O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Diante do Amanhã

Autor:
Chico Xavier (médium)
Emmanuel (espírito)

Fonte:
Livro: Justiça Divina

DOUTRINA

     

Nós vivemos, pensamos, agimos, eis o que é positivo; nós morremos, e isso não é menos certo. Deixando a Terra, para onde vamos? Em que nos tornaremos? Seremos melhores ou piores? Seremos ou não seremos? Ser ou não ser, tal é a alternativa; é para sempre ou para nunca; é tudo ou nada; ou viveremos eternamente, ou tudo se acabará sem retorno. Vale bem a pena pensar nisso.

Todo homem experimenta a necessidade de viver, de gozar, de amar, de ser feliz. Dizei àquele que sabe que vai morrer que ele viverá ainda, que sua hora será retardada, dizei-lhe, sobretudo, que será mais feliz do que nunca fora, e seu coração vai palpitar de alegria. Mas, de que serviriam essas aspirações de felicidade, se um sopro pode fazê-las desvanecerem-se?

Há alguma coisa mais desesperadora do que esse pensamento da destruição absoluta? Afeiçoes santas, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo será aniquilado, tudo estará perdido! Qual a necessidade do esforço para se tornar melhor, da repressão para conter suas paixões, fatigar-se para adornar seu Espírito, se disso não se deve recolher nenhum fruto, sobretudo, com esse pensamento de que amanhã talvez isso não nos servirá para nada? Se assim fosse, a sorte do homem seria cem vezes pior do que a do animal, porque o animal vive inteiramente no presente, na satisfação dos seus apetites materiais, sem aspiração quanto ao futuro. Uma secreta intuição diz que isso não é possível.
O Céu E O Inferno – Capítulo I, item 1.

 

Diante do Amanhã

Compreendemos, sim, todos os teus cuidados no mundo, assegurando a tua tranqüilidade.
Organizas com esmero a casa em que vives.
Proteges as vantagens imediatas da parentela.
Preservas, apaixonadamente, a segurança dos filhos.
Atendes, com extremado carinho, ao teu grupo social.
Valorizas o que possuis.
Arranjas habilmente o leito calmo.
Selecionas, com fino gosto, os pratos do dia.
Defendes, como podes, a melhoria das tuas rendas.
Aspiras a conquistar salário mais amplo.
Garantes o teu direito, à frente dos tribunais.
Vasculhas avidamente o noticiário do que vai pelo mundo.
Sabes procurar, com pontualidade e respeito, os serviços do médico e os préstimos do dentista.
Marcas horário para o cabeleireiro.
Escolhes com devoção o filme que mais te agrada.
Examinas a moda, ainda mesmo com simplicidade e moderação, como quem obedece à força de um ritual.
Questionas sucessos políticos.
Discutes, veementemente, os serviços públicos.
Tentas, de maneira instintiva, influenciar opiniões e pessoas.
Desvelas-te em atrair a simpatia dos companheiros.
Observas, a cada instante, as condições do tempo, como se trouxesses, obrigatoriamente, um barômetro na cabeça.

*

Tudo isso, meu irmão da Terra, é compreensível, tudo isso é preocupação natural da existência.

No entanto, não conseguimos explicar o teu desvairado apego às ilusões de superfície, nem entendemos porque não dedicas alguns minutos de cada dia, de cada semana ou de cada mês, a refletir na transitoriedade dos recursos humanos, reconhecendo que nada levarás materialmente, do plano físico, tanto quanto, afora dos bens do espírito, nada trouxeste ao pousar nele.

Ainda assim, não te convidamos à idéia obcecante da morte, porquanto a morte é sempre a vida noutra face. Desejamos tão-somente destacar que, nessa ou naquela convicção, ninguém fugirá do porvir.

Disse o Cristo: “andai enquanto tendes luz”.

Isso quer dizer que é preciso aproveitar a luz do mundo, para fazer luz em nós.

             

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