|
Se se considera o quanto é grande o sofrimento de certos
Espíritos culpados, no mundo invisível, o quanto é terrível a
situação de alguns, de quantas ansiedades são vítimas, e o
quanto essa situação se torna mais penosa pela impotência em que
estão de ver-lhe o fim, poder-se-ia dizer que, para eles, é o
inferno, se essa palavra não implicasse a idéia de um castigo
eterno e material. Graças à revelação dos Espíritos, e aos
exemplos que nos oferecem, sabemos que a duração da expiação
está subordinada ao melhoramento do culpado.
O Céu E O Inferno Capítulo V, item 7.
Culpa e Reencarnação
Espíritos
culpados! Somos quase todos.
Julgávamos que o
poder transitório entre os homens nos fosse conferido como sendo
privilégio e imaginário merecimento, e usamo-lo por espada
destruidora, aniquilando a alegria dos semelhantes...
Contudo,
renascemos nos últimos degraus da subalternidade, aprendendo
quanto dói o cativeiro da humilhação.
Acreditávamos que
a moeda farta nos situasse a cavaleiro dos desmandos de
consciência...
Entretanto,
voltamos à arena terrestre, em doloroso pauperismo,
experimentando a miséria que infligimos aos outros.
Admitíamos que as
vítimas de nossos erros deliberados se distanciassem, para
sempre de nós, depois da morte...
Mas, tornamos a
encontrá-los no lar, usando nomes familiares, no seio da
parentela, onde nos cobram, às vezes com juros de mora, as
dívidas de outro tempo, em suor do rosto, no sacrifício
constante, ou em sangue do coração, na forma de lágrimas.
Supúnhamos que os
abusos do sexo nos constituíssem a razão de viver e corrompemos
o coração das almas sensíveis e nobres com as quais nos
harmonizávamos, vampirizando-lhes a existência.
No entanto,
regressamos ao mundo em corpos dilacerados ou deprimidos,
exibindo as estranhas enfermidades ou as gravosas obsessões que
criamos para nós mesmos, a estampar na apresentação pessoal a
soma deplorável de nossos desequilíbrios.
*
Espíritos
culpados! Somos quase todos.
A Perfeita
Justiça, porém, nunca se expressa sem a Perfeita Misericórdia, e
abre-nos a todos, sem exceção, o serviço do bem, que podemos
abraçar na altura e na quantidade que desejarmos, como recurso
infalível de resgate e reajuste, burilamento e ascensão.
Atendamos às boas
obras quanto nos seja possível.
Cada migalha de
bem que faças é luz contigo, clareando os que amas.
E assim é porque,
de conformidade com as Leis Divinas, o aperfeiçoamento do mundo
depende do mundo, mas o aperfeiçoamento em nós mesmos depende de
nós.
|