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Embora a diversidade das penas seja infinita, há as que são
inerentes à inferioridade dos Espíritos, e cujas conseqüências,
salvo algumas nuanças, são quase idênticas.
A punição mais imediata, sobretudo entre aqueles que são
apegados à vida material, negligenciando o progresso espiritual,
consiste na lentidão da separação da alma e do corpo, nas
angustias que acompanham a morte e o despertar na outra vida, na
duração da perturbação, que pode persistir por meses e anos.
Entre aqueles, ao contrário, cuja consciência é pura, que, em
sua vida, se identificaram com a vida espiritual e se desligaram
das coisas materiais, a separação é rápida, sem abalos, o
despertar pacífico e a perturbação quase nenhuma.
O Céu E O Inferno – 1ª. Parte, cap. VII, item 22.
Espíritos Transviados
Caminham
desfalecentes, embuçados na sombra, ainda que o Sol resplenda em
torno.
Sonâmbulos das
paixões em que se desregravam, são cativos dos seus próprios
reflexos dominantes.
Por mais que se
lhes atraia a atenção para as esferas sublimes, encasulam-se nos
interesses inferiores, encarcerando na Terra as antenas da alma.
Aferrolhavam o
coração no recinto estreito de burras preciosas e sentem-se, no
esquife, como quem se refestela em poltrona de ouro.
Empenhavam as
forças, a tiranizarem multidões indefesas, manejando o verbo
fácil, e deitam oratória fulgente, no barranco em que se lhes
guardam os restos, qual se ocupassem os primeiros lugares em
tribuna de honra.
Aniquilavam
recursos, plasmando imagens viciosas, em nome do sentimento, e
escrevem ou gesticulam, na solidão, supondo transmitir emoções
enfermiças a legiões de admiradores imaginários.
Aprisionavam a
mente, no egoísmo feroz, e tornam à paisagem doméstica, à
maneira de loucos, envolvendo os entes queridos em fluidos
tentaculares.
Hipotecavam
energias aos prazeres sensuais e choram, agressivos, na clausura
da cova, disputando com os vermes a posse do corpo transformado
em ruínas.
Empregavam as
horas, ilaqueando a si mesmos, e vagueiam, errantes,
hipnotizados por inteligências corrompidas com as quais se
conjugam em delitos nas trevas.
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Não acredites,
porém, sejam eles doentes sem esperança.
O Criador não quer escravos na Criação.
Todos somos livres para escolher os nossos caminhos.
Por isso, quase sempre, em sucessivas reencarnações, gastamos
séculos no mal, a fim de entender o bem.
E se a Lei te permite conhecer o suplicio das consciências
transviadas, para lá do sepulcro, é para que trabalhes em teu
próprio favor.
Corrige em ti mesmo tudo aquilo que censuras nos outros.
Clareia-te por dentro.
Aprimora-te e serve.
Enquanto no corpo físico, desfrutas o poder de controlar o
pensamento, aparentando o que deves ser; no entanto, após a
morte, eis que a vida é a verdade, mostrando-te como és.
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