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No número dos
escolhos que apresenta a pratica do Espiritismo, é preciso
colocar em primeira linha, a obsessão, quer dizer, o império que
alguns Espíritos sabem tomar sobre certas pessoas. Élan não
ocorre senão pelos Espíritos inferiores que procuram dominar; os
bons Espíritos não impõem nenhum constrangimento; eles
aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam
se retiram. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles sobre os
quais fazem suas presas; se chegam a imperar sobre alguém, se
identificam com seu próprio Espírito e o conduzem como uma
verdadeira criança.
A obsessão
apresenta caracteres diversos que é necessário distinguir, e
resultam do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos
que produz. A palavra obsessão é de alguma sorte um termo
genérico pelo qual se designa esse gênero de fenômeno, cujas
principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a
subjugação.
“O Livro dos
Médiuns” – Cap. XXIII, Item 237
Os meios de
combater a obsessão variam segundo o caráter que ela reveste. O
perigo não existe realmente para todo médium bem convencido de
ter relações com um Espírito mentiroso, como ocorre na obsessão
simples; não é para ele senão uma coisa desagradável. Mas,
precisamente porque isso lhe é desagradável, é uma razão a mais
para o Espírito obstinar-se atrás dele para vexá-lo. Duas coisas
essenciais se tem a fazer nesse caso: provar ao Espírito que não
se é seu iludido, e que lhe é impossível nos enganar; em segundo
lugar, cansar-lhe a paciência em se mostrando mais paciente do
que ele; se bem convencido de que perde seu tempo, acabará por
se retirar, como o fazem os importunos aos quais não se dá
ouvidos.
Mas isso não basta
sempre, e pode ser demorado, porque há os que são tenazes, e
para eles meses e anos não são nada. Por outro lado, o médium
deve fazer um apelo fervoroso ao seu bom anjo, como também aos
bons Espíritos, que lhe são simpáticos, e pedir-lhes que o
assistam. Com respeito ao Espírito obsessor, por mau que seja, é
preciso tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo
pelo bom proceder, orando por ele. Se é realmente perverso,
disso zombará no inicio; mas moralizando-o com perseverança,
acabará por se emendar: é uma conversão a empreender, tarefa
freqüentemente penosa, ingrata, desagradável mesmo, mas cujo
mérito está na dificuldade, e que, se for bem cumprida, dá
sempre a satisfação de realizar um dever de caridade e,
freqüentemente, a de ter conduzido ao bom caminho uma alma
perdida.
“O Livro dos Médiuns” – Cap.
XXIII, Item 249
Obsessor,
em sinonímia correta, quer dizer “aquele que importuna”.
E,
“aquele que importuna”é, quase sempre, alguém que nos
participou a convivência profunda, no caminho do erro, a
voltar-se contra nós, quando estejamos procurando a retificação
necessária.
No
procedimento de semelhante criatura, a antipatia com que nos
segue é semelhante ao vinho do aplauso convertido no vinagre da
crítica.
Daí,
a necessidade de paciência constante para que se lhe regenerem
as atitudes.
Considerando,
desse modo, que o presente continua o pretérito, encontramos
obsessores reencarnados, na experiência mais íntima.
Muitas
vezes, estão rotulados com belos nomes.
Vestem
roupa carnal e chamam-se pai ou mãe, esposo ou esposa, filhos
ou companheiros familiares na lareira doméstica.
Em
algumas ocasiões, surgem para os outros na apresentação de
santos, sendo para nós benemerentes verdugos.
Sorriem
e ajudam na presença de estranhos e, a sós conosco, dilaceram
e pisam, atendendo, sem perceberem, ao nosso burilamento.
E,
na mesma pauta, surpreendemos desafetos desencarnados que nos
partilham a faixa mental, induzindo-nos à criminalidade em que
ainda persistem.
Espreitam-nos
a estrada, à feição de cúmplices do mal, inconformados com o
nosso anseio de reajuste, recompondo, de mil modos diferentes,
as ciladas de sombra em que venhamos a cair, para
reabsorver-lhes a ilusão ou a loucura.
Recebe,
pois, os irmãos do desalinho moral de ontem com espírito de
paz e de entendimento.
Acusá-los,
seria o mesmo que alargar-lhes a ulceração com novos golpes.
Crivá-los
de reprimendas, expressaria indução lamentável a que se
desmereçam ainda mais.
Revidar-lhes
a crueldade, significaria comprometer-nos em culpas maiores.
Condená-los,
é o mesmo que amaldiçoar a nós mesmos, de vez que nos
acompanham os passos, atraídos pelas nossas imperfeições.
Aceita-lhes
injúria e remoque, violência e desprezo, de ânimo sereno,
silenciando e servindo.
Nem
brasa de censura, nem fel de reprovação.
Obsessores
visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros
plantados por nossas mãos.
Endereça-lhes,
assim, a boa palavra ou o bom pensamento, sempre que preciso,
mas não lhes negues paciência e trabalho, amor e sacrifício,
porque só a força do exemplo nobre levanta e reedifica, ante o
Sol do futuro.
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