, ele não está, de nenhum modo, confinado no corpo, mas irradia e forma, ao seu redor, uma espécie de atmosfera fluídica; ora, pode ocorrer que, em certos casos, e sob o império das mesmas circunstâncias, ele sofra uma transformação análoga à que foi descrita; a forma real e material do corpo pode se apagar sob essa camada fluídica, podendo-se assim se exprimir, e revestir, momentaneamente, uma aparência toda diferente, mesmo a de uma outra pessoa, ou do Espírito que combine o seu fluido com o do indivíduo, ou bem ainda dar a um rosto feio um aspecto belo e radiante.  Tal é o fenômeno designado sob o nome de transfiguração, fenômeno bastante freqüente, e que se produz principalmente quando as circunstâncias provocam uma expansão mais abundante de fluido.

O fenômeno da transfiguração pode se manifestar com uma intensidade muito diferente, segundo o grau de depuração do perispírito, grau que corresponde sempre ao da elevação moral do Espírito.  Limita-se, às vezes, a uma simples mudança do aspecto da fisionomia, como pode dar ao perispírito uma aparência luminosa e esplêndida.

A forma material pode, pois, desaparecer sob o fluido perispiritual, mas não há necessidade, por esse fluido, de revestir um outro aspecto; às vezes, pode simplesmente ocultar um corpo inerte, ou vivo, e torná-lo invisível aos olhos de uma ou de várias pessoas, como o faria uma camada de vapor.

Não tomamos as coisas atuais senão como pontos de comparação, e não em vista de estabelecer uma analogia absoluta, que não existe.

Esses fenômenos não podem parecer estranhos senão  porque não se conhecem as propriedades do fluido perispiritual; é para nós um corpo novo que deve ter propriedades novas, e que não se pode estudar pelos procedimentos ordinários da ciência, mas que não são elas menos propriedades naturais, nada tendo de maravilhoso a não ser a novidade.