O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Obsessores

Autor:
Chico Xavier ( médium )
Emmanuel ( espírito )

Fonte:
Livro: Religião dos Espíritos

DOUTRINA

  

No número dos escolhos que apresenta a pratica do Espiritismo, é preciso colocar em primeira linha, a obsessão, quer dizer, o império que alguns Espíritos sabem tomar sobre certas pessoas. Élan não ocorre senão pelos Espíritos inferiores que procuram dominar; os bons Espíritos não impõem nenhum constrangimento; eles aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam se retiram. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles sobre os quais fazem suas presas; se chegam a imperar sobre alguém, se identificam com seu próprio Espírito e o conduzem como uma verdadeira criança.

A obsessão apresenta caracteres diversos que é necessário distinguir, e resultam do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A palavra obsessão é de alguma sorte um termo genérico pelo qual se designa esse gênero de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.

“O Livro dos Médiuns” – Cap. XXIII, Item 237

 

Os meios de combater a obsessão variam segundo o caráter que ela reveste. O perigo não existe realmente para todo médium bem convencido de ter relações com um Espírito mentiroso, como ocorre na obsessão simples; não é para ele senão uma coisa desagradável. Mas, precisamente porque isso lhe é desagradável, é uma razão a mais para o Espírito obstinar-se atrás dele para vexá-lo. Duas coisas essenciais se tem a fazer nesse caso: provar ao Espírito que não se é seu iludido, e que lhe é impossível nos enganar; em segundo lugar, cansar-lhe a paciência em se mostrando mais paciente do que ele; se bem convencido de que perde seu tempo, acabará por se retirar, como o fazem os importunos aos quais não se dá ouvidos.

Mas isso não basta sempre, e pode ser demorado, porque há os que são tenazes, e para eles meses e anos não são nada. Por outro lado, o médium deve fazer um apelo fervoroso ao seu bom anjo, como também aos bons Espíritos, que lhe são simpáticos, e pedir-lhes que o assistam. Com respeito ao Espírito obsessor, por mau que seja, é preciso tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelo bom proceder, orando por ele. Se é realmente perverso, disso zombará no inicio; mas moralizando-o com perseverança, acabará por se emendar: é uma conversão a empreender, tarefa freqüentemente penosa, ingrata, desagradável mesmo, mas cujo mérito está na dificuldade, e que, se for bem cumprida, dá sempre a satisfação de realizar um dever de caridade e, freqüentemente, a de ter conduzido ao bom caminho uma alma perdida.

“O Livro dos Médiuns” – Cap. XXIII, Item 249

 

 

Obsessor, em sinonímia correta, quer dizer “aquele que importuna”.

E, “aquele que importuna”é, quase sempre, alguém que nos participou a convivência profunda, no caminho do erro, a voltar-se contra nós, quando estejamos procurando a retificação necessária.

No procedimento de semelhante criatura, a antipatia com que nos segue é semelhante ao vinho do aplauso convertido no vinagre da crítica.

Daí, a necessidade de paciência constante para que se lhe regenerem as atitudes.

Considerando, desse modo, que o presente continua o pretérito, encontramos obsessores reencarnados, na experiência mais íntima.

Muitas vezes, estão rotulados com belos nomes.

Vestem roupa carnal e chamam-se pai ou mãe, esposo ou esposa, filhos ou companheiros familiares na lareira doméstica.

Em algumas ocasiões, surgem para os outros na apresentação de santos, sendo para nós benemerentes verdugos.

Sorriem e ajudam na presença de estranhos e, a sós conosco, dilaceram e pisam, atendendo, sem perceberem, ao nosso burilamento.

E, na mesma pauta, surpreendemos desafetos desencarnados que nos partilham a faixa mental, induzindo-nos à criminalidade em que ainda persistem.

Espreitam-nos a estrada, à feição de cúmplices do mal, inconformados com o nosso anseio de reajuste, recompondo, de mil modos diferentes, as ciladas de sombra em que venhamos a cair, para reabsorver-lhes a ilusão ou a loucura.

Recebe, pois, os irmãos do desalinho moral de ontem com espírito de paz e de entendimento.

Acusá-los, seria o mesmo que alargar-lhes a ulceração com novos golpes.

Crivá-los de reprimendas, expressaria indução lamentável a que se desmereçam ainda mais.

Revidar-lhes a crueldade, significaria comprometer-nos em culpas maiores.

Condená-los, é o mesmo que amaldiçoar a nós mesmos, de vez que nos acompanham os passos, atraídos pelas nossas imperfeições.

Aceita-lhes injúria e remoque, violência e desprezo, de ânimo sereno, silenciando e servindo.

Nem brasa de censura, nem fel de reprovação.

Obsessores visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros plantados por nossas mãos.

Endereça-lhes, assim, a boa palavra ou o bom pensamento, sempre que preciso, mas não lhes negues paciência e trabalho, amor e sacrifício, porque só a força do exemplo nobre levanta e reedifica, ante o Sol do futuro.