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Os planetas são, assim, formados de massas de matéria
condensada, mas não ainda solidificada, destacadas da massa
central pela ação da força centrifuga, e tomando, em virtude das
leis do movimento, a forma esferoidal mais ou menos elíptica,
segundo o grau de fluidez que conservaram. Um desses planetas
será a Terra que, antes de estar resfriada e revestida de uma
crosta sólida, dará nascimento à Lua, pelo mesmo modo de
formação astral ao qual deve a sua própria existência; a Terra,
doravante inscrita no livro da vida, berço de criaturas cuja
fraqueza está protegida sob a asa da divina Providência, corda
nova na harpa infinita, que deve vibrar, em seu lugar, no
concerto universal dos mundos.
A Gênese – Capítulo VI, item 23.
A Gênese Planetária
A Comunidade dos
Espíritos Puros – Rezam as tradições do mundo espiritual que na
direção de todos os fenômenos, do nosso sistema, existe uma
Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do
Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida
de todas as coletividades planetárias.
Essa Comunidade de
seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros
divinos, ao qual nos foi dado saber, apenas já se reuniu, nas
proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da
organização e da direção do nosso planeta, por duas vezes no
curso dos milênios conhecidos.
A primeira,
verificou-se quando o orbe terrestre se desprendia da nebulosa
solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as
balizas do nossos sistema cosmogônico e os pródromos da vida na
matéria em ignição, do planeta, e a segunda, quando se decidia a
vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a
lição imortal do seu Evangelho de amor e redenção.
A Ciência de Todos
os Tempos – Não é nosso propósito trazer à consideração dos
estudiosos uma nova teoria da formação do mundo. A Ciência de
todos os séculos está cheia de apóstolos e missionários. Todos
eles foram inspirados ao seu tempo, refletindo a claridade das
Alturas, que as experiências do Infinito lhes imprimiram na
memória espiritual, e exteriorizando os defeitos e concepções da
época em que viveram, na feição humana de sua personalidade.
Na sua condição de
operários do progresso universal, foram portadores de revelações
gradativas, no domínio dos conhecimentos superiores da
Humanidade. Inspirados de Deus nos penosos esforços da
verdadeira civilização, as suas idéias e trabalhos merecem o
respeito de todas as gerações da Terra, ainda que as novas
expressões evolutivas do plano cultural das sociedades mundanas
tenham sido obrigadas a proscrever as suas teorias e antigas
fórmulas.
Lembrando-nos,
porém, mais detidamente, de quantos souberam receber a intuição
da realidade nas perquirições do Infinito, busquemos recordar o
globo terráqueo nos seus primeiros dias.
Os Primeiros
Tempos do Orbe Terrestre – Que força sobre-humana pôde manter o
equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo central do
sistema, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro
das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e
harmônicos de sua vida, por milênios de milênios? Distando do
Sol cerca de 149.600.000 quilômetros e deslocando-se no espaço
com a velocidade diária de 2.500.000 quilômetros, em torno do
grande astro do dia, imaginemos a sua composição nos primeiros
tempos de existência, como planeta.
Laboratório de
matérias ignescentes, o conflito das forças telúricas e das
energias físico-químicos opera as grandiosas construções do
teatro da vida, no imenso cadinho onde a temperatura se eleva,
por vezes, a 2.000 graus de calor, como se a matéria colocada
num forno, incandescente, estivesse sendo submetida aos mais
diversos ensaios, para examinar-se a sua qualidade e
possibilidades na edificação da nova escola dos seres. As
descargas elétricas, em proporções jamais vistas da Humanidade,
despertam estranhas comoções no grande organismo planetário,
cuja formação se processa nas oficinas do Infinito.
A Criação da Lua –
Nessa computação de valores cósmicos em que laboram os operários
da espiritualidade sob a orientação misericordiosa do Cristo,
delibera-se a formação do satélite terrestre.
O programa de
trabalhos a realizar-se no mundo requeria o concurso da Lua, nos
seus mais íntimos detalhes. Ela seria a âncora do equilíbrio
terrestre nos movimentos de translação que o globo efetuaria em
torno da sede do sistema; o manancial de forças ordenadoras da
estabilidade planetária e, sobretudo, o orbe nascente
necessitaria da sua luz polarizada, cujo suave magnetismo
atuaria decisivamente no drama infinito da criação e da
reprodução de todas as espécies, nos variados reinos da
Natureza.
A Solidificação da
Matéria – Na grande oficina surge, então, a diferenciação da
matéria ponderável, dando origem ao hidrogênio.
As vastidões
atmosféricas são amplo repositório de energias elétricas e de
vapores que trabalham as substancias torturadas no orbe
terrestre. O frio dos espaços atua, porém, sobre esse
laboratório de energias incandescentes e a condensação dos
metais verifica-se com a leve formação da crosta solidificada.
É o primeiro
descanso das tumultuosas comoções geológicas do globo. Formam-se
os primitivos oceanos, onde a água tépida sofre pressão difícil
de descrever-se. A atmosfera está carregada de vapores aquosos e
as grandes tempestades varrem, em todas as direções, a
superfície do planeta, mas sobre a Terra o caos fica dominado
como por encanto. As paisagens aclaram-se, fixando a luz solar
que se projeta nesse novo teatro de evolução e vida.
As mãos de Jesus
haviam descansado, após o longo período de confusão dos
elementos físicos da organização planetária.
O Divino Escultor
– Sim, Ele havia vencido todos os pavores das energias
desencadeadas; com as suas legiões de trabalhadores divinos,
lançou o escopro da sua misericórdia sobre o bloco de matéria
informe, que a Sabedoria do Pai deslocara do Sol para as suas
mãos augustas e compassivas. Operou a escultura geológica do
orbe terreno, talhando a escola abençoada e grandiosa, na qual o
seu coração haveria de expandir-se em amor, claridade e justiça.
Com os seus exércitos de trabalhadores devotados, estatuiu os
regulamentos dos fenômenos físicos da Terra, organizando-lhes o
equilíbrio futuro na base de corpos simples de matéria, cuja
unidade substancial os espectroscópios terrenos puderam
identificar por toda a parte no universo galáxico. Organizou o
cenário da vida, criando, sob as vistas de Deus, o indispensável
à existência dos seres do porvir. Fez a pressão atmosférica
adequada ao homem, antecipando-se ao seu nascimento no mundo, no
curso dos milênios; estabeleceu os grandes centros de força da
ionosfera e da estratosfera, onde se harmonizam os fenômenos
elétricos da existência planetária, e edificou as usinas de
ozone a 40 e 60 quilômetros de altitude, para que filtrassem
convenientemente os raios solares, manipulando-lhes a composição
precisa à manutenção da vida organizada no orbe. Definiu todas
as linhas de progresso da humanidade futura, engendrando a
harmonia de todas as forças físicas que presidem ao ciclo das
atividades planetárias.
O Verbo Na Criação
Terrestre – A ciência do mundo não lhe viu as mãos augustas e
sábias na intimidade das energias que vitalizam o organismo do
Globo. Substituíram-lhe a providência com a palavra “natureza”,
em todos os seus estudos e análises da existência, mas o seu
amor é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na
imortalidade sem-fim. E quando serenaram os elementos do mundo
nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza
melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu
nas Alturas os interpretes divinos do seu pensamento. Viu-se,
então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços
ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso
laboratório planetário em repouso.
Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no
fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento
viscoso que cobria toda a Terra.
Estavam dados os
primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa
gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara
Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros
homens.
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